Bom, os meus leitores devem estar acompanhando a saga que se tornou andar pelo Rio de Janeiro desde a noite de ontem, quando um temporal trouxe caos à cidade e muitas mortes, infelizmente.
Queria contar a saga que foi chegar em casa na noite de ontem.
Saí do trabalho por volta de seis e meia da tarde, com bastante chuva mas avaliando que não seria muito diferente de outros dias. Minha chefe ainda alertou que o trânsito estaria complicado mas preferi “pagar para ver”.
Como faço habitualmente, saí da Avenida Chile, peguei a rua da Carioca até alcançar a Presidente Vargas através do Campo de Santana. Na Rua da Carioca havia água mas o trânsito ainda andava. Mas…
Quando chegou na Praça da República, parou tudo. Parou, parou, parou… Terminei de ouvir o cd da cantora Joan Baez que estava ouvindo e coloquei na rádio.
Aí que tive idéia do caos que estava ocorrendo. Tudo parado, as pessoas desesperadas querendo se deslocar e nada andava.
Após longo tempo parado, mais de uma hora e meia, consegui acessar a esquina da Presidente Vargas. Tinha duas alternativas: tentar encontrar o cais do Porto – e correr o risco de ficar preso dentro do túnel – ou entrar pela Presidente Vargas. Escolhi a segunda opção.
Como a primeira foto mostra, péssima opção. Andei cerca de dez metros e simplesmente parei. Parei, parei, parei… Comi umas bananadas que tinha no carro e dei graças a Deus de ter sempre água comigo.
Não andava. Levei umas três horas simplesmente parado em frente à Central do Brasil, sem ver um policial ou guarda municipal. Depois soube que a retenção era devido ao mar em que a Praça da Bandeira havia se transformado – como os leitores podem ver pelas fotos.
Pior que deu vontade de urinar enquanto estava parado. Minha sorte é que tinha uma garrafa de água vazia no meu carro e foi ali mesmo que discretamente me aliviei.
Depois de não sei quanto tempo o trânsito começou a andar lentamente pela faixa da direita. Esgueirei-me por lá e cheguei na Leopoldina após longo tempo.
Como vêem pela foto, passei devagarinho pela faixa da esquerda, com água no pára-choque do meu carro. Quando alcancei a Linha Vermelha haviam muitas poças d´água, mas consegui chegar em casa apesar dos percalços.
Às quinze pra uma da madrugada, ou seja seis horas e quinze após sair do trabalho. Para fazer vinte quilômetros levei o mesmo tempo que se leva daqui do Rio a São Paulo. Mas pelo menos são e salvo.
Queria destacar duas coisas: a excelente cobertura das rádios Bandnews e Tupi e ao meu valente Uno Mille, que encarou com muita garra todas as condições extremas que enfrentou.
Quanto à chuva e às consequências em si, é o tema do próximo post.