Bom, após um certo interregno, nossa coluna “Resenha Literária” está de volta. E com um livro literalmente de peso: o “Larousse da Cerveja”.
Em uma edição caprichada, com papel especial e fotos de alta qualidade, capa dura e cerca de 360 páginas, o pesquisador Ronaldo Morado escreve uma obra de fôlego. Fôlego não só no conteúdo quanto para segurá-lo, porque ele deve pesar bem uns três ou quatro quilos.
Mas vale cada grama. O exemplar promete entregar uma obra de referência sobre o assunto, e pelo menos para um (quase) leigo como eu é bastante esclarecedor sobre os mais diversos aspectos envolvidos não somente na produção de cervejas como em seu consumo, armazenamento, classificações, produção e até nos copos adequados a cada tipo de cerveja.
Em um texto leve e bastante agradável, escrito com supervisão de um mestre cervejeiro, Morado abrange todos os principais temas afeitos à paixão cervejeira.
No capítulo sobre a história da bebida mostra-se a importância dos mosteiros – em especial belgas – na fabricação e disseminação da bebida pela Europa e, depois, pelo mundo. Também relata os progressos industriais na conservação e armazenamento da bebida, que permitiram a produção em grande escala sem perdas de qualidade e com padronização de produto.
Sobre os ingredientes, aparecem os componentes básicos da bebida – malte de cevada, lúpulo, água e as leveduras – e as variações ocorrentes a partir daí. Também pode-se ter cervejas com maltes de mistos de cevada e vegetais como o trigo, o centeio, a aveia e até arroz e milho – estes últimos muito apreciados pelos americanos, por tornarem a bebida mais leve.
Outro viés interessante é a explicação sobre a preparação do malte e da bebida em si, e como estes influenciam no resultado final da bebida.
Também ressalta os cuidados para uma boa conservação do produto e a maneira correta de se servir, bem como os copos adequados. Aliás, o capítulo sobre os copos adequados a cada qualidade da bebida é interessantíssimo.
Descreve os tipos existentes da bebida, dando especificações e exemplificando com os rótulos conhecidos no mundo e no Brasil. Acaba-se descobrindo coisas interessantes, como o uso inadequado da expressão “premium” em certas cervejas brasileiras.
A última parte do livro é um painel com as principais indústrias cervejeiras e seus principais produtos. Outros destaques são o glossário encontrado ao final e cada cerveja classificada segundo seu estilo. Este último é um excelente indicador para se montar uma degustação.
Obrigatório. Muito superior ao “Guia Ilustrado Zahar de Cerveja”, alvo de resenha anterior, que acaba se mostrando bastante incompleto perto deste.
Não é barato – está em promoção por R$ 94 na Travessa – mas é indispensável. Uma obra de referência e consulta constante.

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