Nesta sexta feira, excepcionalmente, a coluna “Sabinadas” do jornalista Fred Sabino, fala sobre a decisão do Mundial da Fórmula 1 a se realizar no próximo domingo em Interlagos. O colunista trata um perfil psicológico dos dois postulantes ao título. 
Adianto que minha torcida é para Sebastian Vettel, haja visto as recorrentes demonstrações de falta de ética e até mesmo de caráter de Alonso e, secundariamente, da Ferrari. Vamos ao post, direto de Interlagos.
Alonso vs Vettel: o Calculista vs o Espontâneo
O fim de semana promete reservar grandes emoções na Fórmula 1, com a disputa do título mundial entre Sebastian Vettel e Fernando Alonso no Grande Prêmio do Brasil.
A natureza clássica do circuito de Interlagos, com curvas de diferentes tipos, subidas e descidas, e, principalmente, o clima inconstante normalmente proporcionam belos espetáculos. Um bom exemplo o que vimos em 2008, quando Felipe Massa por alguns metros não conquistou o título.
Mas o tema da coluna de hoje é voltado para uma análise dos dois candidatos ao caneco. Não uma análise técnica, pois já estamos carecas de saber; mas uma análise do comportamento deles, sobretudo em entrevistas, sejam coletivas ou (quando raramente acontece) exclusivas.
Já tive a oportunidade de entrevistar duas vezes Vettel, quando trabalhava no Diário LANCE! e foi extremamente interessante, para não dizer bacana, ver que o alemão não mudou nada com a fama e os títulos mundiais conquistados nos últimos anos.
Embora hoje em dia seja difícil um piloto soltar declarações bombásticas, Vettel costuma brindar os jornalistas com respostas bem-humoradas e boas tiradas, mesmo naquelas coletivas sem graça tão típicas da Fórmula 1 atual.
É possível sentir no ar um Vettel sempre autêntico e relaxado nas entrevistas, sem muitas delongas ao costurar uma resposta. Enfim: é um sujeito bacana de se conversar.
Já Alonso, com quem troquei pouquíssimas palavras na minha carreira, demonstra ser tão calculista nas entrevistas como é nas pistas. Ele é educado e de vez em quanto até solta um sorriso quando está à vontade.
Mas é perceptível quando se conversa com o espanhol que ele sabe exatamente o que quer dizer e por que ele diz tal coisa naquele momento.
Senão vejamos: durante as últimas semanas, o bicampeão vem bradando aos quatro ventos que considera Lewis Hamilton seu rival mais talentoso. Também afirmou que em condições normais a Red Bull tem um carro mais rápido – o que é até verdade.
Mas, evidentemente, tal discurso denota uma tentativa de desestabilizar o alemão. Em resumo, o ferrarista não dá ponto sem nó. Não que esteja errado, afinal não deixa de ser um estratagema – em 1987, Nelson Piquet usou expediente parecido no duelo com Nigel Mansell e, em 1989, foi a vez de Alain Prost usar a imprensa para tumultuar o ambiente na McLaren durante a guerra com Ayrton Senna.
Ver dois gigantes do automobilismo se enfrentando na pista já é muito bacana. Mas também é muito interessante ver esses caras de perto para prestar atenção nesses detalhes.
Um duelo de personalidades bem distintas.

(Fotos: Globoesporte.com)