Na nossa programação especial de carnaval, a terceira coluna da série, escrita pelo médico, compositor e folião Walkir Fernandes:
“Pronto, taí o q a gente queria, samba rolando no Grupo Especial. Vamos a algumas considerações e destaques observados pela telinha, rolando a pelota para o Titular da Pasta, q deverá fazer seus relatos, escola por escola, com a pertinência de quem estava de frente pro crime.
Vamos as considerações desse telespectador:
1. Transmissão da Globo: menos chata q em anos passados, mas ainda com muito a melhorar. Luiz Roberto no lugar de Kleber Machado e Pedro Luis em substituição a Dudu Nobre foram os maiores acertos. O histrionismo fantasiado de descontração do Chico Pinheiro e a orientação da emissora para o “tudo é divino e maravilhoso” as bolas foras.
2. Oh, a União voltou, a União voltou !!! Fantástico. Porém mais do que isso, poderíamos cantar: Oh, A Rosa Magalhães voltou, a Rosa Magalhães voltou !!! E voltou afiada e criativa como nos velhos tempos. Plasticamente, para mim, foi o melhor desfile que a União fez em toda a sua história, perdendo de pouco para Domingo, Festa Profana e Maria Clara Machado em termos de emoção e animação.
3. Destaque absoluto para o carro do Teatro de Bonecos da Ilha. Lúdico, carnavalesco e riquíssimo em detalhes e bom gosto. Mostrando que a carnavalesca captou muito bem o espírito da escola. Alegoria com a cara da União da Ilha.
4. O Max velho de guerra de sempre !!! Competente, caprichoso e previsível. Mesmo assim o melhor desfile da Imperatriz em anos. Mais do mesmo, mas tudo muito bonito.
5. Faço minhas as palavras de Renato Lage: “o Paulo Barros pegou na veia”. E colocou no fundo das redes !!! Gol de placa ! Se o campeão sair de domingo será a Tijuca. Um ou outro excesso, mas com algumas sacadas que valeram o ingresso. A Comissão de Frente, os carros da Biblioteca de Alexandria e dos Jardins Suspensos da Babilônia entram para os anais do Carnaval Carioca.
6. Pena que o pavão, símbolo da Unidos da Tijuca, tenha sido um dos mais feios já apresentados na avenida. A ponto de me fazer pensar se algo não funcionou na hora, luz, coreografia, alguma coisa… sei lá…
7. Viradouro plasticamente muito ruim. O carro de som para minha surpresa sustentou bem o samba, do qual eu não gostava, mas que não se saiu mal. E as baianas representando a Virgem de Guadalupe estavam lindíssimas. Alegorias nível Lesga.
8. Salgueiro desperdiçou um enredaço !!! Trabalho preguiçoso do ótimo Renato Lage. A impressão que dá é que o Renato não veio com tudo; acho que depois do resultado de Candaces ele só vai na boa… Ele pode e sabe mais do que aquilo que minha escola apresentou. Mas com alguns bons momentos, fantasias contando bem o enredo. O abre alas ao invés de ser impactante como se espera, foi um balde de água fria. E o pior de tudo: faltou vermelho no Salgueiro !!!
9. Beija parecia aquela mulher linda de viver, educada, culta e boazinha, mas sem o menor charme, fala aos olhos, mas sem dar tesão… O de sempre, com o agravante do péssimo enredo, oportunista e rocambolesco. Me lembrou quando Joãozinho 30 colocou as Minas de Ouro do Rei Salomão na Amazônia…
10. De resto a frieza da avenida, coalhada de turistas das mais diversas procedências, que não cantam e pouco vibram. Hoje em dia parece quase impossível levantar a Sapucaí no desfile do Grupo Especial.”
Que venha a noite de segunda-feira de carnaval!