Para este domingo ainda meio de ressaca pós-carnavalesca, um livro que até terminei de ler antes do que resenhei por último aqui. Mas optei por escrever depois dada a overdose de posts sobre escolas de samba no período de carnaval.
Nosso livro de hoje é “Samba de Enredo – História e arte”, dos pesquisadores Alberto Mussa e Luiz Antonio Simas.
A proposta do livro é contar a história do samba de enredo através das obras mais significativas do gênero, além de resgatar sambas que se encontram praticamente esquecidos.
Contado linearmente, o livro inicia fazendo um histórico do samba e fazendo um pequeno histórico do surgimento das primeiras escolas – embora soe incompleto quanto se refere à Portela, que entende como data de fundação abril de 1923. Também repercute a bola levantada pelo historiador Sérgio Cabral em seu livro (infelizmente esgotado) sobre as escolas de samba cariocas sobre a real data de fundação da Mangueira.
No segundo momento, o livro disserta sobre qual seria o primeiro real samba enredo da história, fugindo da interpretação oficial de que seria “Teste ao Samba” (Portela 1939) o precursor do gênero. Na interpretação dos autores há outros dois sambas que mereceriam a primazia, e este debate permeia o capítulo. Também faz um bom resumo da caminhada das escolas rumo a temas nacionais, refutando tese de que havia sido exigência do governo de então.
Posteriormente passa pelo período dos “lençóis” – sambas com letras imensas e clássicas – a época de ouro entre 1969 e 1989 e a progressiva perda de importância do gênero a partir daí – fechando na crise pela qual passa o samba de enredo atualmente e sua perda de influência no julgamento do carnaval.
O livro se encerra com um capítulo enumerando as escolas de samba, com um pouco de sua história e seus principais sambas. E outro com os grandes compositores da história. Aliás, neste trecho tem um errinho, porque o grande David Correa voltaria a vencer na Portela em 2002 – ao contrário do afirmado.
Penso que é um bom painel do samba enredo e obrigatório para quem se interessa pelo universo das escolas de samba cariocas. Faço duas ressalvas – que porém, não tiram a qualidade do livro: os autores ignoram os dois maiores sambas desta última década (União de Jacarepaguá 2004 e Boi da Ilha 2001, ambos retratados na série “Samba de Terça”) e notei uma certa má vontade para com a minha Portela, a Majestade do Samba.
Na Livraria da Travessa, o livro custa R$ 34. Vale a pena.

5 Replies to “Resenha Literária: "Samba de Enredo: História e Arte"”

  1. Migão, ressalva (correção), vc fez quanto à vitória do DC em 2002. No final do seu texto, vc fez, na verdade, uma crítica baseada em seu gosto pessoal. Esses sambas são os melhores em sua opinião.
    André

  2. André, você tem razão em parte. Sem dúvida alguma é uma opinião pessoal, mas os dois sambas ganharam o Estandarte de Ouro e, em especial no caso do boi da Ilha é indubitavelmente o maior samba da história da escola.

    abração

  3. Sugestão de livro: “O andar do bêbado” de Leonard Mlodinov. Se você não o tiver na sua lista de compras, inclua-o.

    É uma forma de mostrar um estudo técnico, matemático e econômico do aleatório, mostrar o quanto ele influencia nossas vidas e como não estamos preparados para entendê-lo. O primeiro livro em anos que venho lendo de carreira, sem parar e voltar, parar e voltar…

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