O leitor que acompanhou o recente post sobre o ensaio sabe que a Portela estava ensaiando na rua devido ao fato de sua quadra estar em obras. Mas no último sábado a Águia voltou ao seu lar.
A feijoada mensal da Velha Guarda marcou a reinauguração da quadra da escola, reformada inteiramente pela Prefeitura do Rio de Janeiro a um custo de aproximadamente R$ 5 milhões – com a contrapartida de utilizar o espaço para projetos sociais. Particularmente pode-se questionar a validade da reforma ter sido custeada pelo Poder Público, mas, se foi assim, que seja utilizada de forma a atender a comunidade do entorno.
Não ia à feijoada da Portela há uns três ou quatro anos – e assim mesmo naquela ocasião foi uma “visita de médico”, onde fiquei pouquíssimo tempo. Desta vez foi uma festa apenas para convidados, organizada pela Prefeitura, e que marcou a comemoração dos 40 anos da Velha Guarda Show portelense.
A reforma foi conduzida de forma a manter as características originais da quadra, apenas modernizando-a. As salas onde ficarão a administração da escola e os projetos sociais (acima) ganharam um aspecto de “Rio Antigo”, com varandinhas.
O espaço coberto recebeu camarotes e a bateria ficará no mesmo palco que os cantores. Manteve-se a estrutura básica original, embora ao que pareça – quero voltar posteriormente para confirmar esta impressão – a questão da acústica, embora melhor, continue mal resolvida.
O projeto tem o grande mérito de não ter descaracterizado a quadra, mantendo-a como uma das mais arejadas do Rio de Janeiro.
Também a inscrição que homenageia a Velha Guarda, que havia sido retirada das paredes, voltou em grande estilo, como o leitor poderá ver abaixo. Fiquei feliz com isso.
Tive direito a um convite por ser sócio da escola, em dia, e cheguei cedo para poder circular pela quadra com calma e tirar algumas fotos. Os shows se iniciaram por volta das 14 horas, com Marquinhos de Oswaldo Cruz, a cantora Dorina, o grande Noca da Portela – com quem tive a honra de tirar uma foto, no final deste post – e outras atrações.
Fez-se uma pausa onde o Prefeito Eduardo Paes foi homenageado pela escola e pela bateria e se procedeu à inauguração oficial. O Prefeito fez um discurso emocionado, ressaltando sua condição de portelense e cobrando publicamente o Presidente Nilo Figueiredo para continuar a investir no carnaval.
Ele afirmou que “o portelense quer ser campeão” e que isso depende de investimento. Minha impressão é de que ele está bem atento ao que ocorre na escola e ao quadro político do desfile como um todo.
Infelizmente as fotos que fiz do palco, com as presenças do prefeito, do vice governador, do presidente Nilo Figueiredo e de outras figuras proeminentes não ficaram boas, mas foi um momento onde se percebeu que o portelense está bastante motivado.
Também houve a inauguração de espaço dedicado ao grande compositor Manacéa (acima), uma das figuras mais importantes da história da Portela.
A Velha Guarda Show se apresentou imediatamente após as solenidades oficiais, dando continuidade à festa.
Sobre a feijoada em si, embora a quadra não estivesse lotada por ser uma festa restrita a convidados – diria que uns 60% dela estivessem ocupados – a logística para servir a mesma decididamente não funcionou. Eram apenas dois pontos para as pessoas se servirem, o que obviamente gerou uma fila imensa para quem não estava nos camarotes.
Além disso não haviam outras opções de alimentação à venda, o que deixou as pessoas sem opção caso optassem por não comer a feijoada – a fila era de mais de uma hora. Eu mesmo acabei indo embora bem antes do final por causa disso – a fome era insuportável e o calor, ainda que minorado pelas características do espaço, idem – apesar da bebida estar bem gelada.
Ainda assim tive oportunidade de bater um rápido papo com a cantora Eliane Faria, filha do grande Paulinho da Viola (acima), que deixou escapar que a presença do ícone portelense no desfile ainda não está totalmente confirmada.
Não fiquei para ver a segunda apresentação da bateria com o samba – devo ter ido embora por volta das 17:30, cerca de duas horas antes do término – mas uma festa bonita, com pequenos senões absolutamente normais em um evento deste porte.
Outrossim, é sempre bom voltarmos à nossa casa, ainda mais quando está bonita e muito bem resolvida como ficou. O astral do portelense está ótimo e agora é aguardar a finalização do barracão e das fantasias, pois nos demais quesitos a escola, ao que parece, virá muito forte.
Lar, doce lar…
O gelo acabou antes da hora e ficou muita cerveja sendo consumida na temperatura ambiente. Definitivamente o bar e a distribuição da feijoada não funcionaram. O restante foi maravilhoso. Bom estar de novo em casa. Estava com saudades.