Neste domingo, a coluna “Orun Ayé”, do compositor Aloísio Villar, fala sobre o tal “fim do mundo” que segundo os Maias aconteceria na próxima sexta feira.
A Última Coluna
Bem amigos…
Hoje é o dia da última coluna. Eu me despeço de vocês com tristeza, pois foi muito bom conviver com vocês nos quase dois anos em que escrevi nesse espaço.
Foi bom enquanto durou, mas domingo que vem não tem mais coluna.
Aliás, não tem mais coluna, blog, eu, Pedro Migão, você, enfim, planeta: porque segundo os Maias o mundo vai para o São João Batista da Via Láctea na próxima sexta-feira.
Então, se você não recebeu até agora nenhum bilhete para embarcar em uma arca eu sinto que as chances de receber nos próximos dias serão pequenas. Na verdade nossas chances de embarque sempre foram pequenas. As arcas foram feitas para gênios da humanidade como Bill Gates, Mark Zuckerberg, ganhadores de prêmio Nobel e o Latino.
Se eu fosse você comprava uma prancha e tentava surfar na tsunami que virá.
Os Maias, que infelizmente não são parentes do Tim – porque aí existiria a esperança de marcarem o fim do mundo e ele não aparecer, previram centenas de anos atrás (quando Pedro Migão ainda era adolescente) que o mundo iria acabar justamente no dia 21 de dezembro de 2012.
Uma previsão firme, certa e precisa, como não tiveram com eles mesmos. Os Maias  não previram que os espanhóis iriam lhes fazer uma visita nada educada e esbagaçar toda a sua existência.
Mas aí, dando uma de Mãe Dinah da Idade Média, disseram que teríamos o privilégio de ver o mundo acabar como a defesa do Palmeiras ao tomar um gol.
E aí? O que faremos?
Bem… Podemos fazer como os seguidores fanáticos de Jim Jones e nos matar. Mas essa idéia, que até é interessante, esbarra em dois problemas.
O primeiro é que a idéia não é muito original. Vários malucos já se mataram pensando em fim do mundo durante a existência desse ser curioso chamado ser humano.
O segundo problema é que pelo menos a religião espírita [N.do.E.: a Messiânica também] diz que o suicida paga do outro lado pelo crime de acabar com sua vida. Eu não estou com vontade de sofrer pelo resto da eternidade, que por ter esse nome eternidade deve levar tempo à beça, e se eles estiverem certos e todo mundo se matar o inferno ficará um inferno. Tipo as praias de São Vicente em um feriado.
Podemos tentar pegar também aquela mulher deliciosa que queremos há tempo, finalmente abrir nossos corações: já que o mundo vai acabar mesmo. Aí esbarra em outro problema. E se mesmo assim ela falar não? Recusar-nos mesmo com o mundo acabando?
Acho que não tem nada pior que você estar com baixa auto-estima na hora do mundo acabar.
Podemos detonar cartões de crédito. Fazer compras a perder de vista, aqueles produtos que sempre sonhamos. Podemos mandar o chefe para aquele lugar. Ou então gente como o Migão pode “sair do armário” e dizer que sempre sonhou se chamar Kelly Cristina e morar em um cabaré.
Mas aí esbarra em outro problema. Vai que por um grande azar o mundo não acaba.
Ficará com uma dívida enorme, nome no SPC e SERASA para o resto da eternidade (ou pelo menos cinco anos), perderá o emprego e será chamado por todos de Kelly Cristina por seus amigos, ganhando calcinha e sutiã no amigo oculto de fim de ano da firma.
[N.do.E.: este risco não corro. Não estou participando de nenhum amigo oculto este ano (risos)]
O fim do mundo trás muitas dúvidas e apenas uma certeza. Quem acertar o dia do fim não poderá tirar onda depois.
Provavelmente o fim do mundo é alardeado desde que ele foi criado. Se Deus tem mulher, provavelmente quando ele terminou a criação ela deve ter dito: “humm, podia ficar melhor, desfaz e começa de novo”. Ele, irritado nesse dia, descansou e inventou o futebol na TV.
Na virada de 900 pra 1000 falaram em fim do mundo. De 1899 pra 1900 também. Quando o cometa Halley passava, as pessoas se ajoelhavam e rezavam pedindo clemência por suas vidas – e o cometa nem aí para eles, só queria dar um role. Quando Paolo Rossi tirou o Brasil da copa de 1982 muitos pensaram no fim do mundo, mas foi apenas o fim do futebol brasileiro.
Na época da guerra fria falavam em fim do mundo, na virada do ano 2000 também, com o papo de “Mil passarás, de dois mil não passarás”. Reinventaram Nostradamus dando a ele status de grande profeta e do homem que previu o fim do mundo.
{N.do.E.: existem picaretas desde que o mundo é mundo, como se pode perceber]
Balela: ele só falava essas coisas e dava uma de visionário para impressionar e comer todas as menininhas da cidade, assim como fez João de Santo Cristo séculos depois.         
E agora a previsão dos Maias. Se essa previsão fosse do César Maia eu estaria apavorado, já que ele conseguiu acabar com o Rio de Janeiro enquanto foi prefeito.
[N.do.E.: só sobrou a Cidade da Música em pé, para receber os fantasmas e almas errantes]
Nessas histórias de fim do mundo e fim da espécie, até hoje só quem dançou foi o dinossauro. Eu no lugar deles iria ao PROCOM ou processaria Deus por bullying.
[N.do.E.: nem tanto. Pelo menos os dinossauros estão ganhando muito dinheiro em filmes americanos, desenhos infantis e especialmente nas prateleiras da Ri Happy.]
Bem… Longe de querer contestar alguém, mas dizem – repito, dizem – que a previsão dos Maias foi feita antes da mudança de calendário para o que usamos atualmente, ou seja: quando a tal previsão ocorreu ainda não existiam os anos bissextos.
[N.do.E.: verdade. O ano bissexto foi instituído em 1582]
Então, se considerarmos os “29 de fevereiro” de todos esses anos que vieram após a previsão, o mundo já era pra ter acabado faz um tempinho. Eita… Será que o mundo acabou e ninguém me avisou? Pior. Será que o Brasil está tão atrasado que o fim do mundo não chegou aqui?
Aliás, se o Brasil hoje não está preparado para Copa do Mundo, como estará para um evento do porte do fim do mundo?
E aí? Se só te restasse um dia ou algumas horas, leitor? O que você faria?
Bem… Eu faria o seguinte… Ah vá, está doido que eu vou dizer, vai que não acaba?
De qualquer forma, essa pode ser a última coluna. Caso só eu sobreviva também não tem coluna porque não vou escrever para ninguém ler: vou é caçar uma Eva pra perpetuar a espécie.
Mas caso o fim do mundo seja adiado mais uma vez, tem coluna domingo que vem, ou melhor, excepcionalmente na segunda – coisas do Pedro Migão.
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Pior que eu escrevo essa coluna no momento que surge um vendaval lá fora..Uma tempestade… Ih rapaz…
…Corram para as colinas!!