Nesta sexta feira, a faixa musical do Ouro de Tolo traz uma preciosidade: uma canção inédita em cd de dois dos maiores compositores do samba cariocas.
Um deles é Luiz Carlos Máximo, que o leitor deste Ouro de Tolo já teve o prazer de ver neste espaço: o antológico samba da Portela de 2012 o tem como um dos autores e o espetacular concorrente para 2013 que coloquei aqui semana passada também.
Seu parceiro na canção de nossa faixa musical de hoje é Ratinho, falecido prematuramente em 2010. Ele é autor de clássicos de Zeca Pagodinho como “Vai Vadiar” e de sete sambas de enredo da Caprichosos de Pilares, entre os quais um Estandarte de Ouro em 1978.
Na música “Meu Camarada” Máximo e Ratinho fazem uma homenagem a Paulinho da Viola, que há alguns anos não compõe de forma regular. É uma bela música, interpretada na gravação que apresento aqui pelo cantor Julio Estrela, revelação das casas de samba da Lapa.
Este é um ponto pelo qual venho me batendo nestas páginas: a memória do samba carioca está morrendo com seus autores. Existe muita coisa boa não registrada em disco para a posteridade. Algo precisa ser feito para fazer o trabalho de resgate que se impõe.
Vamos à letra. O áudio pode ser ouvido no início deste post.
Meu Camarada (Ratinho/Luiz Carlos Máximo)
Como vai meu camarada?
Chega mais e diz aí
Por onde anda a madrugada
Que a gente cansou de curtir
Pra onde foi aquele rio
Que a gente viu correr
Pra onde foi o sol que ao nosso frio
Já não vem mais aquecer
Sinceramente, meu camarada
Até hoje eu procuro entender
O porque da alvorada
Não querer mais resplandecer
E o cantar do rouxinol
Que era cheio de alegria
Ao perder a luz do sol
Entristeceu a melodia
Eu só sei
Que tudo que eu pude aprender
São jogadas dessa vida
O imperfeito faz a gente ver
Pegue o barco
Vá em frente
Deixa seguir a corrente
Que Oxalá
Dê um sopro e dê um vento
E coloque em movimento
O velho barco nas ondas de um novo tempo