Neste feriado de 15 de novembro, a coluna “Sabinadas”, do jornalista Fred Sabino, traz um resumo do ano de 2012 para o automobilismo brasileiro.
Um Balanço do Automobilismo Brasileiro em 2012
O ano do automobilismo está acabando e, para o Brasil, o balanço é pouco animador em termos nacionais e um tanto melhor em termos internacionais, ainda que sem títulos de peso.
Na Fórmula 1, Felipe Massa começou muito mal e teve uma boa reação na segunda metade da temporada. Conseguiu a renovação de contrato com a Ferrari, o que é lucro levando em consideração a falta de vagas em outros times; mas o que gera uma pulga atrás da orelha do torcedor, já que novamente ele terá a dura concorrência de Fernando Alonso.
Bruno Senna, por sua vez, ainda sofre com o ritmo em condições de classificação, o que invariavelmente tem feito com que ele largue quase sempre muito atrás. Nas corridas até que ele vai bem e pontua com certa regularidade. Falta ainda, no entanto, uma atuação explosiva, como algumas feitas pelo companheiro Pastor Maldonado. Bruno vai ficar na Williams? Não se sabe, ainda. É difícil, até porque muito importante será o aporte financeiro levado por cada piloto.
Na GP2, categoria de acesso à F-1, tivemos uma ótima participação do baiano Luiz Razia, vice-campeão como já haviam sido Nelsinho Piquet, Lucas di Grassi e Bruno Senna. Teve ótimas atuações e, não fosse um erro de avaliação numa disputa na penúltima rodada do ano, em Monza, poderia ter levantado o caneco. Tem boas chances de entrar na F-1 em 2013, pois conta com bons patrocinadores e agradou nos testes com Force India e Toro Rosso.
Felipe Nasr, por sua vez, chegou à GP2 sob muita expectativa. Não dá para dizer que ele foi mal. Beliscou alguns pódios e conseguiu algumas boas atuações. Mas acabou ficando um pouco aquém do que se esperava, pois cometeu alguns erros (até normais) e não foi tão bem nas classificações. No ano que vem, mais maduro, tem tudo para brigar pelo campeonato e ganhar pontos na briga por uma vaga na F-1.
A grande expectativa do ano acabou sendo a IndyCar, com a estreia de Rubens Barrichello. Ele teve muita dificuldade de adaptação – mais do que se esperava – mas evoluiu no fim, tanto que obteve um quinto e um quarto lugares e estava em terceiro na última prova quando quebrou. Tenta levantar patrocinadores para seguir na categoria, o que deve acontecer. Só não se sabe se na manquitolante equipe KV, que em diversas ocasiões derrubou tanto ele como seu companheiro Tony Kanaan em maus pit stops, erros de estratégia e escolhas erradas dos engenheiros.
Tony, aliás, teve um ano em que começou cheio de problemas mas que melhorou, com ótimas atuações e pódios do piloto. Ele já está confirmado na KV em 2013 e, mesmo com quase 40 anos, ainda mostra grande categoria. Se estivesse num time de ponta certamente seria candidatíssimo ao título.
Helio Castroneves acabou sendo o único piloto do país na briga direta pelo campeonato. Venceu duas provas e teve outras boas atuações, intercaladas com corridas em que teve azares como punições por troca de motor e toques com outros adversários. Mesmo tendo sido batido pelo companheiro Will Power na maioria dos mistos, Helinho segue em boa forma e ainda é um dos melhores da Indy. Quem sabe ele não fatura o tetra das 500 Milhas em 2013?
Uma das boas surpresas do ano foi o crescimento da divulgação da Nascar no Brasil, graças, sobretudo, à participação dos brasileiros Nelsinho Piquet e Miguel Paludo. Eu, pessoalmente, estive em Daytona para as 500 Milhas deste ano e gostei muito do que vi. Pode ser uma grande alternativa para os nossos pilotos nos próximos anos. Nelsinho fez uma boa temporada e poderia brigar pelo campeonato não fossem acidentes nos quais não teve culpa. Paludo quase venceu em Daytona e teve algumas boas atuações mas ainda pode evoluir.
Vale lembrar que Nelsinho fez história neste 2012 ao ser o primeiro piloto brasileiro a vencer em uma das categorias principais da Nascar – venceu duas provas na Truck Series (na foto, a vitória em Las Vegas) e uma na Nationwide Series.
Em âmbito nacional, dois fatos fatos foram extremamente positivos: a abertura de um novo autódromo, em Mogi Guaçu – o Vello Cittá é de propriedade da Mitsubishi e deve receber mais corridas nos próximos anos – e a volta de Cascavel ao cenário nacional. No entanto, outros circuitos ainda claramente precisam passar por reformas.
Na Stock Car, sete pilotos estão na briga pelo título, na Corrida do Milhão, dia 9, em Interlagos. Mas o injusto sistema de pontuação, extremamente achatado (pontuam do primeiro ao 20º colocado) e sem descartes, acabou provocando grandes distorções na reta final do campeonato.
Regular e vencedor como de costume, Cacá Bueno provavelmente ganharia o campeonato de forma tranquila não fosse tal sistema. Além disso, Allam Khodair e Thiago Camilo, dois dos pilotos mais velozes do ano, estão fora da briga devido a abandonos que os puniram muito também devido a essa pontuação, enquanto outros pilotos que não brilharam tanto ainda têm chances de título. De qualquer forma, tivemos várias corridas boas e a decisiva promete.
De positivo para a Stock foi a chegada de pilotos de peso, como os três que correram a temporada da Indy. Creio que se estes acabarem optando pela categoria num futuro próximo, veremos um campeonato com um peso ainda maior. Mas é preciso acabar de uma vez por todas com as distorções, principalmente em questões desportivas – algo que até foi minimizado este ano.
Na Fórmula Truck tivemos uma categoria muito bem promovida como sempre, mas com duas observações: é preciso desenvolver um sistema de segurança para ajudar os pilotos quando os freios falharem (Diumar Bueno sofreu um gravíssimo acidente em Guaporé) e, segundo informações iniciais, a última prova do ano já terá os primeiros testes. Além disso, talvez um regulamento mais restritivo seria útil, pois em algumas situações vimos discrepâncias muito acentuadas entre os caminhões.
Deixei para o fim dois acontecimentos que me entristeceram muito. Este ano, finalmente o autódromo de Jacarepaguá foi destruído para dar lugar a instalações da Rio-2016 e, futuramente, a condomínios e escritórios. A especulação imobiliária e os interesses políticos prevaleceram, infelizmente.
E o encerramento da Fórmula Futuro mostrou um presente terrível para o esporte nacional. Simplesmente não temos categoria de monoposto no Brasil.
Triste.
(Foto: Site Oficial – Nelsinho Piquet)
Regardless of the numerous misconceptions and statements that are around every corner, you cannot find any particular confirmed approach how to make your hair grow faster, in fact….