Hoje, a coluna “Sabinadas”, do jornalista Fred Sabino, fala sobre o término do campeonato da principal categoria de automobilismo do Brasil, a Stock Car, e de seu campeão, o controverso – para muitos – Cacá Bueno.
Pessoalmente, tinha certa implicância com o sujeito, mas mudei minha impressão quando estive cobrindo a etapa carioca da categoria, em julho (foto). Mesmo visivelmente atarefado, não se recusou a parar para trocar algumas palavras e uma foto.
Cacá Bueno
No último fim de semana acompanhei de perto a última etapa da temporada da Stock Car, em Interlagos; e a conquista de mais um título de Cacá Bueno, o personagem mais famoso e competente da principal categoria do nosso automobilismo.
Pelo seu jeito franco, sem meias palavras, e por ser filho de Galvão Bueno, um personagem que desperta amor e ódio do público, Cacá tem lá seus críticos. Mas, de cadeira, posso afirmar que não há a menor razão para isso.
Contudo, antes de falar sobre ele, comecemos pela temporada do pentacampeonato. Na extremamente competente equipe Red Bull Mattheis, Cacá venceu três das primeiras cinco corridas, mas a pontuação achatada de 2012 (só dois pontos separando o vencedor do segundo colocado e mais 18 pilotos pontuando) não o fazia disparar.
Depois, Bueno não teve mais um carro tão dominante, mas, com eficácia e inteligência, somou pontos importantes e se colocou na melhor condição para a Corrida do Milhão, que teve pontuação dobrada.
O quarto lugar bastava, independentemente dos resultados de Átila Abreu, Ricardo Maurício, Daniel Serra, Valdeno Brito, Max Wilson e Nonô Figueiredo, ou demais postulantes ao título.
No último domingo, numa prova com dez minutos a mais do que os 40 habituais, os pilotos se dividiram entre os que fizeram reabastecimentos e os que tentaram ir até o fim sem pit stop, devido às intervenções do safety car.
Pois bem: Allam Khodair, Galid Osman e Nonô Figueiredo brigaram pela vitória até bem perto do fim e ficaram pelo caminho. Cacá Bueno, não. Poupou etanol de forma brilhante sem cair tanto o ritmo e só não ganhou porque a equipe o orientou a acelerar na volta final. Faltaram 200 ml. Mas isso é o de menos.
Com inteira justiça é pentacampeão. Só o gigantesco Ingo Hoffmann, com 12 conquistas, está à frente. Cacá Bueno é o melhor piloto em atividade no Brasil e um dos maiores da nossa história em carros de turismo.
Mas queria exaltar o lado extra pista de Cacá. Como escrevi no começo, ele tem posições firmes e coerentes sobre todos os temas ligados ao automobilismo. Recentemente admitiu em entrevista ao meu amigo Bruno Vicaria, do site Total Race, que não se considera o piloto mais veloz, mas que o conjunto vinha sendo seu ponto forte. E é isso mesmo, sem arrogância ou falsa modéstia.
Da mesma forma, ciente do peso que tem no cenário automobilístico nacional, Cacá cobra sistematicamente melhorias nos autódromos nacionais, reciclagem dos comissários de pista – que até melhoraram em 2012 – e incentivos às categorias de base no país.
Bueno foi ainda um dos artífices da comissão de pilotos da Stock Car, que exigiu mudanças nos carros para uma melhoria da segurança após o acidente fatal de Gustavo Sondermann no começo de 2011. Hoje, os carros da categoria têm novos revestimentos anti chama e um banco que protege mais o piloto.
Nas entrevistas, Cacá não foge das perguntas e discorre sem pressa sobre qualquer assunto. Faz questão que o interlocutor ouça claramente o que quer dizer. Isso porque ele sempre tem algo a dizer.
Lembro que pelo menos duas vezes ele me deu entrevistas que eram para ser de meia hora e que acabaram durando o dobro – aliás, era difícil editá-las porque todas as respostas eram boas.
Cacá também não deixa os fãs na mão. Cansei de vê-lo pelos paddocks brasileiros parando dezenas de vezes para tirar uma foto e dar um autógrafo. Como se espera de um campeão.
Alguns poderão dizer: “ah, mas fica chato ele ganhar todo ano, vou torcer contra”. O.K., é um direito de torcedor.
Mas, convenhamos, o penta da Stock Car (2006, 2007, 2009, 2011 e 2012), o tri da Copa Fiat (2010, 2011 e 2012), o caneco da Stock Car Light (1997) e o título do Sul-Americano de Superturismo (1999) são incontestáveis.
E, acima disso, o automobilismo brasileiro precisa de Cacá Bueno.
Por muito tempo.
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