Nesta sexta feira, o advogado Walter Monteiro em sua “Bissexta” aborda um tema mais leve: a compra de um bom terno, ou costume, como ensinado no post.
Dicas de Moda Masculina
Eu garanto que o tema da coluna desta semana nada tem a ver com o virtual campeão brasileiro e suas três cores que traduzem uma tradição. Também não estou querendo desviar dos prioritários assuntos Bissextos, que quase sempre falam de futebol, política e direito. Mas, sei lá, me deu vontade de falar de moda.
Até porque o assunto não chega a ser novidade nesse diário eletrônico. Eu ainda nem escrevia aqui, mas me lembro de uma antiga coluna do Editor Chefe, praguejando que tinha gasto em um terno quase o mesmo que gasta em uma camisa do Mais Querido – e reclamava, acreditem, do que chamava de alto preço do costume.
[N.do.E.: na verdade foi o contrário: eu reclamava dos preços das camisas dos times, como os leitores podem ver no link que disponibilizo.]
Sim. “Costume” é o nome correto desse uniforme dos engravatados, ou seja, paletó e calça social – “terno” é quando se adiciona ao “costume” um colete, algo raro em regiões tépidas, como sói acontecer Brasil afora.
Uma quantidade bem grande de homens delega à esposa (ou à mãe, quando jovens e solteiros) a compra de roupa. Um comportamento, convenhamos, somente tolerável na primeira infância. Um homenzinho de oito anos em diante já deve ser capaz de fazer suas próprias escolhas de vestimenta, mas tem muito marmanjo por aí incapaz de comprar uma camisa, uma calça e até mesmo uma cueca. Que vergonha!
Na vida profissional, a aparência conta muito. É inevitável que os interlocutores julguem alguém pela imagem transmitida. E muito dessa imagem tem a ver com a roupa que o sujeito enverga. Alguém que trabalhe em segmentos formais da economia, como área jurídica ou financeira, provavelmente trabalhará de paletó e gravata por quase todos os dias úteis – à exceção dos locais que admitem a sexta-feira casual, mas, ainda assim, são muitos e muitos dias metidos em trajes.
Daí nasce a primeira conclusão óbvia: uma pessoa tem, no máximo, cinco ou seis costumes. Que, se for de qualidade, dura cinco anos tranquilamente. Ou seja, um costume por ano.
Ora, uma roupa dessas, de ótima qualidade, custa R$ 900,00, parcelada em muitas vezes. Uma de qualidade média, por volta de R$ 400,00. E uma de qualidade inferior, o preço de uma camisa do Flamengo.
Logo, se há alguma folga no orçamento, COMPRE UM TRAJE CARO! Ele vai durar cinco anos, ou seja, se usado 1 vez por semana, a pessoa irá vesti-lo umas 250 vezes. Custa, portanto, menos de R$ 4,00 por dia de uso.
Sem contar que homens bem sucedidos, que estão acostumados a se vestir bem, rapidamente identificam o terno do outro. Se o cara aparece de terno de tecido tropical ou, ainda pior, de microfibra, logo vai dar pinta de que anda sobrando mês no salário da pessoa, ou de que ao menos não liga muito para a própria imagem – além do calor, porque esses tecidos são mais quentes.
O ideal é fazer um investimento em ternos de lã fria (nada a ver com aquela lã do cachecol que a vovó tricotava), conhecidos como Super 100, Super 120 e até Super 150. Não sou entendido a ponto de explicar a origem dessa classificação, mas quanto mais alto o número, mais caro o tecido e mais bonito ele fica no corpo.
A pessoa só deve ter no armário trajes claros caso tenha dinheiro sobrando para ter muitos escuros. Esse não é o caso da maioria: logo, prefira trajes escuros, como marinhos, chumbo ou pretos. E com poucos detalhes, como riscas ou estampas. Afinal, elas chamam atenção e não podem ser repetidas com tanta frequência.
Comprou o traje? Pagou caro? Cuide dele! Nunca o lave em casa, mas sempre a seco, na lavanderia. E sempre o pendure em cabides especiais, para não deformar os ombros. Esse cabide já vem de brinde com a roupa, basta nunca usá-lo para outro fim.
Logo a seguir, a camisa. Para quem não tem problemas de orçamento, o bom mesmo é comprar o tecido e contratar um camiseiro para fazer sob medida – aliás, o mesmo conselho vale para o costume ou o terno, para quem conhece um bom alfaiate. 
E se realmente a pessoa estiver disposta a gastar uma grana com isso, o melhor tecido do mundo para camisas é o algodão egípcio, mas aí já uma questão de escolha… Uma camisa não dura tanto quanto um costume e a pessoa precisa ter umas 10.
Mas se a pessoa não está tão abonada assim, voltamos ao paradigma anterior. Quanto custa uma camisa oficial do Flamengo, que você vai usar para ir a um estádio de futebol, a um bar ou a um supermercado, de chinelos? Vamos combinar que a camisa que você vai trabalhar não pode custar menos que o Manto Sagrado, ok? Pelo menos uma ou duas delas, para dias especiais.
Na sequência, é preciso aprender a combinar as demais peças: gravatas, meias e sapatos.
Meias e sapatos são fáceis: ambos precisam ter a mesma cor. E se a pessoa optou por trajes escuros, o sapato sempre será preto. A meia também. Assunto resolvido.
Mas para quem arriscou um costume claro, o sapato precisará ser marrom. A meia marrom vai bem também, mas tem uns casos que fica meio agressivo, dependendo da cor da calça. É a porta aberta para começar a errar – portanto, pense bem em fazer essa escolha.
Finalmente, as gravatas. Aqui vem outro problema, também de índole financeira. Gravatas bonitas, vistosas e com bom “caimento”, isto é, que dão um bom nó, não costumam ser baratas. Se der para gastar com isso, vá em frente, dando preferência à marcas de renome. Se não der, prefira gravatas lisas ou as chamadas “regimentais”, que são aquelas com listas diagonais, que sejam de seda ou jacquard.
Esse é um apanhado básico, mas quero passar algumas dicas finais:
a)    Pode não parecer, mas existe uma influência muito grande da moda em trajes masculinos. Atualmente, a tendência é paletó de dois botões, com lapelas mais estreitas;
b)   Mesmo havendo influência da moda, trajes convencionais resistem por muito tempo, até ficarem velhos e puírem. Portanto, não seja ousado comprando uma roupa de catálogo de desfile de moda masculina. Essas sim saem de moda muito rápido;
c)    A mesma regra vale para as gravatas: mesmo que hoje em dia se vendam gravatas muito fininhas, elas só devem ser usadas por quem é muito jovem e tem a silhueta impecável. Nada pode ser mais escroto que um coroa barrigudo com uma gravata estreitinha;
d)   Alguns pequenos detalhes revelam sofisticação: abotoaduras em camisas de punho duplo ou monogramas bordados nas camisas, por exemplo, são vistos como símbolo de status;
e)    Outras coisas são mal vistas, porque saíram de moda faz tempo: prendedor de gravata, camisas com botões no colarinho ou camisas escuras não se usam mais;
f)     Atenção aos contrastes: terno escuro, camisa clara, gravata que se destaque sobre ambos;
g)    Tudo na vida tem prazo de validade. Até gravata. Não use as gravatas do seu avô aposentado, mesmo que ele insista.
Reconheço que o assunto beira a futilidade, mas, leitor, acredite: é de extrema relevância para quem precisa trabalhar assim e quase nunca tem onde se espelhar. Até porque os chamados especialistas em moda que escrevem nas VIPs ou Playboys da vida dizem asneiras atrás de asneiras.
Ninguém me ensinou essas coisas: eu aprendi a duras penas, depois de mais de 20 anos engravatado, mas hoje vejo como teria sido útil que alguém me desse umas dicas quando eu ainda engatinhava nesse mundo careta. Foi pensando nos micos que paguei quando era mais jovem que resolvi compartilhar meus talentos de personal stylist dos estagiários do escritório com os meus leitores.
E, antes de acabar, finalmente a regra de ouro: paletó e gravata é uma roupa sóbria e conservadora. Assuma isso como um dogma e não tente parecer descolado com combinações exóticas. Em 99,5% dos casos você vai ser apenas ridículo. Seja convencional e tudo vai dar certo.

4 Replies to “Bissexta – "Dicas de Moda Masculina"”

  1. Ando “fardado”, ou seja, com o “costume” mencionado pelo colunista quase todos os dias. Felizmente meu escritório adotou a sexta-feira casual. Muito do que foi escrito eu já tinha algum conhecimento, mas agradeço o post extremamente oportuno e conveniente. Ficará salvo em minha lista de favoritos. Saudações Rubro-Negras.

  2. Show esse post para o público metrossexual, acho legal essa diversidade do blog. Felizmente eu não preciso me fantasiar para trabalhar — espero que seja sempre assim! Abs, Marco.

    1. Eu também não, mas todo mundo precisa usar costume algumas vezes por ano. Comprei um costume seguindo as dicas do colunista no último sábado e o resultado foi perfeito.

      abraços

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