Nesta sexta feira, a coluna “Sabinadas”, do jornalista esportivo Fred Sabino, discorre sobre o benéfico efeito trazido pela contratação de Seedorf ao (justo) campeão carioca deste 2013.

Seedorf: Orgulho Alvinegro

No último domingo, o Botafogo conquistou com inteira justiça o título do Campeonato Carioca. Ganhou os dois turnos de forma incontestável, sem que seus principais rivais o ameaçassem de fato. Ainda enfileirou vices ao Vasco (na Taça Guanabara), Fluminense (na Taça Rio) e Flamengo (na contagem geral de pontos). Enfim, barba, cabelo e bigode.

Já ouvi por aí um certo desdém de alguns torcedores de outros clubes em relação ao fato de o Estadual do Rio estar esvaziado e não ter nem estádios à altura das suas tradições. Isso não quer dizer bulhufas. O Botafogo não tem nada com isso e conquistou seu vigésimo campeonato ao jogar com seriedade e competência.

Porém, mais do que a boa fase do Botafogo, que, desde a semifinal contra o Flamengo na Taça Guanabara teve 100% de aproveitamento em 11 partidas, chamou a atenção a categoria, o profissionalismo, o desprendimento e a emoção de Clarence Seedorf, o camisa 10 do clube de General Severiano.

Nascido no Suriname há 36 anos e depois naturalizado holandês, Seedorf desfilou seu talento nos principais palcos do futebol mundial. Defendeu Ajax, Sampdoria, Real Madrid, Milan e, agora, o Botafogo. Conquistou por quatro vezes a Liga dos Campeões da Europa e disputou a Copa de 1998 – na qual foi um dos destaques da Holanda, quarta colocada.

Mesmo sendo sempre um exemplo de conduta e profissionalismo, alguns torceram o nariz quando Seedorf resolveu vir para o Brasil. Com a idade já avançada e tendo uma esposa brasileira, o meia arrancou certa desconfiança: será que ele vai jogar mesmo ou vai “passar férias” no Brasil?

Seedorf tratou imediatamente de desfazer qualquer dúvida. Mesmo com o Botafogo tendo uma campanha irregular no Brasileirão de 2012, o holandês desfliou sua categoria: gols, passes precisos, inversões de jogo inteligentes, determinação e, acima de tudo, comprometimento.

O Botafogo pode nem ter se classificado para a Libertadores deste ano, mas a semente estava plantada. Um ídolo à altura das tradições alvinegras estava novamente a brindar os torcedores. E este primeiro semestre está servindo para comprovar isso. Mesmo encarando gramados horrorosos, partidas deficitárias e uma inaceitável (não por culpa dele, mas do péssimo árbitro Philip Georg Bennett) expulsão no jogo contra o Madureira – o apitador alegou que o meia estava fazendo cera, Seedorf jamais tirou o pé.

Continuou liderando o Botafogo no Carioca a ponto de se emocionar como criança depois de o Alvinegro derrotar o Fluminense na partida derradeira da competição. Foi reverenciado por todos os companheiros como o líder de verdade que é.

Agora, Seedorf e seus parceiros terão pela frente a sequência da Copa do Brasil e todo um Brasileirão. Evidentemente não será fácil para ele e o Botafogo conquistarem mais títulos. Afinal, mesmo com um time bem dirigido pelo Oswaldo de Oliveira, são duas competições difíceis, com suas particularidades.

Mas, independentemente de qualquer resultado do Botafogo na sequência da temporada, os torcedores alvinegros podem se orgulhar. Clarence Seedorf é um ídolo de verdade, simples e verdadeiro.

Um ídolo que qualquer clube gostaria de ter.

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