Nas últimas duas semanas os posts sobre política deste blog – que, alias, foram poucos, ando com sérias dificuldades de tempo – foram invadidos por leitores reacionários com pouca vocação democrática e especialmente sem primar pela elegância ao escrever.
Entre elogios à minha mãe e sugestões de políticas públicas fascistas, vários deles sugeriram que eu deveria escrever sobre capim, por ser este meu alimento.
Atendendo à sugestão, descrevo abaixo os principais tipos de forragens e suas indicações. Acho que os leitores irão gostar de ver as melhores indicações alimentares para cada espécie…
O primeiro tipo é o croast cross, de origem americana. Muito apropriado a eqüinos e adequado aos que defendem a aliança incondicional aos Estados Unidos como solução de todos os nossos problemas, ainda que isso signifique a venda de empresas como a Petrobras e o fechamento de muitas de nossas indústrias. Gostariam de ter um busto de Roberto Campos em seu apartamento. Também defendem a propriedade privada e a remoção de todos os direitos trabalhistas, afinal de contas, o mercado é perfeito.
Então temos um tipo muito comum: o capim colonial. Originário da África, é adequado àqueles que se sentem parte de uma casta superior e defendem a queima de favelas com os pobres dentro. Afinal de contas, apesar de negarem e se sentirem superiores, todos temos uma raiz africana – e negra.
O terceiro tipo é o centauro, apropriado aos reacionários que defendem “a moral e os bons costumes” – mas que nas sombras noturnas freqüentam lupanares sem qualquer tipo de peso na consciência. Castidade é para os outros – e a hipocrisia, para si. É um exemplar muito apreciado por certas seitas religiosas, mas não somente estas.
Passemos então ao centenário, com nome científico “panicum maximum”. Indicado para os que temem a “descida do morro” e defendem aquela cantilena policialesca de que “bandido bom é bandido morto” – com seu corolário: “pobre bom é pobre morto.” Este capim cresce bem em áreas quentes como favelas e milícias.
O capim gordura não resiste muito bem a pisoteios. Então é indicado a aqueles que tratam seus cachorros como se crianças fossem, mas espantam crianças carentes como se cachorros magros sejam. É espécie delicada e extremamente afetada, embora fale grosso – especialmente contra aqueles que não podem se defender.
Capim de Rhodes é uma espécie em homenagem à força e à beleza gregas, expressada por playboys que não hesitam em espancar aqueles que se colocam em seus caminhos. Muitos se assumem como defensores de uma ‘raça pura’ – mas não hesitam em manter relações sexuais com mulatas e negras.
O quiocuio da Amazônia é espécime mais rústica e que resiste bem a terrenos erodidos e a pisoteio. Sua principal característica é sair desfraldando ofensas de todo tipo àqueles que professam idéias diferentes, com o intuito de impor à força seus pensamentos. Com pimenta, então, fica uma delícia.
O napier possui grande valor nutritivo e chega a alcançar cinco metros de altura. Presta-se bem à alimentação de pseudo-intelectuais que desfilam uma falsa erudição de pouquíssimo resultado prático. Adoram títulos de “Doutor Honoris Causa” e se vestir com grossas camadas de cipós. De cada 100 palavras que proferem, entendem-se duas – normalmente defendendo a importância e a necessidade etimológica da pobreza na civilização brasileira.
Já o andropógon vem também da África e tem como seu nome científico o “A.gayamus”. Este capim é indicado para a alimentação daqueles sujeitos que defendem a homofobia e a violência contra homossexuais, especialmente quando aproveitam todas as oportunidades de manter tal tipo de relacionamento às escondidas.
Finalizando o cardápio para reacionários, a braquiária também vem da África e se torna adequada àqueles que defendem a segregação das pessoas por faixa de renda e a definição do direito de voto da mesma forma, além de proibir a venda de carros para pessoas “inferiores” e construir um muro confinando as pessoas que não “são de bem”. São os mesmos seres que maldizem a Princesa Isabel até os dias de hoje, além de ler a Veja, exigir a derrubada da Presidenta Dilma, o fim do “Bolsa Esmola” e votar em José Serra.
Bom, espero que os leitores reacionários deste blog gostem das dicas e possam compor um cardápio bastante verdinho e nutritivo.
Quanto aos leitores tradicionais, aproveito para reafirmar o compromisso com a democracia, com a diversidade de opiniões e com o espírito de total tolerância. São valores intrínsecos deste espaço.
Infelizmente, está cada vez mais difícil de se manter um diálogo político em termos aceitáveis, haja vista a intolerância que grassa não somente nos espaços virtuais como no “locus” real. O importante não é mais trocar idéias e aprender, mas sim gritar mais alto até calar as vozes dissonantes.
Obviamente, o comportamento incendiário de parte da mídia contribui muito para isso, embora a meu juízo seja injusto creditar a ela sozinha a responsabilidade por este crescimento da intolerância. Quando “jornalistas” em grandes portais pregam abertamente a interrupção da democracia no país, isto somente serve para acirrar os ânimos.
Fica aqui o meu apelo por mais tolerância e mais compaixão.

16 Replies to “Guia Alimentar para Reacionários”

  1. Caro Pedro,

    talvez interessem aos seus reaças mais informações acerca das suas, deles, iguarias preferidas:

    http://criareplantar.com.br/pecuaria/lerTexto.php?categoria=19&id=89

    Não estou comendo capim ainda, mas como meu pai teve sítio e criou algum gado, conheço umas coisinhas sobre capim e notei que você cometeu um grave erro no seu post. Existe a espécie de capim chamada Colonião, não Colonial.

    E existem duas variedades de capim-gordura, a roxa, útil para pastegens e a verde, muito frágil.

    Afinal, forragem também é cultura!

    Abraço.

    1. Caro Eduardo, obrigado pelas colocações, até porque não sou especialista em capim – queria apenas prestar um serviço de utilidade pública a uma minoria – barulhenta, mas minoria – que frequenta este blog.

      Não quis e nem pude me aprofundar no assunto.

      Quanto ao colonião especificamente, erro de digitação. Espero que tenha gostado do blog.

  2. Texto típico da arrogância imbecil dos adoradores do apedeuta que deveria estar na cadeia e que infelizmente é reverenciado como se Deus fosse. O lulopetismo é uma praga que deve ser extirpada pelos patriotas brasileiros.

  3. Palhaço. O autor deste texto é um palhaço.

    Fala em tolerância mas é antidemocrático. Isto é que são os lulopetistas adoradores do demônio.

    (2)

  4. Texto patético escrito por um boçal analfabeto metido a engraçadinho. É em sujeitos como este blogueiro que resultou esta vergonha chamada Bolsa Família.

    O autor desta vergonha deveria era estar capinando uma roça e virando uma laje, isso sim. Nisso que dá o voto universal: aberrações deste tipo.

  5. Para que demonizar o adversário? Isto vale tanto para os ditos “reacionários” que aparecem nos comentários como o autor do texto, que deve se assumir como “progressista”. Aposto que tanto o autor como os comentaristas conhecem pessoas que pensam diferente de si e mesmo assim as respeitam. Mas na hora de escrever o “Lulopetista” é um comunista criminoso e o “reacionário” é “assassino de favelado”, como se advirá o entendimento à partir destas premissas? A quem interessa este conflito sem arestas? Enfim, o ser humano é rico e pródigo em entender o outro e suas verdades temporais ou empedradas. Basta querer e não ser preconceituoso.

    Um abraço a todos e mais compaixão em nossas vidas.

    1. Flavio, acredito que você não tenha lido os posts anteriores, sobre propaganda e moradia de sem teto. Iria entender a motivação deste.

      Obviamente, este post é uma ironia – até porque estou longe, muito longe de ser um comunista, embora vote normalmente no PT e tenha horror à linha política defendida por PSDB, DEM e assemelhados.

      grande abraço

  6. Não sei qual a grama que ele gosta, mas o autor do texto deve ter esse bicho aqui:

    Dicrocoelium dendriticum

    Quando adulto, o D. dendriticum vive e se reproduz no fígado de vacas ou de outros mamíferos de pasto. Seus ovos são eliminados junto com as fezes do animal e comidos por um caracol. No novo hospedeiro, o parasita sai do ovo e se move até a superfície do animal, que o elimina soltando uma bola de muco.
    Se uma formiga desavisada come a bola de muco, o parasita invade seu corpo e começa a “controlar sua mente” (!), fazendo com que ela suba em folhas de grama e aumente suas chances de ser devorada por um animal de pasto – isso só ocorre à noite; durante o dia, a formiga age normalmente, evitando se expor ao sol.

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