Uma tradição dos aniversários deste blog é a presença de um artigo escrito por um convidado, que seja uma pessoa influente em seu ramo de atuação e com quem eu tenha relações de amizade.
Continuando a tradição, este ano o artigo é assinado pelo meu amigo e jornalista Aydano André Motta (foto), Editor da prestigiosa coluna do “Ancelmo Góes” do jornal O Globo e também um dos responsáveis pela cobertura de carnaval. Aydano já foi entrevistado pela coluna “Jogo Misto”, ano passado.
Ao contrário dos também jornalistas Marco Aurélio Mello e Milly Lacombe, convidados respectivamente do primeiro e do segundo aniversários, Aydano optou por um texto sobre o próprio blog, com palavras que muito me honram.
Vamos ao texto do jornalista, com os agradecimentos do blog.
Os Loucos Adoráveis da Rede
A internet chegou para (entre vários outros predicados) tornar a comunicação mais democrática, acessível, plural. Estão encerrados os dias de domínio absolutista dos donos da mídia tradicional: um grupo seleto de semideuses que, por décadas, forjou governantes, impôs tendências, determinou caminhos e, sobretudo, pulverizou todos os adversários que lhe apareceram pelo caminho. 
Graças à evolução tecnológica, o jogo mudou. Hoje, qualquer vivente com acesso a um computador e a uma conexão tem direito a opinar, protestar, ponderar, contestar, promover, propor – falar, enfim. Agora, quem sua a camisa correndo atrás da modernidade são os mamutes, que cada vez têm mais companhia na batalha da informação.
No bojo da era digital revelaram-se artistas preciosos como Marcelo Adnet; disseminaram-se bobagens deliciosas como a dupla do “Para nossa alegria”; surgiram celebridades involuntárias como Luiza, a que estava no Canadá; apareceram e sumiram incontáveis talentos que, com a câmera do celular ou o teclado do computador, desfilaram sua arte ou, simplesmente, deram vazão ao desejo absolutamente humano de ter voz. São eles, todos, os fiadores da democracia na informação que, afinal, chega na marra ao Brasil.
E tem os malucos.
Loucos adoráveis, que se entregam diletantes à batalha pelo bem informar, para eles algo com valor de cruzada. Ganham a vida em outras atividades, mas se desdobram em tempo e força para manter seus espaços ativos e alimentados, com opinião e atitude, convicção e capricho, numa profissão de fé comovente, por voluntária.
Entre os doidos, escala-se este Ouro de Tolo. Insulano, economista, portelense e rubro-negro (não necessariamente nessa ordem), Pedro Migão sustenta este blog com cara de revista, oferecendo um cardápio de assuntos pronto a ser degustado por leitores de bom gosto.
Gato mestre de cerveja, criticamente zeloso com a Petrobras (orgulho brasileiro que lhe garante o sustento), assumidamente paranóico com juízes e jurados na disputa de bola e samba, Migão consegue a façanha de fazer do seu sítio na rede um porto seguro e agradável, que apruma qualquer navegação.
Destrinchar o balanço patrimonial do Flamengo, numa trabalhosa e comovente jornada movida a paixão; analisar com profundidade os enredos das escolas de samba cariocas; fiscalizar, como o sentinela mais diligente, as muitas barbeiragens da nossa imprensa. Nada escapa ao editor deste ouro virtual que nada tem de tolo. Podia ter um pouco mais de boa vontade com a Beija-Flor, a escola do signatário. Mas é pedir demais.
Como se diz na linguagem digital, #fato: os três anos de atividade do blog que promete ir “sempre em busca do inusual” são um presente aos leitores. 
Vida longa!