A notícia da última semana do espectro político foi a decisão do prefeito paulistano Gilberto Kassab de se desfiliar do DEM, seu partido. Sua avaliação é de que estaria sem espaço na legenda, além de não estar na base de apoio à presidenta Dilma Roussef.
Até aí, nada muito anormal. Trocas de partido são razoavelmente comuns, apesar da recente lei que freou a farra que havia anteriormente. O mais incrível, contudo, são as opções aventadas pelo prefeito de São Paulo para sua nova filiação partidária.
A primeira é a fundação de um novo partido, provisoriamente chamado de PDB – Partido da Democracia Brasileira. Seria uma legenda de centro direita, agregando aqueles descontentes com a dicotomia entre PT e PSDB no campo partidário. Buscaria ser uma terceira via construindo um novo caminho programático. Normal, também.
O incrível, porém, é a outra opção, considerada a mais provável: a filiação ao PSB, Partido Socialista Brasileiro. Isso mesmo: o prefeito paulista, que tem uma atuação política notadamente de direita, de defesa da propriedade e das elites, quer se filiar ao Partido Socialista! Certamente Marx e Engels, onde quer que estejam, devem estar se perguntando o que está acontecendo – e onde erraram.
Entretanto, vale dizer que o Partido Socialista Brasileiro, aqui no Brasil, é mais uma legenda de centro que qualquer outra coisa. Tendo como principal liderança o governador de Pernambuco Eduardo Campos, é uma linha auxiliar do PT, um pouco mais ao centro – o partido da Presidenta Dilma Roussef ocupou o campo da centro esquerda social democrata.
Ou seja, me parece mais um caso de partido cujo nome ‘está inadequado’ que propriamente uma questão de incoerência. A questão é que os partidos, no Brasil, guardam pouca semelhança com seus programas e sua forma de atuação.
Basta lembrar que o PSDB tem “social democracia” no nome mas na verdade representa os interesses da elite americanófila e excludente – nada mais oposto à sua denominação. O DEM, Democratas, é a direita excludente.
O próprio PT hoje é muito mais um partido de burocratas que “dos trabalhadores” – embora deve se ressalvar que as políticas keynesianas e sociais democratas do partido tenham beneficiado os trabalhadores e criado um mercado consumidor de massa no Brasil.
Ainda tem mais. Outras notícias dão conta que a senhora acima, a senadora Kátia Abreu, representante dos interesses mais oligárquicos, reacionários e elitistas brasileiros também deve se desfiliar do DEM e entrar no… PSB!
A senadora é o que temos de mais próximo ao movimento americano denominado “Tea Party”, que prega a retirada do Estado da vida dos cidadãos e a desregulamentação total, em linhas gerais. Como uma política com estas posições vai se filiar a um partido socialista, que tem como base justamente a presença do Estado em todos os setores da economia?
Sinceramente, não entendo. Se a senadora em questão é “socialista”, eu, que sou social democrata da linha keynesiana, passo a ser um comunista da linha trotskista, ou seja, a extrema esquerda. Ela está na extrema direita, eu na centro esquerda, e quer entrar no partido socialista?
São dois bons exemplos de um problema sério da política brasileira: o personalismo. A política é feita muito mais com base em nomes que em programas ou idéias. Então temos estes tipo de aberração.
Por essas e outras que uma reforma política se faz necessária no Brasil.
Migão, Migão… como já te falei, não existem mais os conceitos de “direita” ou “esquerda”. Hoje em dia todos os partidos têm filiados conservadores ou modernos, agindo em prol de seus interesses, interesses de suas comunidades e também financeiros. rs
Lula – e muito menos Dilma – podem ser considerados “de esquerda”. Esquerda pura só o PSTU, PCO… nem o PC do B ou PCB podem ser considerados de esquerda.