Como os leitores estão cansados de saber, na semana passada gravei o programa “Loucos por Futebol”, da Espn Brasil. Como prometido – e como fiz no post sobre a visita que fiz ao SporTv – irei contar um pouco do que ocorre por trás das câmeras.
Na segunda feira retrasada, dia 07, ao abrir meu e-mail pessoal fui surpreendido com um e-mail da produtora Camila Peixoto me convidando para participar do programa, que teria como tema principal o centenário do futebol do Flamengo, que se completa em 2012. Meio ressabiado (confesso) respondi e aí soube como funcionaria: ficaria na mesa junto com os participantes fixos, para isso tendo de ir a São Paulo, onde ficam os estúdios.
Consegui a necessária liberação no trabalho – e como já fiz no programa, agradeço ao pessoal da Petrobras – e a produção do programa me mandou as passagens para ir e voltar, bem como me disponibilizou um motorista para me buscar no aeroporto e me levar para o retorno posteriormente. A gravação do programa foi na quinta feira, dia 10.
Antes da gravação trocamos alguns e-mails para que eu pudesse entender não somente a dinâmica do programa como o que falaria. Destas trocas de e-mails surgiram ideias como falar da história do urubu e a coincidência do programa ir ao ar na véspera do Dia das Mães e na data exata do aniversário da minha.
O leitor deve ter se perguntado como chegaram ao meu nome, certo?
Foi através de um post deste Ouro de Tolo republicado no prestigiado blog do jornalista Luis Nassif (acredito que tenha sido o referente à nacionaliação da petroleira argentina YPF) que levou o editor Augusto Alves a este blog e a partir daí houve o convite.
A pedido da produção selecionei algumas camisas e materiais do meu acervo e coloquei em uma mochila. Havia a preocupação de minha parte em não despachar bagagem porque estava com os horários bastante apertados – precisava retornar ao Rio ainda na quinta – e não poderia me dar ao luxo de chegar uma hora antes nos aeroportos.
Sobre aeroportos, uma nota: eu jamais havia descido em Congonhas, porque normalmente quando vou a São Paulo embarco e desembarco por Guarulhos. Leitor: pousar de dia em Congonhas é um verdadeiro filme de terror. Você vê os prédios passando pertinho da janela e não há a menor margem de manobra – e a pista é muito curta.
O curioso é que acabei passando por quatro aeroportos neste dia, pois fui do Santos Dumont para Congonhas e retornei de Guarulhos (que está parecendo uma rodoviária, a propósito) para o Galeão.
Ao desembarcar o motorista Miguel já me aguardava para o trajeto até a sede da Espn, que fica no bairro do Sumaré. Ótimo papo, o motorista me contou algumas histórias de visitas ilustres (o que não era meu caso, claro) que ele havia transportado.
Cheguei por volta de 13:45 na redação, que ocupa o prédio utilizado anteriormente pela antiga Tv Tupi. A gravação estava programada para as 15 horas, e contaria com o apresentador Marcelo Duarte e os jornalistas Celso Unzelte (os dois comigo na foto acima) e o mítico Paulo Vinícius Coelho (abaixo), mais conhecido pelas iniciais de seu nome: PVC.
A redação – que pode ser vista nas duas primeiras fotos – tem tamanho equivalente a do SporTv que havia visitado anteriormente, com um número de jornalistas parecido. Fiquei com a impressão de que o clima era mais informal e menos, digamos, “controlado”. Se fosse comparar diria que o SporTv é mais “futebol alemão” e a Espn “futebol brasileiro”. Estilos diferentes – não significa que um seja melhor que o outro.
Desde o início havia a preocupação de me deixar à vontade. Toda a equipe me tratou com bastante deferência (mais até que eu merecesse) e mostrando que eu não estava ali em sensação de inferioridade: era um deles. Logicamente eu era um convidado do canal, e isso pesa. Duarte brincou muito comigo por conta do post que escrevi aqui sobre o Reading, da Inglaterra.
Conversamos um pouco, acertamos alguns detalhes e fomos a uma sala onde é feita uma pequena maquiagem e havia um lanche à minha espera antes da gravação – que optei por deixar para depois. A profissional passa um produto no rosto para diminuir o brilho e, depois, uma espécie de creme para fazer desaparecer olheiras e rugas de expressão. Leitores, eu duvidava da eficácia deste tipo de produto, mas realmente funciona: como podem ver nas fotos, me remoçou uns dez anos.
Eu havia levado duas camisas do Flamengo para utilizar na gravação: uma rubro negra e outra azul (esta de goleiro), ambas do modelo atual. Os editores me deixaram à vontade para utilizar a que eu quisesse, mas houve uma ponderação de que, com o cenário com vários elementos rubro-negros, utilizar a de goleiro destacaria mais – o que determinou a minha opção. Olhando as imagens depois acho que acertei.
Fomos para o cenário, que é um estúdio razoavelmente grande e com menos utilização de recursos tecnológicos, em especial de efeitos de luz e câmeras. O processo é mais artesanal, no sentido que que a parte técnica depende mais do manejo humano. O cenário também é composto por livros, bonequinhos, murais de fotos, algumas quinquilharias e a geladeira onde se guardou a “Farofa Boiadeiro” (que, a propósito, está na minha despensa) e onde PVC mostrou o time de botão com o São Paulo de 1957. A propósito, ela não gela, embora existissem dentro dela latinhas (creio que de cerveja, mas não garanto) temáticas do Grêmio e do Inter de Porto Alegre como decoração.
Aproveitei todo o tempo que pude para conversar, ouvir e aprender – inclusive com algumas dicas bastante valiosas do PVC sobre o balanço do Palmeiras e que servem como alertas para a análise do balanço rubro negro.
Antes do início da gravação há uma série de ajustes e há meio que um “esquenta”, com alguns testes e conversas em parte gravadas – e que por si só dariam um outro programa. O “Loucos por Futebol” é mais descontraído que outros de esportes, mas é (quase) tudo combinado: minhas intervenções já estavam acertadas antes mesmo da gravação, obviamente não as palavras mas os assuntos que eu iria abordar e os momentos.
Isso se faz necessário porque é um programa de tempo cronometrado (54 minutos, incluídas as matérias) e pela característica dos assuntos se estenderem demais, as intervenções isto acaba gerando um trabalho muito grande na edição. Na prática, a únicas improvisações que fiz foram a referência ao Estadual do Rio de 2002, o comentário sobre a Alemanha e a resposta sobre como conseguia as camisas que mostrei no programa. Até o agradecimento à Petrobras e as brincadeiras com o meu sobrenome estavam previamente acertadas.
A gravação começou por volta de 15:20 e eu estava bastante tenso, especialmente no primeiro bloco. Nunca havia aparecido na televisão antes e também estava procupado em olhar para a câmera certa, embora vendo depois percebi que bastava olhar para quem estava com a palavra quando não estava falando.
No intervalo para o segundo bloco o Unzelte disse que eu estava indo bem e a partir daí dei uma relaxada para os blocos restantes.
Os intervalos são um show à parte. Os VTs das matérias são mostrados para a gente, e vamos conversando enquanto isso, com brincadeiras e trocas de informações. Tanto que a informação sobre o local onde o João Máximo havia gravado a crônica sobre Dino Sani foi dada por mim ao apresentador Marcelo Duarte enquanto o mesmo era transmitido na gravação.
Vale mencionar que PVC e Unzelte passaram bom tempo debatendo se o jogador Sarará era o segundo ou o terceiro reserva do São Paulo de 1957 abordado no programa. Isso foi resolvido com uma consulta ao Google feita em seu celular por Unzelte no intervalo.
Aliás, os caras são verdadeiras enciclopédias. PVC é uma espécie de “Google” futebolístico: se perguntar a escalação do Flamengo de 1928 ele sabe de cabeça. Fera.
Engraçadíssimo foi o momento em que Unzelte canta os hinos dos times aniversariantes. A gente ria horrores enquanto os hinos eram literalmente “executados” pelo jornalista. Obviamente, a letra dos hinos estava na bancada, ou seja, ele lia. A infame sigla do Esporte Clube Uruguaiana (ECU) também foi alvo de muitas gargalhadas nos bastidores. O clima é informal e descontraído o tempo todo.
Em um dos intervalos eu troquei camisas que estavam no varal com outras que estavam na bancada a meu lado a fim de poder mostrá-las. Também bebi água e trocamos idéias sobre o que seria feito no bloco seguinte, além de falar de assuntos como a Seleção brasileira, por exemplo.
Ao final ainda gravamos a vinheta que apareceria como “chamada” do programa, mas esta tive de repetir a pedido da editora. Pelo que percebi na edição do programa foi tudo praticamente na íntegra – no meu caso, apenas uma titubeada que dei quando falo do livro da Charanga Rubro Negra foi cortada. Duarte teve de repetir a escalada inicial devido a um equívoco bobo: ele falou “Clube de Regatas Flamengo” quando o correto é “Clube de Regatas do Flamengo” – mas aí se vê o cuidado da produção.
Achei que tinha sido apenas razoável a minha participação, apesar dos comentários em contrário dos jornalistas e da equipe. Na verdade a gente não tem muita noção na hora, ainda mais quando se é a primeira vez em que se aparece na frente das câmeras. Olhando depois e com o feedback de quem assistiu achei muito bom.
Lanchamos após a gravação e ainda conversei mais um pouco com a equipe, deixando acertadas entrevistas para este Ouro de Tolo com PVC e com Marcelo Duarte. Na verdade poderia até ter ficado um pouco mais, mas estava com o horário bastante apertado – meu vôo era era às 19:45 em Guarulhos. Mas até que o trânsito, embora pesado, estava razoável, e cheguei a Cumbica ainda a tempo de beber um chope antes do embarque – que foi complicado: tivemos de entrar no ônibus e depois esperar dentro do avião quase 25 minutos para a autorização da decolagem.
Posso dizer que fiquei muito feliz com o convite e gostei do resultado. Cada vez mais vejo que minha vocação era o jornalismo, mas agora “Inês é morta”… No momento em que escrevo o vídeo do programa ainda não estava disponível no Youtube.
Termino agradecendo ao editores Augusto Alves e Karen Barbosa e especialmente à produtora Camila Peixoto, pela oportunidade e pelo apoio.
Espero ter outras oportunidades de poder estar na tv, pois confesso que gostei bastante da experiência. Já havia em duas ocasiões dado entrevistas a rádios e jornais, mas à frente das câmeras jamais.
Mas valeu demais.
(Da esquerda para a direita: Augusto (que é Flamengo), eu, Camila e Karen)
Infelizmente não pude ver o programa pela TV mas estou esperando o vídeo no youtube para conferir. Eu como telespectador assíduo da ESPN Brasil, inclusive do “Loucos por futebol”, admirador do PVC, e também leitor há um bom tempo do Blog do Pedro Migão, achei muito legal essa participação. Parabéns Pedro Migão, convite mais que merecido.
E vai aqui uma dica (ou melhor um pedido). Já que vai conseguir participações do pessoal da ESPN, que tal tentar também uma entrevista com o Lúcio de Castro. Acho que tem tudo a ver com o “Ouro de Tolo”. Abraço
moro no bairro do Ipiranga são Paulo sp tenho um livro do santos futebol clube (álbum de ouro) não tenho a data do lançamento mais acredito ser do final do anos cinquenta gostaria que a produção entre em contanto para ser mostrado no programa. meu tel residencial e 11 (2272 50 11) ou por email boa tarde a todos aguardo contato obrigado pela atenção marcos
Migão,
Será que você consegue o programa com a ESPN Brasil para disponibilizar aqui?
Acabei não conseguindo gravar à época e, do nada, vim parar neste link há pouco. Fucei no YouTube e não encontrei nenhum bloco…
Eles me mandaram um DVD, mas veio com defeito, infelizmente