Este foi o marco simbólico de uma série de transformações: a reunificação da Alemanha, o fim do socialismo planificado, a afirmação do liberalismo como doutrina econômica (naquele momento), a desintegração da URSS e o ressurgimento do nacionalismo naquela região da Europa.
Comete um erro quem afirma que houve a queda do socialismo. O modelo soviético e das repúblicas do leste europeu poderia ser definido muito mais como um “capitalismo de estado” do que propriamente um modelo “socialista”.
A organização da produção seguia exatamente o modelo capitalista, só que o único dono dos meios de produção era o Estado. Obviamente, a própria ineficiência e o peso da burocracia acabaram por inviabilizar o sistema.
Mesmo em termos de implantação da democracia representativa, não se pode dizer que houve a disseminação deste modelo por todos os países. Basta ver a questão da Rússia, que hoje é uma ditadura tão ou mais cruel quanto ao tempo soviético. Talvez com a desvantagem do banditismo extremado.
O modelo capitalista implantado de forma desordenada nos países do Leste Europeu levou a extrema concentração de renda, pobreza absoluta, queda do padrão de vida da população e a apropriação do Estado por interesses privados. A privatização ocorrida nestes países foi uma das maiores transferências de renda para o setor privado ocorridas na história mundial.
Um bom exemplo desta questão é observar o que ocorreu com a indústria de petróleo na Rússia.
Em termos sociais deve-se relativizar a questão da liberdade, porque foi ‘compensada’ pela opressão trazida pela dramática deterioração das condições econômicas do povo. Hoje, vinte anos depois, já há países com melhora em sua situação social, mas sem dúvida houve um “preço social” bastante elevado a ser pago.
Contudo, embora o marketing da queda do muro tenha sido no sentido da vitória do capitalismo liberal, foi muito mais fadiga do modelo ineficiente adotado que opção pelo ultra-liberalismo. Este gerou apoenas um mundo mais desigual e mais individualista, onde o egoísmo é a base da sociedade e de sua convivência.
Sem dúvida alguma, a Alemanha foi vencedora, por retomar seu curso histórico enquanto nação. Sob este aspecto, a queda do muro foi altamente salutar.
Portanto, o Muro de Berlim possuiu um significado de simbolismo para mudanças que estavam já em curso. O gesto em si apenas acelerou o curso das transformações em andamento.
O “Capitalismo de Estado” tb pode ser interpretado como um regime capitalista caracterizado pela forte intervenção do Estado na Economia em oposição a um sistema Liberal, menos intervencionista. É o caso do Sistema Brasileiro, com grande apropriação da renda pública nas mãos do Estado.
Não concordo com esta visão de “Capitalismo de Estado” em Estados Comunistas caracterizadas pela falta de liberdade e autoritarismo máximo. O capitalismo se define como a existência da propriedade privadas dos meios de produção e com os diversos mercados que se formam em torno disso, que formam um regime de competividade, que seria inexistente em um sistema comunista.
O que aconteceu no Leste Europeu foi o afluxo da liberdade e a abertura da economia. È evidente que isto traz, de início, grandes variações. Pq o Estado se separa, enfim, do Governo. E os cidadãos passam a ter acesso a bens de produção, antes nas mãos de burocratas sem necessidade de efetividade. A concentração de renda não é por si só ruim, pq há um aumento considerável de renda, que antes era reduzida no sistema improdutivo do comunismo. Evidente que uns saíram ganhando mais que outros, mas a médio e longo prazo estes outros tendem a ter, além da liberdade, uma renda muito maior que outrora.
O sistema que sobreveio a queda do Muro tb não foi ultra-liberal. Todo o leste europeu é fortemente social-democrata, com grande peso do Estado em sua economia. O Liberalismo hoje é mais uma idéia a ser perseguida do que exatamente algo aplicável em um mundo em que o grande capital dá as cartas, seja nas mãos das grandes corporações, seja nas mãos dos burocratas do Estado.
PS: Quem manda me informar sobre o blog? Já estou eu aqui dando meus pitacos. ;)
Seja bem vindo, Henrin.
Eu me utilizei da expressão “capitalismo do estado” para expressar que a forma de produção é mais semelhante ao capitalismo que ao socialismo teórico pregado por Marx e Engels.
Quanto ao liberalismo, posso indicar algumas leituras sobre os anos 90 que talvez te façam entender o meu raciocínio. Entender, não concordar. (risos)
e comente sempre, a intervenção foi bastante inteligente.