A casa de espetáculos na realidade é o ginásio utilizado pelo basquete nos Jogos Pan Americanos de 2007 e que foi arrendado pela Prefeitura do Rio a um grupo especializado na gestão de arenas esportivas e musicais. A casa ainda recebe eventos de esporte (o Flamengo mandava suas partidas da equipe de basquete até o ano passado no local, por exemplo), mas o forte hoje é a linha de shows.
Não conhecia o local, mas algumas soluções arquitetônicas utilizadas em sua parte interna são bastante semelhantes ao Engenhão – que foi construído na mesma época. Rampas internas, revestimentos e mesmo a configuração dos sanitários é bastante semelhante ao do Estádio João Havelange, obviamente que em escala menor.
Como somente soube do show uma semana antes, acabei optando por um lugar no nível da pista, nas chamadas “cadeiras premier”. Elas dão uma boa visão do palco, mas são um tanto quanto desconfortáveis – não passam destas cadeiras típicas de escritório com uma capa no encosto. Para o preço dos ingressos que foram cobrados neste setor, nada, nada baratos, os espectadores mereciam algo um pouco mais confortável. Por outro lado, a visão do palco era muito boa.
Cheguei cerca de uma hora e meia antes do show e tive tempo de fazer um lanche em uma espécie de pizzaria fast food que existe no acesso ao setor – não me recordo o nome e no site da casa de espetáculos também não tem. É um sistema até interessante: a pizza fica pré-pronta e apenas esquentada na hora, sendo até bem saborosa, com a massa crocante. A cerveja não era barata (R$6 a latinha), mas pelo menos era Heineken.
Joe Cocker é um artista com grande estrada e mais de 40 anos de carreira: foi em Woodstock que se revelou ao grande público com a versão de “With a Little Help from My Friends”, dos Beatles. Sua voz gutural e o fato de sempre ter flertado com o blues o tornam um intérprete único.
Nesta turnê sul-americana Cocker optou por um show calcado unicamente em seus maiores sucessos, o que a meu ver se revelou uma opção bastante acertada. É um espetáculo sem baixos e que a cada minuto entrete e emociona.
O show começou com meia hora exata de atraso, para uma lotação que estimaria entre 80% a 90% dos cerca de 9 mil lugares disponíveis. Apesar do som um tanto quanto mais alto que o recomendável, Cocker ainda está em ótima forma mesmo aos 67 anos – aliás, fisicamente o cantor está muito parecido com o recente visual “sem barba e cabelo” do ex-Presidente Lula. A banda era formada por cerca de dez músicos, onde se destacava a bela guitarrista, que fazia misérias com o instrumento. Como sempre fez em sua carreira – tenho um DVD de 1987 igualzinho – Cocker opta por vozes femininas e negras no “backing vocal” a fim de acentuar o caráter soul do espetáculo.
O engraçado é que a todo momento o cantor se servia de água mineral contida em um balde de gelo no meio do palco. Ainda assim a energia dele é considerável para um senhor de 67 anos: a voz está em plena forma e meus joelhos e minha coluna tinham calafrios a cada salto que ele dava no final das canções. O espetáculo, de uma hora e meia enxuta de duração, tem três “bis”, mas claramente programados.
Sem dúvida alguma passei uma noite bastante agradável, ainda mais depois de uma sequência de dias particularmente bastante complicados. Valeu muito a pena.
A se lamentar apenas o comportamento de taxistas na saída da casa de espetáculos, querendo fazer corridas fora do taxímetro. Foi difícil conseguir um carro que me fizesse o transporte de acordo com o marcado no relógio. Aliás, é um ponto que os responsáveis pela “Lei Seca” deveriam avaliar: beber e dirigir não pode, mas deveria haver um sistema de transporte decente. Para o leitor ter uma idéia a corrida de ida e volta da Ilha ao HSBC Arena (que fica entre Jacarepaguá e a Barra da Tijuca) deu incríveis R$ 175. Não tem como sair de casa assim toda semana.
Abaixo o leitor pode ver alguns “bootlegs” do show, que bem poderia se transformar em um cd ao vivo. Isto é, ver os vídeos se a Sony Music, tão ciente de seus “direitos” (isto é um tiro no pé, mas deixo isso para depois) não retirar os vídeos do Youtube quando este post for ao ar… O primeiro foi gravado por mim e os demais por outros espectadores.
Divirta-se – se a indústria fonográfica deixar!
With a Little Help From My Friend
You Can Leave Your Hat On / Unchain My Heart
Come Together
Cry Me a River
Long as I Can See the Light