Estou para escrever este post já há algum tempo, mas sempre me faltava tempo ou aparecia outro assunto palpitante… Mas os alimentos orgânicos estão novamente na ordem do dia.

Até por questões de orientação religiosa, que neste momento não cabe comentar aqui, sou um entusiasta dos mesmos. Sempre que encontro, a preferência é sempre por este tipo de produtos, não somente legumes e frutas, como frangos, ovos e alimentos industrializados – como sucos, café e, especialmente, açúcar. São alimentos mais saudáveis, que incentivam a agricultura familiar, ou seja, possuem função social, e incomparavelmente mais saborosos.

Ainda são mais caros, porque não há grande escala de produção, mas quanto maior a procura que nós consumidores exercemos, maior será a produção e menor o preço. Vale lembrar que a cada dia aumenta a demanda por este tipo de produto e, por isso, percebe-se ao mesmo tempo um aumento de oferta e diminuição dos preços. Isso é reflexo da maior produção e de incentivos do governo à produção de alimentos sem agrotóxicos.

Acima apresento documentário sobre o uso de agrotóxicos realizado pelo cineasta Silvio Tendler, “O Veneno está na Mesa”. É estarrecedor. O Brasil é um dos maiores consumidores do produto no mundo, atendendo à lógica de que o importante é o custo de produção, não o respeito à saúde.

Ainda temos de enfrentar a questão dos transgênicos, produtos manipulados geneticamente, que dependem de maciças doses de venenos químicos e que não se sabem ainda suas consequências. Pesquisas recentes indicam, ainda, que estes produtos são menos nutritivos e causam riscos maiores à saúde – até porque a planta não se desenvolve se não receber o defensivo agrícola fabricado pela mesma empresa que fornece as sementes.

Lembro ainda que as sementes transgênicas são patenteadas por uma empresa – quase todas pela malsinada Monsanto – e isto gera uma relação de dependência econômica no campo que pode desarticular relações produtivas seculares. As sementes não podem ser separadas da produção anterior – pois são estéreis – e isto coloca a agricultura nas mãos de um oligopólio de poucas empresas. Escrevi post anterior sobre o tema, que pode ser lido aqui.

Queria chamar a atenção para dois produtos em especial: os frangos e o açúcar.

O frango comum, que se compra no mercado, possui aproximadamente um terço de seu peso formado por hormônios de crescimento (basicamente estrogênio e progesterona) e antibióticos. Já há pesquisas correlacionando o aumento do consumo destas aves à cada vez mais precoce menstruação em pré-adolescentes. Além disso, o frango caipira eque em média fica pronto para abate em noventa dias, nestes frangos “anabolizados” está em, pasmem, dezenove dias o tempo de abate.

A empresa Korin é a principal produtora de frangos e ovos livres de indutores de crescimento e de antibióticos brasileira, com produtos encontrados com certa facilidade nos principais centros. Mas há outras empresas seguindo o memso caminho e apresentando boas opções.

Quanto ao açúcar refinado, ele leva de tudo em sua composição, até porque o açúcar não é branco por natureza. Para alcançar tal coloração é utilizado ácido clorídrico, farinha de ossos e outros ingredientes, nem um pouco saudáveis. Hoje a oferta deste produto já é bem maior: marcas como a Native e mesmo a União oferecem produtos orgânicos certificados e de consumo seguro.

Legumes, verduras e frutas – estas um pouco menos – já possuem diversas opções, novamente lideradas pela Korin mas com diversas marcas de produtos certificados. Todo produto orgânico tem de ser certificado por uma das empresas existentes e reconhecidas para tal fim, tais como a ABIO, a CMO e o IBD. Mas existem outras – são dezessete entidades. Este selo nas embalagens do produto garante a sua procedência e a consequente qualidade.

Hoje já se pode adquirir uma vasta gama destes produtos, em diversos pontos de venda. A comercialização deste tipo de alimento está deixando de ser um gueto para iniciados e torna-se cada vez mais ampla. E isto é fundamental tendo em vista os notórios prejuízos à saúde causados pelos alimentos que visam unica e exclusivamente o lucro.

Há outras duas grandes vantagens no consumo de alimentos orgânicos: possuem um sabor diferenciado, visivelmente mais agradável ao paladar; e respeitam o meio ambiente. Ecologia na prática, saindo do discurso bonito e na maioria das vezes hipócrita – se dizer “ambientalista” sem abrir mão de custo ou de conforto é muito fácil.

Vamos fazer algo prático pela saúde e pela ecologia ?

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