Sempre veem o próprio lado e a própria conveniência em primeiro lugar. Em seu raciocínio, como são os “escolhidos” por Deus, obviamente creem que são mais importantes que as outras pessoas. Isso implica em outra coisa: na necessidade que possuem de impor a sua crença e seus valores a outras pessoas de forma muitas vezes invasiva.
Emblemática também é a defesa da homofobia, com “vistas grossas” para os casos de violência ocorridos contra os homossexuais. A lei que criminaliza a homofobia está emperrada no Congresso Nacional justamente devido à pressão feita pela bancada representante das seitas pentecostais – que, alias, vem atuando em “dobradinha” com a bancada ruralista em assuntos que dizem respeito às duas bancadas. Hoje, no Brasil, incitar violência não é crime quando se trata de gays e lésbicas – incrível.
A pregação contra os homossexuais, a propósito, acaba a meu ver incentivando este tipo de prática violenta, com assassinatos e casos de violência se sucedendo – e líderes destas denominações quase que adotando a postura de que “a vítima mereceu”.
Em termos partidários, há correntes que apoiam o governo, como a Igreja Universal do Reino de Deus, e outras oposicionistas representadas, por exemplo, pelo Pastor Silas Malafaia (foto). Entretanto, estão unidas em temas “morais” que possam representar algum tipo de contrariedade à doutrina – a Igreja está sobre os partidos.
Cabe também a meu ver um debate mais aprofundado sobre a questão do Estado laico. Este não é um comportamento apenas das seitas evangélicas, mas das igrejas cristãs como um todo, que exigem serem ouvidas e determinarem políticas de Estado como se não houvesse separação entre a doutrina religiosa e a organização do Estado brasileiro.
Bons exemplos disso são o recente julgamento das questões do aborto de fetos anencéfalos e da união civil entre pessoas do mesmo sexo no Supremo Tribunal Federal e a oposição da Igreja Católica a políticas de difusão de métodos anti-concepcionais. Estes são exemplos de uma influência a meu ver indevida da religião no Estado, que a meu ver tende a se intensificar se não houver uma reação por parte da sociedade civil.
Estado é Estado, Religião é Religião. Devem caminhar separadas pera o bem da democracia.
Não podemos nos esquecer que todas estas restrições de comportamento – proibir o consumo de álcool, proibir músicas que não sejam de “louvor e adoração”, impedir que se frequentem diversões várias e outras – possuem um fundo nitidamente econômico. A música “Gospel” brasileira – que não tem rigorosamente nada a ver com a americana, diga-se de passagem – hoje é um negócio que gira milhões de reais às seitas.
Lembro, também, que se gastando menos com divertimentos e álcool sobra mais recursos para a oferta – e olha que escrevo isso com bastante conforto, pois sou dizimista e tenho total noção do valor da gratidão a Deus. Entretanto, a fronteira entre a gratidão e o interesse material dos líderes é bastante tênue, para se dizer o menos – as Igrejas evangélicas, hoje, são antes de tudo um negócio.
Por outro lado há a característica dos fiéis de impor suas convicções aos outros: basta ir a uma festa, por exemplo, para se perceber que tudo é feito em função da doutrina. Não importa a satisfação dos convidados, estes tem de se adaptar – e se possível, convertidos forem.
Assino embaixo!
boa vey
Vocês estão falando em religião ou no “Negócio Universal”?
bom, as instituições são formadas por homens e homens assim como vc, erram… peço desculpa por todos… e deixo meu abraço a vc! Deus te abençoe!