Na última quinta feira o jornal O Dia publicou artigo de minha autoria com algumas sugestões para melhorar a gestão de nossas escolas de samba. O texto é baseado em um post deste blog ainda de 2011, e devido às limitações de espaço do jornal está bastante condensado.
Entretanto, ainda este ano irei escrever aqui post desenvolvendo as questões abordadas abaixo na reprodução do artigo publicado.
Até para que não se repita o quadro da foto acima – do site SRZD Carnaval – com o quarto andar do barracão da Portela na Cidade do Samba. A imagem é do início desta semana, acredite o leitor.
Uma sugestão às escolas de samba
O noticiário carnavalesco dos últimos dias vem enfocando bastante a gestão das escolas e a demanda por mais recursos. O objetivo deste artigo é sugerir um conjunto de medidas a fim de se iniciar um modelo de gestão profissional por parte de nossas agremiações.
Dividiria as ações em três grupos: gestão profissional, governança corporativa e a gestão de marca e de novas receitas. Iniciando, a gestão profissional. Sabe-se que há ineficiência no uso de recursos. Isto ocorre por não haver modelo de gestão estruturado.
Detalhada proposta orçamentária é fundamental. Elaborada com antecedência, permite atração de bons profissionais, compra antecipada de materiais e execução do enredo segundo cronograma. Somente esta medida já permite economia que estimo em 20% do total.
Segundo: o que se chama “modelo de governança”. Isso significa a instituição de regras internas que visem à uniformização do uso de recursos, o processo de contratação de bens e serviços e a existência de controles internos automatizados na gestão. Além disso, instituir e acompanhar metas e indicadores objetivos tanto de gestão, como de processo e de desempenho são outra parte fundamental de melhoria.
Necessário também formalizar (na medida do possível) as relações trabalhistas e estabelecer um “Plano de Carreira”, com metas e incentivos. Instituir um sistema de consequências para os gestores profissionalizados, bem como padrões de procedimentos.
Uma boa gestão é marcada pela transparência, ainda mais quando há a busca por novas fontes de recursos e gestão de marca. Prestar contas de ações empreendidas e resultados financeiros ao público, ainda que de forma resumida, seria um bom começo.
O leitor deve estar se perguntando: de onde a escola vai tirar dinheiro para iniciar tão antecipadamente (antes mesmo do carnaval anterior) a preparação do desfile?
Através de contratos de vestuário (à moda dos clubes de futebol), licenciamento de diversos produtos com a marca da escola, maior rentabilização da quadra de ensaios e dos contratos de cervejarias. Estas são novas fontes de recursos que dispensariam o patrocínio ao enredo e trariam um fluxo de receitas por todo o ano.
Projeto de sócio torcedor, a R$ 10 mensais e envolvendo direito (mesmo que limitado) de voto, também possibilita afluxo de recursos considerável: 5 mil sócios representam R$ 600 mil anuais.
Obviamente estas linhas são um grande resumo, que precisa ser aprofundado.