Neste dia de Natal,
a coluna “A Médica e a Jornalista”, da Anna Barros, explica a meu pedido uma doença muito pouco conhecida: a síndrome nefrótica. Digo “a meu pedido” pois tive um parente próximo acometido com a doença no início deste mês e, embora esteja tudo relativamente bem agora, o susto inicial foi grande.
Aproveito para reiterar aos leitores um desejo de Feliz Natal.
Explicando a Síndrome Nefrótica
A Síndrome Nefrótica e uma doença que acomete os rins e da qual poucas pessoas fora do meio médico falam. Ela é caracterizada por perda proteína na urina, acima do valor normal, deixando-a espumosa.
A definição principal foi feita pela Dra Solange Baruki, especialista pela Sociedade Brasileira de Nefrologia, que trabalha nas Clínicas de Doenças Renais e na Assistência Renal Total. Além disso, é uma amiga muito querida, que se formou comigo na Universidade Gama Filho, em 1996.
O sintoma que pode abrir o quadro da Síndrome Nefrótica é o edema, o popular inchaço, em membros inferiores e palpebral. Dependendo do valor da proteinúria, pode evoluir para a anasarca, que seria um edema generalizado.
A proteinúria é o excesso de proteína na urina. O valor da proteinúria para ser considerada nefrótica, deve ser acima de 3,0g em 24h. Na criança, o valor é de 50 miligramas/Kg. Isso ocorre por aumento da permeabilidade dos glomérulos renais às proteínas.
Além do edema, temos hipercolesterolemia, que é o aumento do colesterol no sangue, principalmente o LDL (colesterol ruim ) e queda de albumina no sangue. Pode acontecer também a desnutrição, nos casos mais graves de proteinúria. E também podem aparecer sintomas relacionados à trombose venosa e às doenças vasculares, incluindo a coronariopatia. Os fatores predisponentes para a ocorrência desses sintomas são: a hiperlipidemia e o aumento do estado de hipercoagulabilidade. A hipercoagulabilidade é a tendência a formar mais coágulos, que podem vir a se tornar trombos.
A Dra Solange revela que a doença pode surgir em qualquer faixa etária. “Dependendo da causa, pode ocorrer em qualquer faixa etária. Nas crianças e adolescentes, pode ser secundária às doenças reumatológicas, autoimunes, idiopáticas. E no paciente idoso, pode ser por neoplasia”, concluiu ela. E a nefrologista acrescenta que há uma doença comum, que pode cursar com proteinúria nefrótica, que é a Diabetes melitus.
A Síndrome Nefrótica pode ser primária , quando a doença se instala apenas no rim, como na doença de lesão mínima, que é comum nas crianças na faixa etária de 5-7 anos, ou secundária, quando existem outras doenças associadas. As causas secundárias podem ser, então, a Diabetes melitus, Lupus eritematoso sistêmico, Sarcoidose, Neoplasias, Hepatite B e HIV.
As principais complicações da doença são: desnutrição; doença tromboembólica (sendo a mais comum trombose venosa de MMII); infecções bacterianas, assim como as infecções cutâneas. Além de pneumonia, trombose de veia renal , acidente vascular encefálico, coronariopatia e uma evolução para insuficiência renal crônica, necessitando de hemodiálise. A hemodiálise é o método usado para depurar as substâncias do rim quando ele não consegue mais realizar adequadamente as suas funções.
Um dos principais diagnósticos diferenciais é com a Glomerulonefrite, que é uma doença que se caracteriza também por edema e proteinúria, mas em que há um aumento da pressão arterial, a hipertensão. “Na Glomerulonefrite ocorre um aumento de células inflamatórias, lesivas aos glomérulos renais, e não há um aumento da permeablidade às proteínas. Na glomerulonefrite não temos proteinúria elevada”, destacou a dra Solange.
Espero que tenham conhecido um pouco sobre a Síndrome Nefrótica. Aproveito para desejar a todos um Feliz Natal! Não se esqueçam do verdadeiro sentido, que é o nascimento de Jesus.
Forte abraço e até a próxima,
Anna Barros
(Foto: Gramado/RS. Acervo Pessoal)
boa tarde,
meu filho se chama gustavo henrique e é portador de sindrome nefrotica. queria mais informaçoes sobre essa doença.como faço?
Prezada, sugiro procurar um nefrologista