
Começo por este “Woodstock”, do jornalista Pete Frontale. A partir do depoimento de quem fez o festival, ele traça um interessante painel sobre o que foram os três (quase quatro) dias de “paz e amor” do festival de Woodstock, em agosto de 1969.
Basicamente o autor (que esteve no festival) organiza o livro na ordem cronológica dos dias e dos shows. Vai contando ótimas histórias de bastidores do festival e de sua organização enquanto faz um relato bastante fiel de cada apresentação.
Aliás, lendo o livro é inacreditável que tenha dado tudo certo. A estrutura montada era para, no máximo, 50 mil pessoas. Apareceram 500 mil. Não houve conferência dos ingressos vendidos e muita gente assistiu ao festival de graça. Derrubaram as cercas que delimitavam o local do evento.
Por outro lado, o clima de “paz e amor” estava bem presente no evento. Não houve registros de grandes brigas em Woodstock, apesar das drogas, do frio e, em certos momentos, da falta de alimentos disponíveis.
É uma boa fotografia do momento “romântico” que vivia o mundo e a cultura. O esquema para a montagem do festival era absolutamente amador – para o bem e para o mal.
Um bom exemplo disso é a ordem de apresentação: chegou-se ao cúmulo de se colocar no palco um artista que não estava escalado, sem contrato, sem absolutamente nada, para cobrir um “buraco” na grade. A absoluta indisponibilidade de se chegar ao local do evento (uma fazenda em Bethel, estado de Nova York) fez com se abrissem lacunas nas apresentações.
Outro fator complicador foi a chuva. Sem o isolamento elétrico necessário, vários artistas levaram grandes choques no palco. E a fazenda onde se realizou o festival se tornou um lamaçal.
Entretanto, o festival marcou grandes shows. E a revelação de uma grande estrela, o guitarrista Carlos Santana, que era praticamente desconhecido e só entrou na escalação como ‘contrapeso’ de um outro artista. Seu show em Woodstock lançou-o ao estrelato.
O autor relata cada show, cada artista e as suas histórias de carreira. Por curiosidade, os maiores cachês foram de US$ 10 mil à época. Mesmo com a inflação, é uma ninharia levando-se em conta os valores que são pagos nos dias de hoje para apresentações equivalentes.
Outra boa faceta do livro é dar ao festival a sua merecida importância na história da cultura de massa.
Excelente leitura, ainda mais se complementada com outro livro que resenharei ainda esta semana. Tão bom que me despertou a vontade de comprar o documentário oficial do festival, mencionado diversas vezes no exemplar – o que já o fiz.
O ricardo semler conta em um livro dele que na verdade Woodstock começou como um projeto de um primo brasileiro dele junto com um amigo, querendo fazer um show, que segundo me lembre, foi para promover a fundação de uma gravadora (ou produtora?) que ele e o sócio fundaram. À partir daí o negócio tomou um vulto além de qq coisa.
É um exemplo de quando certas coisas precisam ser feitas. Coisas que fixam um período no espaço-tempo. E para isso as vezes acham caminhos mais inexplicáveis possíveis. O Festival de Woodstock tinha e iria acontecer naquele período. Agora, como, foi assim que o destino encontrou a forma.
Esta história do Semler, pra mim, é novidade.
Quanto ao seu segundo parágrafo, concordamos. Amanhã ou sábado devo resenhar aqui o outro livro sobre Woodstock que li semana passada.