
Como os leitores que me acompanham no Twitter sabem, no início desta semana passei dois dias novamente em Curitiba a trabalho. Divido aqui com os leitores algumas experiências de minhas andanças cervejeiras na cidade, bem como pequenas notinhas.
Apesar de morar quase ao lado do Galeão, meu vôo desta vez foi colocado para o Santos Dumont. Aeroporto bastante cheio, com muita gente retornando do Rock In Rio. Um ponto que me chamou a atenção foi o grande número de casais lésbicos aguardando seus vôos de retorno – minha aeronave, mesmo, veio com vários. Outra coisa foi a total falta de estrutura da única lanchonete: R$ 30 por dois mistos quentes e uma cerveja de 600 ml – quente. Monopólio é isso aí, leitor.
Cheguei a Curitiba por volta das dezesseis horas, após uma hora nas sucatas voadoras da Webjet e (muitos) reais a menos no caríssimo táxi de traslado. O aeroporto Afonso Pena encontra-se em obras e com isso fica fechado das oito da noite de sábado até pouco depois do meio dia de domingo. Ou seja, vim na primeira aeronave disponível no trajeto do Rio a Curitiba.
Sozinho na cidade, na semana anterior estive à procura de um bar que tivesse uma carta boa de cervejas e, se possível, também ver o jogo do Flamengo contra o São Paulo, disponível apenas no pay per view para a cidade. Com a intermediação do pessoal da Bodebrown, cervejaria local (e cujo um de seus exemplares será tema da “Prosit” proximamente), estabeleci contato com o Pedro Jr., sommelier de cervejas dos bares Sheridan´s (pub estilo irlandês) e “Taco del Pancho”, mexicano. Ambos ficam no Batel, bairro nobre da cidade.

Combinei a logística com meu xará (comigo acima na foto e a quem agradeço penhoradamente) e combinamos de ir ao Taco, haja visto que o Sheridan´s também estaria fechado. Aliás, é uma característica curiosa da cidade: vários de seus principais bares não abrem no domingo, inclusive o “Clube do Malte” que é minha referência na cidade em termos de cultura cervejeira.
Taco del Pancho
Apesar de detestar comida mexicana, o local é bem agradável. Vi a vitória rubro negra (cercado de vários são paulinos), almocei um filé bastante honesto e passei a concentrar-me nas brejas da casa. O Taco tem uma carta de cerca de sessenta rótulos, bastante enxuta, mas com algumas preciosidades que jamais havia visto ou degustado. Vamos a elas, com um breve comentário:
1 – Junka Beer Double Vienna Lager: esta cervejaria artesanal de Curitiba faz uma cerveja do estilo Vienna Lager com lúpulo bastante prenunciado. Este traz notas de frutas bastante interessantes, em especial de maracujá.
2 – Sptifire Premium Kentish Ale: fabricada pela Shepeard Neame, cervejaria mais antiga do Reino Unido (1698), é uma bitter ale deliciosa. Trouxe uma garrafa para o Rio, a fim de analisá-la mais detidamente na coluna “Prosit”. Breve aqui mesmo neste espaço.
3 – Old Empire: fabricada pela Marston´s, maior cervejaria independente inglesa, é uma India Pale Ale (IPA) bastante lupulada, como indica a sua classificação. Entretanto, não é tão amarga.
5 – Meantime India Pale Ale: outra IPA, em uma garrafa elegantíssima de 750 ml. Sabor bastante pronunciado e notas de frutas, em especial maracujá, trazidas pelo lúpulo. Deliciosa.
Mas minha odisséia cervejeira não estava completa. Era apenas o fim do primeiro tempo de jogo.
Já havia me referido a este bar, que também fica no Batel, no texto sobre a cidade que escrevi para a série sobre as sedes da Copa de 2014. Desta vez pude com calma apreciar o lugar e sorver-me de algumas preciosidades que não conhecia. São aproximadamente 180 rótulos, que é uma carta menor que bares como o Brejas e o próprio Delirium Tremens, mas com alguns exemplares que jamais vi aqui no Rio.
Cheguei cedo, por volta das dezenove horas, e com o bar vazio a sommelier Mariana Lima – na foto comigo e outro atendente – pôde me dar atenção e trocar comigo algumas impressões sobre a cultura cervejeira em geral e as brejas da casa. Sem dúvida alguma, conversa onde aprendi bastante.
A casa tem uma série de chopes artesanais locais. Desta vez havia a marca Gauden, e foi por ele que comecei.
1 – Chope Gauden Belgian: estilo “Belgian Ale”, escuro e leve. Mais tarde experimentei o pale ale da marca, mas esqueci de fotografar.
2 – Blanche de Namur: belga, ganhadora do “World Beer Awards” de 2009, é uma “witbier”, cerveja de trigo refrescante com a adição de casca de laranja ou coentro. A cerveja poderia estar um pouco mais gelada, mas é bem leve e incrivelmente refrescante.
3 – Waterloo: também belga, da mesma fabricante da cerveja anterior (a belga Du Bocq), estilo Belgian Strong Dark Ale. Não a conhecia. Boa cerveja mas inferior a trapistas do mesmo estilo como a Chimay.
4 – Brooklyn Black Chocolat Stout: esta stout americana, que não conhecia – apesar de já ter experimentado outros tipos desta marca nova iorquina – revelou-se sensacional. Feita com malte torrado, não tem quase carbonatação e tem aroma e sabores sensacionais de café e chocolate, embora estes venham apenas do malte. Uma bela surpresa, tanto que trouxe uma garrafa para ser alvo da “Prosit” em breve. Leitor, se a achar, prove.

O Clube do Malte tem um diferencial: além do bar há uma mini loja onde se podem levar bebidas para se consumir em casa. Além da já citada stout, trouxe latas de cerveja inglesa, um latão de Carlsberg fabricado na Turquia, um exemplar da Leffe não encontrado em grandes supermercados e uma cerveja que já vinha procurando há muito tempo para experimentar: uma Gueuze, legítima lambic (fermentação espontânea) belga. Não trouxe mais por causa das limitações de espaço – e ainda tive um problema sério pra despachar no vôo da TAM.
Sem dúvida alguma, foram duas noites agradáveis, onde aprendi bastante sobre a bebida e pude degustar exemplares que não havia tido oportunidade. O Pedro e a Mariana foram bastante atenciosos e os dois bares são bastante agradáveis. Recomendo a visita.
E com direito a uma excelente dobradinha – que adoro – no Clube do Malte (abaixo)…
Escrito por: Pedro Migão em 6 de outubro de 2011.