Rapidinho – daqui a pouco tem desfile do Acesso B – a quarta coluna da série assinada pelo médico e folião Walkir Fernandes.
Não vou ter tempo de escrever agora, mas deixo duas rápidas notas: meu desfile na Portela foi muito complicado e se não vencer a Unidos da Tijuca será caso de Polícia.
Vamos ao texto:
“Eis que chegamos a terceira noite de Sapucaí, segunda do Grupo Especial. Expectativa grande, depois do desfile xexelento de domingo, esperamos pela campeã.
Na telinha a Globo se superou: o que já era chato se tornou francamente irritante, muito falatório, o tal do botequim do samba fazendo inserções cada vez maiores no antes e até no durante os desfiles com o Chico Pinheiro matraqueando e macaqueando sem parar; e o Geraldinho Carneiro achando que estava fazendo poesia, quando o máximo que conseguia era fazer uns trocadilhos canhestros sobre pororocas e pererecas.
Porém o mais grave estava por vir: durante o desfile da Grande Rio com seu enredo sobre o Camarote nº 1, da Brahma: a Globo, cujo carnaval teve como principal patrocinador a Schin, simplesmente CENSUROU a apresentação da escola.
Uma censura comercial que se refletiu numa péssima cobertura, onde a letra não foi exibida, o áudio do Wantuir, intérprete da escola, que não foi focalizado uma única vez era simplesmente tirado do ar quando chegava no refrão, que fazia menção ao referido camarote da Brahma. Sem contar com 3 inserções no meio do desfile para entrevistar o Martinho da Vila e duas vezes e a Gracyanne, rainha de bateria da Vila. Desfile em que a Comissão de Frente foi mostrada rapidamente e a alegoria que representava o Camarote não foi mostrado; enfim ridículo e lamentável.
Lamentável também foi ver o que foi feito da Portela, desfile tosco, confuso, plasticamente feio. Salvou-se como sempre o chão da escola, que merecia mais respeito de sua diretoria. Um desfile negativo para a Nação Portelense.
Mocidade bem animada, plasticamente irregular. Porto da Pedra com boas sacadas, mas com samba fraco, apesar do ótimo puxador. Vila bem legal, com uma grande harmonia, grande samba, grande comissão de frente, mas com alegorias fracas, tá na briga, como também está a Grande Rio, num desfile maduro do seu carnavalesco – que sempre promete e pouco cumpre em matéria de talento, mas acertou esse ano. Mangueira feliz com seu excelente samba, desfilou bem, e só.
Aguardemos o parecer dos jurados, mas pra mim, dá Tijuca.”
Vamos ver. O problema é que nossos jurados seguem muito a frase lapidar do Joãos(z)inho Trinta: “Pobre gosta de luxo. Quem gosta de miséria é intelectual.”. E as escolas de maior força política desfilam com luxo…
As melhores escolas, para mim foram a Unidos da Tijuca e a Vila Isabel, disparadas. Mas ambas tem alegorias inferiores em LUXO (não em transmissão do enredo…) às concorrentes ao título. A Tijuca tem até mesmo as fantasias inferiores neste ponto. Aí mora o perigo…
Não deveria ser assim, mas o critério luxo já tirou outros títulos do Paulo Barros e pode tirar esse. Sinceramente, se ele tiver que perder que perdesse para o Alex de Sousa, mas aí entra uma questão quase pessoal…