Republico texto escrito originalmente em setembro de 2009, como homenagem ao ex-vice presidente José Alencar, falecido no dia de hoje após longa batalha contra o câncer. Que descanse em paz.

Aqui o leitor pode ler a resenha de sua biografia, que escrevi recentemente.

“Tenho profunda admiração por seres humanos que superaram os seus limites e empreenderam conquistas consideradas inimagináveis.

Quero falar aqui da lição de vida que o vice-presidente José Alencar está dando em todos nós.
Não falo aqui do político nem do empresário. Mas sim do ser humano que luta há muitos anos com uma gravíssima doença e que nunca perdeu a esperança.
Nem o bom humor. Li hoje que à saída de mais uma sessão de quimioterapia ele comentou que “estou chateado: continuo jogando as minhas peladas mas não consigo subir no alambrado para comemorar os gols”. Qualquer outro na situação dele, provavelmente, já teria se retirado para uma de suas fazendas a fim de descansar em paz.
Mas não: ele gosta de viver a vida, gosta de realizações, luta enquanto há esperança. Obviamente que ele tem acesso a tratamentos que uma pessoa do extrato médio da sociedade talvez não tivesse; contudo, o que quero ressaltar é esta gana de viver, que independe de ter ou não disponíveis os melhores médicos e remédios.
Por isso, ele é para mim um exemplo: mesmo realizado na vida empresarial e na política, continua com sede de vida, com o sentimento de que muito precisa ser feito e de que pode e deve servir e fazer mais. Muitas vezes, nós perfeitamente saudáveis, com vidas estabilizadas, reclamamos de situações que, comparadas, não são um fio de cabelo.
Nada nos satisfaz, nada está bom, tudo é ruim. Quando pensarmos assim, lembremos de nosso vice presidente; que vive no limite mas não desiste, que vive em situação extrema, dor extrema, luta extrema, suor e sangue derramados em busca de um dia a mais do milagre da vida. Veremos que falamos e pensamos um monte de bobagens.
Como disse no início, não discuto aqui o empresário nem o político. Admiro o homem, sua guerra pela vida e o senso de nunca se abater nem lamuriar de qualquer que seja. Os dias são muito curtos para serem desperdiçados em lamúrias.
Boa sorte, José Alencar. O Ouro de Tolo torce por sua batalha e, neste momento em que o desenlace for inevitável, que saia da vida para entrar na história. Não pela política, não pelo empresário.
Mas pelo exemplo.”