Rio_de_Janeiro_at_nightNesta segunda, excepcionalmente, a coluna “A Médica e a Jornalista”, da Anna Barros, fala sobre São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro, cuja data foi comemorada ontem.

Ao contrário do que muita gente pensa, 20 de janeiro não é a data de fundação da cidade do Rio de Janeiro, mas sim 1º de março. Além disso, dentro da tradição cultural e religiosa carioca São Sebastião é o padroeiro de diversas escolas de samba cariocas, bem como de algumas baterias – como a da Portela.

Passemos ao post.

Viva São Sebastião!

Minha ligação com São Sebastião sempre foi próxima.

Desde que me mudei para a Tijuca, perto da paróquia dele, a dos frades capuchinhos, temos esta estreita relação. Sempre o vi como um homem culto, então meus pedidos eram todos relacionados aos estudos. Sempre levava para ele rosas vermelhas e retornava para agradecer o sucesso nos estudos da escola e da faculdade. E assim construímos essa ‘amizade’ espiritual há 25 anos.

Não é à toa que São Sebastião é o padroeiro do Rio de Janeiro. Ele sempre foi guerreiro, pois era militar e abraçado definitivamente a Cristo. É o único santo bimartirizado da Igreja,  ou seja: duas vezes mártir. Sua festa litúrgica acontece todo o dia 20 de janeiro, feriado na Cidade Maravilhosa.

Sebastião nasceu em Narbonne, França, e foi cidadão de Milão, Itália – porque seus pais eram italianos. Seu nome significa venerável. Era homem de confiança do imperador Diocleciano, e como era militar, trabalhava na sua guarda pessoal. Mas o imperador o declarou traidor por ele aplicar penas brandas aos cristãos. Então, o condenou a ser morto por flechas.

Foi jogado no rio, mas sobreviveu. Foi socorrido por Irene e depois se apresentou novamente ao imperador Diocleciano, que o condenou à morte por espancamento. Seu corpo foi atirado na rede de esgoto e resgatado por Luciana, que o enterrou nas catacumbas da Via Appia.

A primeira pintura  que retrata São Sebastiao o mostra como um homem maduro, de barba, vestido com cerimônia. A imagem que conhecemos, icônica, em que ele está crivado por flechas e preso a uma árvore, data do Renascimento. As suas relíquias foram levadas para St Medards, em Soissons, em 826.

A imagem histórica de São Sebastião, de 1565, ano da fundação do Rio de Janeiro, está na Paróquia de São Sebastião, da Tijuca, assim como os restos mortais do fundador da cidade, Estácio de Sá, e o marco zero da fundação.

Na batalha crucial entre portugueses e franceses pela posse da Baía de Guanabara, em 1566, os soldados portugueses julgaram ter visto São Sebastião encorajando-os a lutar contra os inimigos, garantindo assim a vitória portuguesa e o domínio sobre o Rio de Janeiro recém-fundado. Visitar essa paróquia é estar mais perto da nossa memória histórica e também de São Sebastião, que tem a cor vermelha como símbolo.

Logo, a tradição do culto a São Sebastião vem de nossos ancestrais portugueses, que a trouxeram consigo para o Brasil.  Ele também é o terceiro padroeiro da cidade de Roma, depois de São Pedro e São Paulo.

São Sebastião sempre simbolizou o amor apaixonado a Deus porque sempre defendeu os princípios cristãos. Que possamos sempre ser como ele é: defender Jesus Cristo em quaisquer circunstâncias. Ele protege a todos nós das guerras, das epidemias, da fome.

Forte abraço e até a próxima!

Anna Barros