1002cb993(Foto: R7)

Ainda antes da apuração, a coluna Sabinadas, do jornalista Fred Sabino, traça sua avaliação dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro.

Vila Isabel, o destaque do Carnaval 2013

Chegou ao fim mais um desfile do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Não foi um dos melhores carnavais que vi em mais de 25 anos, mas houve ainda boas apresentações: sobretudo a da Unidos de Vila Isabel, brilhante em todos os quesitos. 

Gostei ainda da Beija-Flor, que voltou a mostrar o poderio de carnavais anteriores, da Portela, que aos poucos retoma seu caminho de grandeza, e da Mangueira, que esbarrou nas inovações mas deixou boa impressão após fase pré-carnavalesca difícil. 

Não consegui ver ao vivo todos os desfiles. Mas, depois de revê-los, e de ver as apresentações que faltavam, além de me informar com mais pessoas que viram os desfiles, aqui vai uma avaliação sobre cada escola neste Carnaval-2013. 

Inocentes de Belford Roxo – O difícil enredo sobre a Coreia do Sul não rendeu na avenida, como era esperado. A escola até passou com dignidade, mas não conseguiu o algo mais que precisava para escapar do risco de rebaixamento. 

Acadêmicos do Salgueiro – Apesar do fraco samba, a escola da Tijuca fez uma ótima exibição. Mais uma vez o talento de Renato e Márcia Lage ficou evidente e o tema foi passado com bastante correção em carros e fantasias criativas e de ótima comunicação com o público. Não fosse a posição de desfile ingrata, nunca perdoada pelos jurados, teria mais chances na briga pelo campeonato. 

Unidos da Tijuca – Embora tenha feito uma boa apresentação, a campeã de 2012 ficou abaixo do que produziu em anos anteriores, principalmente por dois fatores: o samba, que não funcionou, e os erros que embolaram o desfile. 

União da Ilha do Governador – O barracão organizado e adiantado produziu alegorias e fantasias corretas. Faltou, no entanto, um samba que levasse a Ilha a um desfile mais quente. De qualquer forma, um desfile digno da Tricolor insulana. 

Mocidade Independente de Padre Miguel – Apesar de ter sido um desfile bem alegre, o enredo sobre o Rock in Rio foi apresentado de uma forma um tanto confusa. 

Portela – Bom ver a maior campeã do Carnaval voltando a fazer desfiles à altura das suas tradições. Nos quesitos de pista, a escola foi muito bem, com a bateria de novo dando ótima sustentação ao excelente samba. Só faltaram alegorias um pouco melhores para que a Águia entrasse firme na briga pelo título. Mas a Portela tem tudo para voltar a ser forte como foi durante tantas décadas. Basta se estruturar.

São Clemente – A escola foi irreverente como de costume e teve até alas criativas. Mas no conjunto a apresentação ficou devendo em relação aos últimos dois anos. Faltou um samba de melhor qualidade. 

Estação Primeira de Mangueira – A Verde e Rosa fez sem dúvida seu melhor desfile em anos. Fantasias e alegorias mais bem cuidadas e um enredo, apesar de patrocinado, transmitido com correção. Mas a escola, pela enésima vez, esbarrou no gigantismo e nos próprios erros. A ideia das duas baterias, embora tenha sido um show para o público, causou lentidão na evolução. Para encerrar, o último carro tinha uma grua (com uma borboleta) de altura maior do que a da torre de TV e precisava ser manobrado de forma muito precisa para vencê-la. Não deu certo e o fim do desfile, já atrasado em um minuto, terminou seis além do tempo. Pontos que sepultaram qualquer chance de título. Outro problema, recorrente, foi o excesso de componentes descompromissados com a escola e que não cantaram o samba. Até quando? 

Beija-Flor de Nilópolis – Tal como a Mangueira, a agremiação nilopolitana realizou sua melhor exibição em pelo menos cinco anos – em 2011, não considerei justo o título. Carros e fantasias impecáveis, canto extraordinário da raçuda comunidade e bateria competente. Quando a escola passava, acreditava estar vendo a campeã. Mas no fim, percalços em evolução atrapalharam o desfile e a escola cometeu erros que podem ser fatais na briga pelo título. De qualquer forma, extremamente elogiável a apresentação da Beija-Flor. 

Acadêmicos do Grande Rio – Sem dúvida a grande decepção do ano. Para quem sempre vinha com desfiles sólidos, a escola de Caxias esteve bem abaixo do que se esperava. O tema sobre os royalties do petróleo era difícil e o desfile não foi nem frio, mas gélido. A bateria do extraordinário Mestre Ciça salvou a exibição da escola, que teve ainda um conjunto alegórico muito inferior em relação ao dos anos anteriores. No entanto, pela força política do tema, pode ainda voltar no sábado, não duvidem disso. 

Imperatriz Leopoldinense – A escola de Ramos foi outra que fez uma apresentação superior em relação às dos anos anteriores. Alegorias e fantasias melhores e desempenho mais correto nos quesitos de pista. No entanto, ainda falta algo de mais impacto à agremiação para voltar a se firmar como frequentadora do Desfile das Campeãs. Mas o desfile sobre o Pará é um alento para a vitoriosa GRESIL.

Unidos de Vila Isabel – Depois de erros decisivos de todas as principais candidatas ao título, a Vila entrou na avenida sabendo que tinha a faca e o queijo na mão para entrar com força nessa briga. E, com um samba brilhante, alegorias e fantasias de ótimo gosto e acabamento, canto forte durante todo o tempo, e uma ótima bateria, a Vila fez o melhor desfile do Carnaval-2013. O enredo sobre a vida no campo também era patrocinado, mas Rosa Magalhães voltou aos seus grandes dias e o tornou de boa leitura para o público. Está de parabéns a escola do bairro de Noel, aconteça o que acontecer na apuração.

 

One Reply to “Sabinadas – “Vila Isabel, o destaque do Carnaval 2013””

  1. Qual a razão da Unidos da Tijuca não ser punida no julgamento da LIESA e nenhum comentarista e jornalista de carnaval, tecer comentários a respeito dos 32 tripés na ala “floresta negra”?

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