Concluindo este domingo, mais uma edição da coluna “Orun Ayé”, assinada pelo compositor Aloísio Villar. Hoje ele versa sobre o saudosismo do mundo e sobre a cultura de massa atual.

Confesso que discordo em parte do colunista. Como escrevi há mais de um ano, acho a cultura de massa atual muito ruim. Os motivos para tal não vem ao caso agora, contudo a qualidade do que alcança as grandes mídias está bem abaixo da encontrada em épocas anteriores.

Por outro lado, confesso que sou um saudosista. E um tipo muito particular: tenho saudade de coisas que não vivi, como por exemplo os movimentos políticos e culturais da década de sessenta. Mas paremos de digressões e passemos á coluna.

Saudosistas por natureza

Escrevo essa coluna na madrugada de quarta pra quinta, começando o dia 30 de junho. Pouco tempo atrás acabou no canal Viva o capítulo da novela Vale Tudo que mostrava a morte da personagem Odete Roitman (foto).  

Muita gente nas redes sociais acompanhava e falava de uma novela que passou vinte e três anos atrás com empolgação que se vê algo inédito. Mesma empolgação que foi vista na minissérie Anos Rebeldes, exibida pelo mesmo canal e que teve essa reprise encerrada na última sexta (24/06). O capítulo final com a morte da personagem Heloísa (da atriz Claudia Abreu) até hoje provoca grande comoção.

O Canal Viva é especializado em reprises de programas passados na Rede Globo nos anos 80 e 90 e vem alcançando grande sucesso. E você, caro leitor desta coluna deve perguntar: por quê?

Pelo mesmo motivo que amamos ouvir músicas antigas e relembramos locais que freqüentávamos. O motivo que me fez parar nessa última semana pra ver filmes como “Curtindo a vida adoidado”, “O último americano virgem e “Clube dos Cinco”. Porque o ser humano é saudosista por natureza.

Podem reparar que tudo que vem de nosso passado achamos melhor. As músicas eram melhores, os filmes, novelas, músicas, livros, a cidade, o mundo, o amor, as escolas de samba, a cultura, tudo.

Quando somos novos e ouvimos os mais velhos falando isso achamos graça e desdenhamos deles. Então o tempo passa e descobrimos que também estamos ficando velhos quando passamos a fazer esse discurso. Mas quem está certo? Quem está errado?

Não tem certo, nem errado: existem sentimentos.

Porque o novo que desdenha hoje quando falamos que os anos oitenta eram melhores no futuro vai freqüentar festa retrô com Luan Santana e Restart, que para nossa geração são a porcaria que os mais velhos pensavam de Ultraje a Rigor e Titãs. A vida é assim [N.doE.: nem tanto…].

Se torna assim porque essas músicas, histórias, etc. que foram feitas antigamente e gostamos representam fases de nossas vidas que nos marcaram. Nem sempre aquilo que lembramos com saudade era bom, o filme pode ser uma droga, a música ruim demais… Entretanto nos lembram alguém ou algum momento e por lembrar essa época feliz acaba que nossa memória é benevolente.

A verdade é que as gerações se repetem em seus erros, acertos e na sua forma de lidar com a esperança do futuro e a saudade do passado. Como diria Belchior: “nós somos os mesmos e vivemos como nossos pais”.

Orun Ayé!”

(Nota: o canal Viva, no Rio de Janeiro, é o 36 na grade da Net)