(Foto: Globoesporte.com)
Poderia escrever 20 mil toques sobre os lamentáveis acontecimentos da semana passada do Clube de Regatas Flamengo, onde sua diretoria deu um show de calhordice e mostrou que é extremamente hábil em separar o joio do trigo – e ficar com o joio.
Entretanto, reproduzo post que escrevi em 2009 (!) sobre um dos personagens desta história, que mais uma vez repete o mesmo comportamento. Apesar de parecer datado, o leitor saberá entender a mensagem que quero passar.
Joel Santana e a diretoria do Flamengo se merecem. Esta é a verdade.
Vamos ao texto, publicado originalmente em 24 de Outubro de 2009. Não fiz qualquer alteração, a não ser corrigir um erro de português do texto original.
Ética, Moeda de Duas Faces
Ontem tivemos dois bons exemplos de ética – e de falta de.
Começo pelo bom exemplo, o do gari de Divinópolis (Minas Gerais) que foi ao caixa eletrônico sacar R$2 e recebeu R$ 5 mil como resposta.
Carlos Corgozinho poderia perfeitamente ter ficado com o dinheiro, mas fez questão de devolver ao banco o dinheiro que não era dele. O mais incrível é que o banco não deu pela falta do dinheiro, nem houve registro pelas câmeras de segurança.
O humilde gari precisou de duas tentativas para conseguir devolver o valor sacado a mais no caixa eletrônico.
Um bom exemplo.
Por outro lado, não posso deixar de registrar o lamentável incidente envolvendo o grande especialista na língua de Shakespeare e ex-técnico da seleção da África do Sul, Joel Santana.
Repetindo o que fez em 2007 no Flamengo, o treineiro em questão desandou a dar entrevistas ontem oferecendo-se despudoradamente para o lugar de Cuca, atual técnico do Fluminense. Sem respeitar o colega ocupante do cargo, valeu-se uma vez mais de seus contatos na imprensa carioca para almejar o lugar ocupado pelo colega de profissão. Adicionalmente, como que por encanto a torcida tricolor começou a gritar o nome do cidadão, do nada. Do nada ?
Relembro aos meus 25 leitores que em 2007, quando o clube rubro-negro vivia uma crise temporária, ele se utilizou da mesma tática para ocupar o lugar do então técnico Ney Franco. Versões indicam que ele também teria pago a elementos de torcidas organizadas para estamparem uma faixa pedindo a saída do treinador ocupante do cargo então. Com sucesso, como a história registra.
Dois anos depois, repete o mesmo estratagema anti-ético. Lamentável.
Aproveito o tema para lembrar aos amigos que ética não se cobra. Ética se pratica.
Não adianta nada cobramos moralidade dos políticos, por exemplo, e termos “gatonet” em nossas casas. Implorar por melhores relações de trabalho e não hesitar em prejudicar um colega.
Também de nada vale cobrar ação contra os bandidos e não devolver o que não é seu. Bandido não é só quem empunha uma arma e sai assaltando, é também quem vê 50 centavos no chão e não devolve ao dono que correu para pegar.
O conceito de ética que vemos hoje na sociedade é para lá de conveniente. Cobramos ética quando nos beneficiamos disso. Se somos nós a fazer algo errado, “ah, é coisa menor”. Ser ético é ser todo momento, e ponto final.
Quem furta energia, adquire “gatonet”, sonega impostos, pisa no pescoço de quem quer que seja ou engana o seu próximo não tem moral para pedir ética e moralidade a ninguém. Muito menos dos políticos.
Até porque aqueles que estão em Brasília são reflexo da sociedade, ou seja, de nós. Se em média eles são picaretas e desonestos é porque nós também o somos. Não adianta reclamar deles.