Nesta segunda feira, a coluna “Desenferrujando e Consertando”, assinada pela fisioterapeuta Daniela Souto, retoma o tema da coluna de estreia e volta a falar sobre os males da coluna, em especial a hérnia de disco.
“Coluna Vertebral – Parte II”
Continuando com o tema de Coluna Vertebral no Ouro de Tolo, hoje iremos falar sobre dores na coluna vertebral, hérnia de disco e possíveis tratamentos.
Embora a dor na coluna seja uma bastante comum no dia a dia, não são todas as queixas que evoluem para uma doença mais séria, como a hérnia de disco. A maior parte dessas dores some com o tempo – e alguma ajuda terapêutica. A exceção costuma ser o sofrimento causado por uma hérnia, mal capaz de impedir as tarefas mais rotineiras. Hoje é dia de falar de uma das patologias da Coluna Vertebral que mais preocupam profissionais da saúde em todo mundo: a hérnia de disco. Mas o que é hérnia de disco?
Conceitualmente, a hérnia de disco é quando a parte central do disco intervertebral (o núcleo pulposo) se projeta além de seus limites normais (a parte externa do disco, o ânulo fibroso). Ocorre geralmente póstero-lateralmente, em virtude da falta de ligamentos que sustentem o disco nessa região.
O disco intervertebral é uma placa cartilaginosa que forma uma almofada entre os corpos vertebrais. Após traumatismos (quedas, acidentes automobilísticos, esforços ao levantar, entre outros), a cartilagem pode ser lesada, comprimindo raízes nervosas. Em qualquer local da coluna vertebral pode haver essa “herniação” discal.
Para você visualizar como isso ocorre, imagine um sonho de padaria, sem muito recheio. Ao apertar o sonho, parte do recheio virá para fora da massa. O recheio, no caso, é o núcleo pulposo e a massa o disco intervertebral. Esse extravasamento é o que caracteriza a hérnia de disco.
A coluna vertebral é disposta de uma vértebra em cima da outra, separados por discos. Esses discos protegem a coluna vertebral e deixam espaço entre as vértebras, permitindo que haja movimento entre as vértebras, o que permite a você se curvar ou se alongar. Os ossos (vértebras) da coluna vertebral protegem os nervos que se originam no cérebro e descem pelas costas, formando a medula espinhal. As raízes dos nervos são nervos longos que se ramificam a partir da medula espinhal e saem da coluna vertebral entre cada vértebra.
Porém, com a má postura, carregamento de peso acima do que a coluna suporta, traumas, esses discos podem sair do lugar (hérnia) ou se abrir (rompimento) por lesão ou esforço. Quando isso acontece, pode haver pressão nos nervos espinhais. Isso leva a dor, cãibras ou fraqueza. Com o surgimento dos sintomas, geralmente, a pessoa procura ajuda médica.
A hérnia de disco ocorre com mais frequência na parte inferior (região lombar) da coluna. Os discos do pescoço (cervicais) são afetados em uma porcentagem pequena dos casos. Os discos da parte superior e média das costas (torácicos) raramente estão envolvidos. A dor lombar ou no pescoço pode ter sensações bem diferentes. Pode ser formigamento suave, dor surda ou dor com queimação ou pulsante.
Em alguns casos, a dor é tão forte que impossibilita o movimento. A dormência e a falta de força em ombros, cotovelo, antebraço e dedos das mãos além da perna, quadril ou nádegas, acompanham os sintomas da hérnia de disco e podem ser sentidos mais de um lado do corpo do que do outro.
A dor da hérnia de disco em geral começa gradualmente. Ela pode piorar depois de ficar em pé ou sentar, durante a noite, ao espirrar, tossir ou rir, ao se dobrar para trás ou andar mais do que alguns metros.
O tratamento inicial dos sintomas da hérnia de disco é repouso com o uso de medicamentos analgésicos e o início da Fisioterapia para fazer a analgesia local e reequilibrar a musculatura da coluna para que novos sintomas não apareçam. Ao seguir essas recomendações, a maioria das pessoas se recupera e retorna às suas atividades normais. Poucas pessoas precisarão de mais tratamento, que pode incluir injeções de esteroides ou cirurgia.
Algumas outras atitudes são importantes para que a hérnia não seja um problema constante na vida da pessoa. As pessoas que estão acima do peso precisam diminuir a pressão na musculatura que pode levar à alteração do disco, portanto dieta e exercícios são cruciais para melhorar a dor nas costas de pacientes com excesso de peso.
Além disso, tem a parte preventiva do tratamento, com a fisioterapia ajudando a inserção de novos hábitos que não sobrecarreguem tanto a sua coluna, como um melhor posicionamento no trabalho (a ergonomia atua nessa área), levantamento de objetos, melhor posição para dormir, se sentar dentre outras atividades diárias.
Além da parte preventiva, a fisioterapia atua na anagelsia da musculatura comprometida, no alongamento e fortalecimento dos músculos que ajudam a sustentar a coluna e músculos que sofreram com os sintomas da hérnia de disco.
A maioria das pessoas com hérnia de disco melhora com o tratamento. Uma pequena porcentagem pode continuar tendo dor nas costas mesmo depois do tratamento. Injeções de analgésicos e de esteróides podem ajudar a combater as dores e a cirurgia pode ser uma opção para os poucos pacientes cujos sintomas não desaparecem com outros tratamentos e ao longo do tempo.
A mudança de hábitos é essencial para que o “convívio” com a hérnia de disco seja possível, sem que os sintomas atrapalhem sua vida diária. Tenho hérnia de disco na cervical, diagnosticada há seis anos, nunca tomei injeção para dor; mas percebi pela falta de força de sustentar uma jarra de suco que a situação não era boa.
Não eram mais somente as dores que eu já sentia por trabalhar 9, 10 horas e dormir mal que me acompanhavam. Passei por um tratamento efetivo de fisioterapia, realinhamento postural, além de sessões de shiatsu para relaxamento da musculatura do pescoço e auriculoterapia.
Mudei hábitos, incorporei pausas no trabalho e alongamentos na região de pescoço, que é o local que os sintomas se apresentaram. Não brinco com dor na coluna porque dor na coluna pode ser incapacitante.
A incorporação de novos hábitos, mesmo sendo fisioterapeuta, não foi fácil (conhece o ditado “casa de ferreiro, o espeto é de pau”, leitor?). Nunca é, mas com disciplina e boa vontade, é possível.
Até a próxima!
Excelente post, muito bem escrito.