Esta semana iniciou-se mais uma edição do famigerado Big Brother Brasil, programa que em sua décima terceira temporada galvaniza as mentes lobotomizadas e literalmente teleguiadas da nação.
O mote do programa é relativamente simples.
Um número de pessoas variável é selecionado de forma teoricamente democrática – logo veremos que esta afirmação é problemática – e confinado em uma casa sem qualquer contato com o mundo exterior, pelo menos teoricamente. A aposta é de que, nestes tempos conectados, as pessoas irão se interessar em observar a vida cotidiana dos confinados na casa. Para esta temporada houve alguma mudanças: serão oito participantes confirmados previamente (acima), outros sairam de uma prévia ocorrida em uma “casa de vidro” e ainda teremos seis ex-participantes do programa retornando.
Entretanto, o programa possui algumas características que o desviam de seu objetivo final.
O primeiro é a seleção dos participantes. Já virou folclore o fato de serem verdadeiros incautos aqueles que enviam os seus vídeos todo ano para a produção do programa. Na prática, somente vai abastecer o estoque de “vídeos ridículos” exibido por um dos canais a cabo da emissora a cada temporada de exibição – e ser motivo de risadas em rede nacional.
Basta começar o programa e logo se vê que fulano era amigo de artista, que beltrano já havia trabalhado no meio artístico, que três ou quatro eram indicados por “olheiros” da produção, mais três ou quatro entraram direto na fase final de seleção… ou seja, quem enviou o vídeo caiu em uma esparrela. Logo saberemos as relações da maior parte dos participantes com o meio – já se sabe que uma das participantes já realizou ensaio sensual.
Outro ponto é que o perfil dos participantes é basicamente o mesmo. Sarados, gostosas e praticamente lobotomizados. Normalmente é um festival de asneiras, agressões ao vernáculo e exibição gratuita de corpos. Em algumas edições houve a indicação de participantes com perfis mais próximos do encontrado em nossa população, mas em média ou saíam na primeira eliminação ou ganhavam o prêmio.
Aí temos outro problema. Não afirmo que há manipulação de resultado, mas no mínimo a edição é “direcionada” para um ou outro postulante. Exatamente por este motivo que pessoas oriundas das camadas sociais mais humildes deixaram de participar do programa, porque o público tendia a privilegiar aqueles que precisariam mais do prêmio.
Entretanto, temos um sofisma.
Sob a alegação de que o público “gosta de coitadinhos” reduz-se a gama de participantes e, com esta limitação, a direção fica livre para direcionar as escolhas para este ou aquele “ungido”.
Parêntese: de uns anos para cá – não saberia determinar a data exata – passou a haver uma certa “procura” por participantes homossexuais: nesta edição que se inicia há pelo menos um, mas ano passado foram quatro, um terço do total de então. Não saberia explicar o porquê deste incremento de “brothers” gays e lésbicas por parte da produção do programa, mas faço o registro. Fecha o parêntese.
Reromando o tema, mais uma excrescência é a esperança que todos os participantes tem de se tornarem “artistas” – mesmo que isto signifique, apenas, a presença em “books” de hotéis de luxo. Após o programa, aqueles que não conseguem virar “celebridades” acabam vagando, como almas penadas, por programas fúteis de outras emissoras – até voltarem, como espectros plasmáticos, à anonimidade. Ou a uma nova edição do programa.
São as “celebridadades Miojo”: demoram trêm minutos para aparecerem e desaparecem no mesmo tempo em que se consome o macarrão instantâneo – com raras exceções que confirmam a regra.
Na prática, todos representam. Uns por quererem entrar para o meio artístico, outros atrás do dinheiro do prêmio.
Como resultado da preferência por corpos sarados e neurônios escassos, o nível do programa é de doer. A língua portuguesa é vilipendiada sem perdão nem piedade; muitas vezes, há o incentivo a comportamentos não muito adequados a serem exibidos em horário nobre – com direito a uma muito mal contada história de um suposto estupro na última edição. Querendo ou não, a televisão tem uma força fundamental – e, normalmente, nociva – na formação do cidadão.
Obviamente, o leitor deve estar se perguntando o porquê do sucesso do programa, apesar de tantos defeitos.
Penso que se deve a uma série de fatores.
Primeiro pelo fato de explorar algo que é inerente ao ser humano, que é a curiosidade e, por que não, o voyeurismo. Segundo porque o padrão de beleza adotado pelos organizadores é um espelho tomado pelo homem comum como ideal: normalmente são belas moças e homens de aparência máscula – mesmo que seja só aparência em muitas ocasiões.
O terceiro fator é a dinâmica do programa, sempre com várias etapas e alternativas. E, por último, a força da emissora, que massifica em sua programação o Big Brother.
Registro, também, que lamento que espetáculos como o carnaval carioca fiquem subordinados a este tipo de programa. O desfile das grandes escolas na segunda feira de carnaval somente se inicia após o término do programa.
Agora, sinceramente ? Acho um lixo, perda de tempo. Prefiro um bom livro.
Pedrao, tu acha um lixo, perda de tempo, diz que prefere um bom livro. Ok.
Mas assiste a parada, né? Tanto que esbanja conhecimento. A ponto de escrever um texto inteiro desse.
Liga não. Durante um bom tempo um segmento da sociedade estufava o peito pra dizer que não via novela. Só que via.
Na verdade, Marco, basta uma pesquisa rápida na internet, porque o que não falta são referências ao programa. abraço