Terminado o Brasileirão, começa uma nova temporada: a das especulações de transações entre os times até o começo dos Estaduais.
Por incrível que pareça, ao contrário do que se pode pensar, tais especulações vendem – e vendem muito – em sites e jornais esportivos brasileiros. Muitas vezes mais pela expectativa que um possível reforço leva ao torcedor que pela veracidade da informação.
Evidentemente há aquelas notícias de negociações com embasamento, em que existem realmente tratativas e o material publicado condiz com o que, de fato, ocorre.
Mas, por outro lado, há também notícias falsas: seja por apuração insuficiente por parte do repórter, por “chute” do jornalista em busca de um furo (é o famoso “se colar, colou”), por preocupação do veículo em “vender” de qualquer forma ou até por aquelas notícias “plantadas” por dirigentes.
Posso relatar dois exemplos altamente positivos que vi de perto quando trabalhava no Diário LANCE!: as contratações de Vagner Love pelo Flamengo em 2010 e a de Seedorf pelo Botafogo em 2012.
Em ambos os casos, vi de perto os repórteres apurando exaustivamente as informações e trocando ideias com os editores que, entre eles, também discutiam a validade de se publicar determinada notícia nova sobre a negociação até que outras fontes fossem ouvidas.
Nos dois casos, o LANCE! publicou primeiro – e com correção – a notícia da negociação e também da contratação. As matérias saíram sempre com muitas informações de bastidores, como tempo de contrato, valores, entre outras coisas, e não simplesmente uma notícia vazia, sem embasamento.
Mas infelizmente há casos em que tais premissas são deixadas de lado.
Por exemplo, nos anos 90 um jornal carioca – sinceramente não me lembro qual – estampou em letras garrafais: “BATISTUTA NO FLAMENGO”. Na época, a internet ainda engatinhava e eu nem engatinhava enquanto jornalista, já que comecei a faculdade no ano seguinte. Inocentemente comprei o jornal e a matéria quase não tinha informações. Então, ou era “chute”, ou notícia plantada ou má apuração. É claro que Batistuta (foto) nunca jogou no Mengão.
Com o passar dos anos, e da profissão, passei a saber filtrar melhor aqueles veículos (jornais, TVs, rádios, sites, etc) que passavam mais informações com correção e, principalmente, comparar o tipo de texto de uma notícia que se revelou verdadeira com uma que se mostrou equivocada.
Por exemplo, leitor: desconfie quando um clube X estiver numa crise e, de repente, surgir uma notícia de uma negociação bombástica. Normalmente os dirigentes plantam essas notícias para desviar o foco dos problemas da equipe naquele momento.
Desconfie também quando um clube Y estiver com um elenco péssimo e aparecer a informação de que o craque Z está a caminho. Um craque nunca negocia com um clube de elenco ruim; enquanto para o dirigente é importante dar uma satisfação à torcida para arrefecer as cobranças.
Preste atenção também no histórico do repórter. Caso o jornalista seja conhecido pelo excessivo número de “barrigas” (quando o jornalista publica ou divulga uma informação errada), desconfie quando ele anunciar um grande troca-troca entre clubes.
E, principalmente: desconfie quando as matérias não houver muitas informações de bastidores ou quando o contexto publicado for esquisito demais.
Existem ainda os casos em que a negociação começa de forma verdadeira, mas a transação não se confirma por N motivos. Um exemplo foi quando o meia Márcio Mossoró se destacou no Paulista de Jundiaí. Na semana em que o clube paulista bateu o Fluminense na decisão da Copa do Brasil, Flamengo e Vasco efetivamente negociavam com o jogador.
Mas aí alguns dirigentes de ambos os clubes começaram a passar informações truncadas e tentar tirar partido disso na negociação. No fim, ninguém contratou o jogador.
[N.do.E.: o atleta em questão foi contratado posteriormente pelo Internacional de Porto Alegre. Hoje joga em Portugal.]
Ao longo dos últimos anos, com sites, blogs e redes sociais, a quantidade de notícias imprecisas cresceu ainda mais, devido à necessidade de se ‘subir’ logo alguma matéria antes do concorrente. Como é possível ir editando as matérias publicadas, muitas vezes se acrescenta ou corrige o texto sem que o leitor seja informado dos erros.
Eu, sinceramente, conforme fui ganhando experiência no jornalismo, cada vez menos passei a ler o noticiário de futebol nessa entressafra. Prefiro esperar as confirmações e o jogador vestir a camisa.
Mas para você, leitor: recomendo acompanhar bem de perto essa fase para aprender a separar o joio do trigo a partir de agora.
Flamengo em novas mãos
Na semana em que os rubro-negros (eu inclusive) comemoram o terceiro aniversário do hexacampeonato, Eduardo Bandeira de Mello derrotou Patricia Amorim na eleição para o triênio vindouro.
Minha avaliação sobre gestão Patricia é bem simples. Houve avanços inegáveis na sede social e no centro de treinamento, mas, nas questões relativas ao futebol, o desastre só não foi de 100% porque o Mais Querido não foi rebaixado no Brasileirão. Nunca o Flamengo foi tão achincalhado e motivo de chacota como nesses três anos, pela incompetência dessa diretoria.
Fui sócio do clube por duas décadas, mas, por compromissos profissionais e, principalmente, por estar morando em São Paulo nos últimos anos não acompanhei de perto o processo eleitoral como em outras ocasiões.
Diante disso, só posso dizer o seguinte: espero que a Chapa Azul, vencedora no pleito após o apoio de ícones como Zico e Júnior, retome a tradição democrática do clube e seja 100% transparente, além de cumprir as (inúmeras) promessas de campanha, principalmente a da ruptura com os atuais conceitos de gestão.
Torço muito pelo sucesso de Eduardo Bandeira de Mello e seus parceiros. O sucesso deles nessa jornada será o sucesso de um dos amores da minha vida.