Aquela seleção do Telê Santana perdeu, mas entrou pra história. Era o fim do futebol arte. [N.doE.: a seleção de 82, nitidamente inspirada no Flamengo então campeão mundial de 81, era taticamente inovadora. Foi a maior que vi jogar]
Em 1986 mais velho e entendendo melhor chorei com a derrota para a França. Em 1994, uma das maiores emoções da minha vida foi a conquista da copa. Poucas vezes chorei tanto quanto no momento em que Baggio perdeu o pênalti: era a realização de um sonho. Maravilhoso ver as pessoas mobilizadas por causa das copas, ruas pintadas, vizinhos em volta da TV vendo as partidas, os fogos, a vibração.
E onde está isso tudo agora?
Venho notando que essa situação vem diminuindo. Em 2002 ainda vi, mas em 2006 já foi menos, 2010 menos ainda e agora o Brasil participou de uma Copa América na qual os torcedores estavam mais preocupados com seus clubes que a seleção. Reclamavam que seus clubes perderam jogadores para ela e atrapalhava o horário dos jogos deles
Por que isso acontece? Por que o Brasil jogou uma partida eliminatória e na hora eu saí de casa pra ir ao cinema sem me preocupar? Vários podem ser os fatores.
O primeiro deles: s seleção hoje é internacional. Poucos jogadores atuam no Brasil, fazendo assim com que os torcedores não se habituem aos jogadores. Para piorar o quadro, a seleção mal joga no país.
Mal joga no país porque hoje nós temos uma “Seleção Brasileira S.A.”, onde o mais importante é o lucro da CBF e seu eterno presidente Ricardo Teixeira – que disse recentemente que não liga para a opinião pública nem para os órgãos fiscalizadores porque a CBF é uma entidade privada. Pode ser, mas a seleção é do povo, pelo menos era.
Falta de amor a camisa. Lembro de 2006 com Zidane “abrindo a chapelaria” em cima dos jogadores do Brasil, fazendo e acontecendo e eles ‘nem aí’. No fim da partida, o país chorava a eliminação – enquanto isso, eles trocavam camisas e batiam papo. Os jogadores agora estão todos na Europa, são amigos, ganham milhões e estão mais preocupados com seus clubes. A seleção parece ser um fardo.
E o que dói mais no coração do brasileiro: hoje o Brasil não tem mais o melhor futebol do mundo.
Há algum tempo tem jogadores comuns que não sobressaem em seus clubes – o que faz o adversário perder o medo e o torcedor perder o orgulho e a alegria. [N.do.E.: times na base jogando no 3-5-2 e a preferência pelos mais fortes em detrimento dos mais habilidosos complicam o quadro]
A impressão que passa é que o povo está de saco cheio da seleção que lhe esnoba. Jogo comum do Brasil não mexe em nada: a seleção só chama atenção agora se ganhar copa, ganhar da Argentina ou passae vergonha como domingo passado. Mesmo assim gera piadas, não revolta.
A verdade que é um casamento em crise. Mas ainda dá para resgatar o “todos juntos vamos, pra frente Brasil, salve a seleção”. Mas para isso se faz necessário um processo de reconquista do brasileiro.
E acertar uns pênaltis que faz mal a ninguém…
Orun Ayé!
a seleção brasileira desse ano tem que ter Zé Roberto,Elano,Fred,Andre Santos,Jó,Luis Fabiano,