Bom, o leitor deve ter percebido que o post de ontem foi ficando desatualizado durante o dia, dada a profusão de novas notícias durante esta quinta feira. Peço desculpas aos leitores por não conseguir escrever uma ementa durante o dia de ontem, mas estava bastante atarefado.

A principal delas foi que, liderados por Flamengo e Corínthians, onze clubes decidiram negociar por conta própria os direitos televisivos para as temporadas de 2012 a 2014 do Campeonato Brasileiro. Como escrevi ontem, em especial o rubro negro e o time da Marginal Tietê consideram que terão maiores ganhos com um acordo solitário e em separado.

Inicialmente, os quatro grandes clubes do Rio de Janeiro divulgaram uma nota anunciando a sua desfiliação do Clube dos 13 e que negociariam em separado os direitos de televisão, provavelmente somente com a Rede Globo. O Corínthians e mais nove clubes os seguiram na decisão.

Posteriormente os clubes cariocas foram informados de que não poderiam desfiliar-se por terem uma dívida somada de aproximadamente R$ 60 milhões. Tal dívida provém de adiantamentos de cotas de tevê repassados aos clubes, que não teriam nada a receber neste ano de 2011. Contudo, a decisão de negociar os valores televisivos de forma separada mantém-se.

Como expliquei ontem, por trás disso temos o presidente da CBF e a maior rede de comunicações do país, buscando manter o controle e o monopólio sobre o futebol. Ainda que obrigada pelo Cade e negociar de forma separada as diversas mídias, vejo nesta “rebeldia” a tentativa de manter o controle total das imagens – dando um “drible” nas determinações do órgão de defesa de concorrência – continuando a ter o direito de colocar as partidas no dia que quer, no horário que quer. Um bom exemplo disso foi ano passado o Flamengo ter sido obrigado a jogar uma partida decisiva pela Taça Libertadores às quatro da tarde de um quinta feira, dia útil – e o empate naquela ocasião quase eliminou o time.

Entretanto, se não houver uma composição – com todos os clubes rejeitando a concorrência e renovando o contrato, em todas as mídias, mesmo se sujeitando a posteriores contestações judiciais – teremos a seguinte situação: os onze clubes assinando com a Globo e pelo menos São Paulo e Atlético Mineiro com a Record, por exemplo, fora os demais que se encontram indecisos. Em partidas entre equipes de diferentes emissoras os dois clubes tem de autorizar a transmissão, o que pode gerar um imbróglio de proposrções inimagináveis.

Ao contrário da Europa, onde os direitos são do time mandante, aqui a legislação do direito de arena exige que as duas equipes autorizem a transmissão. Na hipótese, em minha opinião remota, de negociações individuais isso deve gerar uma tremenda confusão.

Vamos aguardar os desdobramentos. O que me parece é que a manobra comandada por Ricardo Teixeira e Marcelo Campos Pinto (executivo chefe da emissora para o assunto) teve sucesso absoluto, impedindo a concorrência e estabelecendo um “feudo” absolutista. Em minha modesta opinião, perde o futebol  pois não maximiza a renda e sua exposição em uma eventual licitação; e perde especialmente o consumidor, que não terá suas preferências consideradas na hora da definição de datas e horários de partidas.

Que fique claro que não sou a favor ou contra determinada rede de televisão. Sou a favor da concorrência e contra o monopólio. Se a Rede A, B ou C é melhor para os clubes e o consumidor, que mostre isso em uma licitação, não em manobras palacianas. É o que acho.