No dia de seu primeiro aniversário, o Ouro de Tolo tem o prazer de dividir com os leitores texto escrito pelo jornalista Marco Aurélio Mello, dono do excelente “DoLadoDeLá” – link ao lado na coluna “Meus Blogs”.
Divido este presente com os leitores.
“Desde que o Migão me pediu uma contribuição ao blog, no mês passado, fiquei pensando no que poderia interessar a ele e a seus leitores. Não entendo de futebol, não entendo de carnaval, não entendo de Igreja Messiânica, na verdade não entendo de muita coisa. O Migão é um curioso, devorador de livros e muito interessado em contexto, diferentes versões sobre os fatos e, mais e melhor do que tudo isso, interessado em cultivar amigos. Tudo que sei a respeito dele descobri em nossa convivência “virtual”. Espero que gostem do texto que reformatei em homenagem ao primeiro ano do Ouro de Tolo. Abraços.
Em setembro do ano passado meu filho mais velho (então com 12 anos) me perguntou o quê, afinal de contas, era pré-sal. Primeiro pensei na nossa incompetência de jornalistas. Assim como ele, desconfio que a maioria dos brasileiros ainda não sabem o que é isso. Depois, respondi que era uma camada do oceano muito profunda e que a Petrobras era a única empresa com tecnologia para explorar sozinha o petróleo lá. Em seguida ele afirmou: – Pai, sabia que a Petrobras é uma das maiores empresas do mundo? Respondi: – Do mundo não, das Américas. – Ah, é, das Américas, lembou ele, que emendou: – E qual é a maior? Das Américas ou do mundo, perguntei? Das Américas, ele reforçou. – Não sei, respondi. E fomos ao google. – Pai, me disse, é outra de petróleo. E do mundo também! É uma tal de Royal Dutch Shell. E depois disparou. Pai, sabia que entre as dez maiores do mundo, sete são de petróleo? Aí eu disse a ele: – Assim fica fácil entender porque está todo mundo querendo o pré-sal, não é mesmo? A oposição quer que os estrangeiros sejam nossos sócios, falei. Em jogo está muito dinheiro. E, nesse mundo, quem tem dinheiro, tem poder. – Entendi, ele respondeu. Pedro já percebeu a importância da contextualização. Tem adulto que não aprendeu isso até hoje. A propósito da curiosidade dele, que deve ser a mes ma de muitas crianças da mesma idade, e até dos adultos, vamos lá: a primeira é a Shell (holandesa); a segunda, a Exxon Mobil (americana); a quarta, a BP (inglesa); a quinta, a Chevron (também americana); a sexta, a Total (francesa); a sétima, a ConocoPhillips (também americana) e finalmente a nona, a Sinopec (chinesa). Só a rede Wal Mart (cadeia de lojas americana), o ING (banco holandes) e a Toyota (montadora japonesa) fazem parte da lista dos dez mais. Dá para imaginar o lobby que esses caras estão fazendo para tentar entrar aqui??? O mundo vive uma corrida por novas fontes de energia, renováveis ou não. E com o avanço do Islamismo, o Oriente Médio está deixando de ser um parceiro servil e confiável. Simples assim! Mas a política costuma ser mesquinha demais para pensar um projeto nacional de longo prazo. Só um exemplo, o argumento da britânica The Economist para sustentar que a criação da PetroSal pode não ser um bom negócio para o Brasil, segun do eles, um Estado ‘inchado’: “Qualquer um que esteja acompanhando os recentes escândalos de corrupção no Congresso brasileiro sabe que os legisladores do país são capazes deste tipo de desastre”.O que vocês acham disso?”
A propósito, recomendo aos leitores a série que escrevi sobre o pré-sal e o novo marco regulatório que escrevi aqui mesmo. Links abaixo:
– Parte I;
– Parte III;
P.S. – Não deixe de participar da promoção de aniversário do Ouro de Tolo. O post para inscrição está aqui.
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Parabéns pelo sucesso do 1º ano!
Vida longa ao Ouro de Tolo.
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Uma colocação pessoal:
Eu, por exemplo não concordo com Estado inchado, nem com a criação da PetroSal. Mas se a Petrobrás descobriu esse “mundo” de petróleo, se ela investiu dinheiro nisso, porque ela não pode se aproveitar? Porque a própria Petrobrás (que possui como acionistas milhares, milhões de brasileiros com seus FGTS investidos nela, assim como estrangeiros também, mas continua tendo como acionista majoritário o governo brasileiro) não pode auferir os lucros dessa operação?
Ganância… Tem gente demais tentando ganhar demais nesse jogo às custas de outros… Vide que a questão principal (a mudança de operação das concessões dos poços) passou a secundária com a questão da redistribuição dos royalties entre estados e municípios. Ninguém pensa nos riscos da operação, mas o fato da empresa ter acionistas pode permitir que o risco seja dividido com o “mercado”. Ou seja, lançar mais ações como se dissesse: “tenho um enorme potencial, mas preciso arrecadar para a pesquisa para extração deste petróleo. Quem quer vir comigo?”. Com a PetroSal, ficam 2 empresas onde 1 bastaria. Mais empregos comissionados… Mais gente roubando…
Do outro lado, há gente de fora interessada na exploração dessas riquezas. E um congresso vulnerável à sedução por altas quantias. Mas as novas regras tornam essas quantias mais acessíveis aos congressistas via, hum…, desvios inconfessáveis…
Nosso problema não são as regras. Mas a corrupção e desinteresse por punição.
Bruno, sugiro que dê uma olhada nos links que coloquei ao final deste post, acho que vai clarear bastante o seu pensamento.