Sou daqueles que consideram que um novo ano só começa após o Carnaval. Fiz, por isso, algumas promessas que pretendo cumprir em 2010. Uma delas é a de usar menos a internet. Só não contava com a colaboração brilhante da velox, que me deixou sem acesso à rede nos últimos dias. Ainda estou, diga-se , sem internet em casa – escrevo de uma lan house em Niterói, no intervalo de aula.
Nada melhor para começar o ano do que falar sobre o Carnaval que passou. A vitória da Unidos da Tijuca, por exemplo, reforçou minha convicção de que tenho talento para virar carnavalesco, conforme expressei nesse texto aqui .
O mago Paulo Barros colocou no mesmo desfile Nabucodonosor, a Biblioteca de Alexandria, Batman, o Homem Aranha, seres extraterrestres, Michael Jackson, mafiosos e uma ala de anfíbios similares ao sapo cururu e a perereca da vizinha.
Destaco ainda o belíssimo caixão de defunto, mais negro que as asas da graúna, de onde saia uma comissão de frente que homenageava Marco Nanini e Nei Latorraca no Mistério de Irma Vap. Acho apenas que a Tijuca poderia ousar ainda mais e desfilar com a trilha sonora da Pantera Cor de Rosa, incrementada por um DJ bissexual, no lugar do samba de enredo e da bateria, essas velhacarias ultrapassadas.
Já animado com o espetáculo tijucano, li ontem outra notícia que me entusiasmou em relação ao futuro dos desfiles: a Acadêmicos do Grande Rio deve vir em 2011 com um enredo sobre uma figura legendária do samba carioca; a apresentadora Hebe Camargo.
Acho um excelente enredo. Através de Hebe Camargo a escola de Caxias certamente fará um passeio pela história da República no Brasil. Uma ala, por exemplo, pode representar Hebe na infância, fugindo, com chupeta na boca e penteado maria chiquinha, do Doutor Oswaldo Cruz, durante a Revolta da Vacina de 1904.
A adolescencia de Hebe pode ser o mote para a lembrança da Revolta da Chibata e da Guerra do Contestado, durante o governo do Marechal Hermes da Fonseca. A morte de Pinheiro Machado; a Primeira Guerra Mundial; o nascimento do samba, do tango e do baião; a invenção do cinema falado, da pomada Minancora e do jogo do bicho; o voo do 14 Bis… eis um tremendo mote, com cheiro de título. Hebe, a testemunha da história encanta a Sapucaí, é o minha sugestão para o título do enredo.
Eu, com inveja da Grande Rio e dessa sacada da Hebe, vou mandar uma mensagem para o orkut de Paulo Barros com uma ideia de enredo que reputo espetácular: É Nelson !
Imaginem que tema criativo – falar de vários Nelsons que marcaram a história humana: Nelson Ned, Nelson Mandela, Nelson Cavaquinho, Nelson Rodrigues, o fofoqueiro Nelson Rubens, Nelson Piquet, Nelsinho Piquet, Nelson Motta, Nerso da Capetinga, Almirante Nelson [ o da Batalha de Trafalgar] , o outro Almirante Nelson [ do filme de ficção científica Viagem ao fundo do mar ] , Nelsinho Querido de Deus [lendário gigolô da casa de saliência de Consuelo, la índia paraguaia] e, para comover o público, o Nelson anônimo que mora em cada um de nós.
Admitam – é tema para sacudir a galera e ganhar o carnaval. Dá para descer a avenida com carros de fórmula 1, submarinos, escafandristas, anões cantores, monstros do oceâno abissal, canalhas, normalistas do subúrbio, Napoleão Bonaparte, caipiras, jogadores de rugby, militantes do movimento negro, navios de guerra e o escambau.
Quanto a São Clemente, vitoriosa no grupo de acesso com o desfile emocionante sobre o choque de ordem da prefeitura, sugiro em 2011 um enredo de grande efeito visual sobre os mistérios do oriente, com uma justa homenagem aos diretores da LESGA: Ali Babá e os quarenta ladrões. Um refrão com Abre-te, Sésamo! certamente empolgará a platéia e garantirá a boa colocação da simpática agremiação de Botafogo.
Abraços.

15 Replies to “CARNAVALESCAS”

  1. olá luiz
    bom, nao vou comentar exatamente sobre esse post (tá, entao por que comentar ne?), apesar de te-lo considerado ótimo, assim como os outros.
    vim aqui para (dificil arranjar um verbo agora) falar que eu realmente admiro e curto muito o teu blog. achei ele meio por acaso na internet, aquelas sortes que as vezes acontecem, e desde entao acompanho assiduamente e nao pude deixar de ler todas as postagens antigas.
    isso aqui tá parecendo meio tiete ou “quero me enturmar”, mas enfim, dane-se. entao, eu faço história tambem, sou apaixonada de forma enlouquecida por futebol e o samba tem uma parte importantissima na minha vida, sendo assim, dá pra notar o porquê do interesse por aqui..haha!
    queria dizer que comecei a ler o teu livro junto com o alberto mussa (uma amiga minha comprou por indicaçao minha e eu pedi encarecidamente que ela deixasse eu ler antes dela). to no comecinho ainda, mas ele tá exatamente no bom nivel que eu esperava! to devorando e espero termina-lo logo..haha!
    quando eu for pro rio de volta ia ser legal sentar pra tomar uma gelada contigo, se nao for muita tietagem..haha! pra conversar mais sobre samba, descobrir varias coisas e tal, tenho inclusive interesse academico nisso! e claro, nao deixar faltar o futebol ne!
    acho que é isso entao!
    aaaah, parabéns pela taça guanabara! (:

  2. Ótimo. Só lamento o esquecimento, no enredo É Nelson!, do político Nelson Merru, autor do bordão “Isto tem que acabar!” e do Nelson meio-campo do Flamengo nos anos 1979/80 por aí.

  3. salve, professor,

    finalmente pude começar a ler a arte e a história dos sambas de enredo.
    parabéns de montão pra voce e o mussa. a obra é do cacete. além disso, segui a sugestão dos autores: ler acompanhado sonoramente pelos sambas e, de preferencia,de algumas cevas. é batata.

    abçs

    carlos anselmo-fort-ce

  4. Camaradas, obrigado por apoiar essa minha incursão no mundo do Carnaval. Anotei as sugestões e vamos nelson!!

    Jackson, valeu a força no Zero Hora!

    Boechat, você tem razão.

    Moutinho, ótimo refrão. Vamô que vamô!!!

    Abraços pros homens e beijos pras moças.

  5. Simas, o carnaval dos nelsons promete. Minhas sugestões para o carnavalesco incorporar ao enredo: Nelson Rufino, o almirante Nelson (da nave Enterprise), Bob Nelson, Nelsinho (meio campo do Flamengo com Carlinhos Violino), Nelson Carneiro (o autor da lei do divórcio),o grande cantor Nelson Gonçalves e seu homônimo deputado estadual; e Nelson Duarte (policial, foi do Esquadrão da Morte).

  6. Faltou também o Major Nelson, marido da Jeannie, do seriado “Jeannie é um gênio”. Imagine quantas ideias o Paulo Barros não teria com um enredo destes…
    Beijos.

  7. PARABÉNS, DIGNÍSSIMO MESTRE!!!

    Com toda essa ironia astuta e brejeira, que era a marca do nosso verdadeiro Carnaval, vc conseguiu traduzir por completo o meu sentimento pela aberração que foi o resultado desse ano.

    O pior de tudo foi ver o consenso coletivo fabricado nas alcovas do diário Extra. Depois da infame manchete “só um truque dos jurados tira o título da Tijuca”, na manhã da quarta-feira da apuração, toda a bitolada população carioca (os mesmos imbecis que promovem “fenômemos” como o já citado “Mulher”) resolveu aderir à causa do “patrão”, elencando a Tijuca Sem Enredo como campeã sabe Deus do quê.

    Me tira uma dúvida: o concurso não era de Samba? Por onde anda ele, hein? Ano que vem vou procurá-lo pelas bandas de Campinho… será que eu acho?

    Abração, mestre
    Alsan

    PS: Vc me permite mandar seu texto por e-mail para outras pessoas? Eu prometo creditar a fonte e promover seu estupendo blog…

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