Neste próximo domingo completam-se dez anos daquele que é um dos maiores reveses da história dos Estados Unidos: os atentados terroristas contra o World Trade Center, perpetrados por terroristas ligados à organização Al Qaeda.
Chega a ser curioso nestes tempos de conexão praticamente contínua, mas me recordo que somente soube do atentado à noite, quando cheguei em casa. Trabalhava em uma empresa à época onde não tinha acesso à internet e as ligações telefônicas eram restritas, mesmo no celular particular. De modo que somente quando cheguei em casa e vi a televisão é que soube do ocorrido.
Quatro aviões lançaram-se sobre alvos pré-determinados antes que fosse possível qualquer reação por parte das forças de defesa norte americanas. Um dos aviões, que acabou caindo, tinha como destino a Casa Branca, sede de governo norte americano. Ainda assim foram atingidas as duas torres do edifício nova iorquino, símbolo do capitalismo estadunidense, com a consequente queda das torres.
O mundo ficou estupefacto, porque foi a primeira vez em que os americanos eram atacados em seu próprio território continental. Os terroristas tiveram o cuidado de escolher aeronaves de vôos longos, que tivessem mais combustível e, assim, maior poder detonador.
Entretanto, pelo menos no World Trade Center houve mais mortes devido às falhas de comunicação entre os bombeiros e a polícia de Nova York que propriamente pelo impacto nos prédios ou seu desabamento. Segundo o excelente “102 Minutos” – infelizmente, ao que parece, esgotado – as frequencias de rádio não se comunicavam e vários dos bombeiros mortos estavam descansando dentro de um dos prédios no momento do desabamento.
O livro – que é uma reconstituição minuto a minuto dos fatos – também mostra o desespero das pessoas presas nos andares acima de onde o avião se chocou em uma das torres. Não poderiam descer, e muitas delas sabiam que iriam perecer.
Contudo, não quero aqui fazer um relato do tema ou lamentar as mortes. Isso será feito por 258.582 blogs e por todos os órgãos de imprensa. Quero, sim, colocar alguns pontos importantes.
Em decorrência do ocorrido, os americanos invadiram o Afeganistão, o Iraque (neste caso, claramente um pretexto: os americanos queriam mesmo era o petróleo) e assistiu-se a uma série de barbaridades pouco vistas na história, como a tortura em Guantánamo, as invasões a territórios de outros países e centros de torturas e flagelos em países como o Uzbequistão.
Calcula-se um número de mortos civis de aproximadamente um milhão de afegãos, outro tanto no Iraque e um preconceito arraigado contra muçulmanos e árabes em boa parte do mundo considerado “desenvolvido”.
Cabe uma pergunta: os aproximadamente três mil mortos nos atentados são mais importantes que os dois milhões de civis assassinados pelo imperialismo americano em decorrência do fato? Porque se vê todo mundo lamentando os perecidos nos atentados, mas não vejo ninguém chorando as vítimas do Afeganistão, do Iraque e de outros países.
Obviamente, deve-se condenar o que ocorreu em 11/09. Deve-se lamentar os fatos e punir os envolvidos – não com terrorismo de Estado, como acabou ocorrendo na prática. Contudo, parece claro que foi uma infeliz resposta a dois séculos de invasões, imperialismo e dominação – por mais triste que seja afirmar isso.
Outro corolário da investida de Osama Bin Laden foi reforçar o estado militarista de Israel, aliado incondicional dos Estados Unidos. Não é segredo para ninguém que Gaza e Cisjordânia, hoje, são verdadeiros campos de concentração administrados pelos judeus. A diferença é que as câmaras de gás foram substituídas, de maneira mais perversa, pelo impedimento da entrada de alimentos e remédios em quantidades suficientes – o que mata da mesma forma.
Também assistimos ao crescimento de uma doutrina de “Polícia do mundo” por parte dos norte americanos, com restrição a liberdades individuais, “guetização” de comunidades inteiras e sistematização da “Doutrina John Wayne”: posso matar indiscriminadamente, se assim achar conveniente.
Neste décimo aniversário dos atentados, penso que cabe uma reflexão sobre as consequências e a reavaliação do papel norte americano desde então. O número de inocentes mortos em nome das vítimas do atentado apenas corrobora o que realmente ocorreu: uma expansão imperialista e que provocou danos de muito maior monta a comunidades inocentes.
Concluindo, vale lembrar que 11 de setembro marca o aniversário, também, de um dos golpes de Estado mais sangrentos e carniceiros da história, patrocinado diretamente pelo governo americano e que deixou aproximadamente quarenta mil vítimas fatais. O Presidente Salvador Allende foi deposto por militares com apoio ostensivo do governo americano e da CIA, instalando no poder uma das ditaduras mais cruéis, carniceiras e asssassinas de que temos notícia no hemisfério ocidental.
Dos três mil mortos americanos todo mundo se lembra, mas nenhuma palavra sobre as vítimas de Pinochet, muitas vezes assassinadas a sangue frio com requintes de crueldade ou atiradas ao mar. Pouca gente fala sobre um bravo presidente que preferiu morrer pelo seu país e pela legalidade, acossado por militares apoiados acintosamente pelos mesmos americanos que lamentam a mesma data do calendário.
Para se pensar. E viva Allende!
Escrito por: Pedro Migão em 8 de setembro de 2011.
Quem disse que o imperialismo morreu?
achei q eu era um grito so, depois dessa covardia onde 3 vale mais q 300