Como tinha dito ao leitor, na última semana estive em Porto Alegre a trabalho. E pude conhecer um pouco da fantástica cultura cervejeira gaúcha, com mais calma.

A diversidade de espaços onde se cultua a boa cerveja é inacreditável. Fiquei cinco noites na cidade, fui a cinco espaços diferentes e se tivesse quinze dias não precisaria repetir o bar. O Rio Grande do Sul vive uma efervescência cervejeira admirável, e isso se reflete não somente nas fábricas – como escrevi anteriormente – mas também nos espaços de consumo.

Domingo – Toca da Coruja

Iniciei o périplo pelo domingo, na Toca da Coruja (foto que abre o post). O bar é mantido pela cervejaria de mesmo nome e foi escolhido por ser praticamente o único que abre aos domingos em Porto Alegre. Obviamente, há as opções das cervejas da empresa gaúcha – que na verdade são fabricadas de forma terceirizada na cidade catarinense de Forquilhinha, além de algumas cervejas convidadas em garrafa.

Desde o início optei por concentrar minhas atenções aos chopes, e isto seria quase uma regra em minha estadia por terras gaúchas. Tenho mais chances de beber cervas em garrafas aqui no Rio de Janeiro, ao contrário do acesso às “on tap”, cujas oportunidades de estar em bares são menores.

Voltando ao domingo, após assistir a Grêmio e Palmeiras com o colunista deste Ouro de Tolo Walter Monteiro (o jogo será objeto de post próximo) fomos ao bar e degustamos os chopes, inclusive um dunkel convidado da cervejaria Schmidt – a meu juízo o melhor da noite. Experimentei os chopes premium, weizenbock, weiss e o já citado dunkel; além da Baca, cerveja da casa com a adição de pitangas – belo exemplar, a propósito.

O local é bem aconchegante, apesar de pequeno, e com ótimos petiscos. Uma boa opção, especialmente àqueles que estão iniciando o roteiro de cervejas especiais.

Segunda Feira – BierMarkt
Já havia estado no bar em janeiro, mas havia o problema da falta de luz. Desta vez pude degustar chopes como um homebrewer local que não anotei o nome, o Seasons Furnhouse Ale, gaúcho – e que a meu ver deveria ser um pouco mais alcoólico para tornar-se mais equilibrado – e o Abadessa Export, outro exemplar do estado. Ainda levei para a saideira no hotel uma Rogue Brutal IPA e uma Brooklyn Chocolat Stout, ambas americanas – esta última é uma de minhas preferidas.

Para uma segunda feira o bar tem um movimento bastante tranquilo, de modo que se pode degustar com calma as boas cervejas e chopes do cardápio.

Terça Feira – BierMarkt Von Fass

Está bem próximo de um verdadeiro paraíso cervejeiro, com suas 24 torneiras (acima) de chope especial – desde blockbusters como Eisebahn até o convidado Brew Dog Nazi Kill, excelente por sinal. Os barris de chope ficam em uma câmara fria de forma a dispensar o uso de serpentina e manter as propriedades organopléticas dos barris os mais próximos possíveis de quando foram fabricados. A casa chama o sistema de “direct extract system”.

Em companhia do Vinícius, dono do Pub Santa Brígida de Gramado, experimentei chopes como o já citado Brew Dog – e outro da marca escocesa – o excelente Colorado Vixnu, a americana Anderson Valley Hop Ottin, a americana Rogue e o trapista La Trappe Quadruppel entre outros – com uma garrafa de Duvel no meio.

O ambiente é bastante aconchegante, com boas opções de petiscos também. Sem dúvida alguma o sistema de torneiras é um espetáculo à parte – e a câmara fria, onde estive, é fria mesmo. Só lamento (risos) não ter conseguido afanar o boné da Chimay com o qual o Vinícius estava…

A propósito, “Von Fass” é como se chama o chope na Alemanha.

Quarta Feira – Lagom Brew e Biermarkt Von Fass

Dose dupla neste dia. Acompanhado de Flávio Roese, um dos maiores especialistas em degustação no Brasil – dono do excelente “Cerveja para Dois”, ótimo blog sobre o assunto – estivemos nestes dois estabelecimentos.

O Lagom Brew é um conceito um pouco diferente de bar: ele fabrica a própria cerveja que vende, apenas em barris. No dia em que estive lá haviam doze estilos diferentes, dos quais experimentei cinco sob a orientação de Roese: American IPA, American Pale Ale, American Amber Ale, Dry Stout e Weizenbock. Achei os dois primeiros muito bons, os dois seguintes bons e não gostei do Weizenbock, que achei até decepcionante dada a falta de corpo e mesmo de sabor.

O público do pub é um poouco diferente, com muitos universitários. Os chopes da casa possuem excelente custo-benefício, com preços bastante honestos e em conta. Aprendi muito com Roese sobre degustação, conservação de cervejas e alguns cuidados a serem tomados em seu transporte e armazenamento. Sem dúvida alguma, uma aula.

Fomos ao BierMarkt Von Fass, onde degustamos três exemplares americanos do acervo de Roese: uma Three Floyds “Robert the Bruce”, uma Samuel Adams Imperial Stout e, finalmente, uma Dog Fish – a Raison D´Etre, de estilo belga. Estava há mais de um ano querendo experimentar um exemplar da incensada americana, e agradeço ao Flávio pela deferência.

Quinta Feira – MaltStore

Na minha última noite na cidade havia decidido comer uma carne uruguaia na Parrila del Sur, indicado como restaurante referência no assunto, e depois esticar em outro bar cervejeiro. Após um “entrecôte” (uma espécie de filé de costela) espetacular no restaurante – um dos melhores bifes que comi em minha vida, recomendo muito a visita – descobri que do outro lado da rua havia a MaltStore, que é mais um empório que propriamente um bar, mas que possui algumas mesas e cervas geladas.

Entre Rochefort 10, St. Feullien Blonde e mais uma Brew Dog, experimentei a Rogue Hazel Nut, feita com avelãs – e finalmente consegui gostar de um exemplar da fábrica americana, que é admirada por dez entre dez cervejeiros mas que decididamente não me faz a cabeça. Obviamente, sou eu quem devo estar errado. Mas esta Hazel Nut é muito boa – parece Ferrero Rocher mas sem ser demasiadamente doce. Não fosse o alto custo teria caixa dela em casa.

O casal que gerenciava a casa no dia é bastante conhecedor e atencioso. Um problema: como é um empório e abre de manhã, fecha cedo – dez da noite. Levei uma Chimay Bleue e uma Brew Dog Hardcore IPA para o hotel. O empório possui algumas raridades que nunca tinha visto ao vivo, mas o preço e especialmente a questão de transporte para o Rio de Janeiro me deixaram apenas na vontade…

O leitor pensa que acabou? Não: ainda havia o curso de degustação cervejeira em Campinas, no sábado. Mas este é assunto para outro post. Contudo, o amigo que for a Porto Alegre estará no paraíso em termos de cervejas artesanais.

Serviço:

Toca da Coruja – http://www.cervejacoruja.com.br/
BierMarkt e BierMarkt Von Fass – http://www.biermarkt.com.br/
Lagom Brew – http://www.lagom.com.br/
MaltStore – http://maltstore.com.br/

P.S. – Hoje, 5 de junho, é o dia da cerveja brasileira. Prestigie.

(Com o colunista da “Bissexta” deste Ouro de Tolo, Walter Monteiro)

6 Replies to “Porto Alegre: o Paraíso da Cerveja”

  1. Muito bom o post, Pedro! Quer dizer então que POA é a Bélgica brasileira? Grandes chances de se tornar meu próximo ponto turístico!

  2. Acrescenta ainda nessa lista o Bar Apolinário (6 torneiras), o Boteco Weiss (7 torneiras, expandindo pra 12) e o Hidden Brewpub (12 torneiras) que vai inaugurar este mês! E a distribuidora Costi Bebidas…

  3. Mais umas dicas para quem vem a Porto Alegre. Vou colocar os nomes dos bares (pra todos os gostos)que servem chopes ou garrafas artesanais locais, é só dar uma pequisada na internet: Dirty Old Man, Malvadeza, Mercado do Chope, Bierkeller(só pra convidados), Café Tuyuty, Lourival, Johns, Bar do Goethe, Mulligan, DadoBier, Agua de Beber, etc…

    1. Bem lembrado, Daniel. Eu só fiquei cinco dias na cidade na ocasião, acabei ficando limitado

      Obrigado e abraço forte

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