Nesta sexta feira, a coluna “Sabinadas”, do jornalista esportivo Fred Sabino, faz uma análise da Copa das Confederações que se inicia amanhã, com o jogo Brasil e Japão no Estádio Nacional de Brasília (foto). Estarei domingo em México e Itália e na próxima quinta em Espanha e Taiti: pretendo colocar minhas impressões sobre as partidas nesta revista eletrônica.

Copa das Confederações: Laboratório, sim. Conclusiva, não

Eis que finalmente a bola vai rolar para valer no Rio de Janeiro, em Brasília, em Belo Horizonte, em Salvador, em Fortaleza e em Recife para a Copa das Confederações. De um torneio pouco prestigiado, a competição virou um laboratório para as seleções um ano antes da Copa do Mundo e para os países-sede, já que nas últimas edições o evento passou a ser um teste de estádios e outras instalações para o ano seguinte.

Infelizmente no que diz respeito à preparação do país, o que se previa acabou acontecendo. Os estádios ficaram “prontos”, mas com gastos muito superiores aos das projeções inciais. O Maracanã (me nego a chamar de arena, como virou modinha) custou mais de R$ 1 bilhão, superando em mais de R$ 300 milhões o previsto. O Mané Garrincha em Brasília, onde, digamos, trabalham os políticos deste país, chegou a R$ 1,3 bilhão.

Mas o pior, bem pior aliás, é que pouco se avançou em obras estruturais nas cidades. As reformas dos aeroportos estão muito atrasadas e as intervenções de mobilidade urbana estão ainda mais defasadas. Só neste ano por questões de trabalho estive, além de São Paulo, onde moro, no Rio, em Curitiba, Salvador, Brasília e Porto Alegre.

Corrijam-me se eu estiver errado, mas só na capital gaúcha eu vi alguma coisa avançada para valer em vias, mas apenas no entorno do novo estádio do Grêmio, que nem na Copa está… Enfim, não é difícil prever que só o básico será feito e, evidentemente, num custo muito superior ao previsto. Triste.

Passando para dentro das quatro linhas, a preparação do Brasil também foi claudicante. Ocupado também com a Seleção Olímpica, Mano Menezes demorou muito a encontrar uma formação para a equipe principal e quando finalmente parecia engrenar, foi mandado embora. Dizem, por questões políticas.

Chegou Felipão e os primeiros jogos foram muito ruins. Contra a França, houve já alguma evolução e espera-se que, com o tempo de treinos maior, o time fique mais encorpado. Mas o treinador, em que pese ter convocado razoavelmente bem, poderia ousar mais na escalação. A meu ver, hoje, Hernanes e Lucas poderiam ser titulares com tranquilidade.

Ainda com muito a evoluir, mas por jogar em casa e por ser Brasil, o time comandado por Felipão é um dos favoritos ao título. Mesmo sem brilhar, pode ganhar, por que não? Mas será preciso superar adversários perigosos.

Apesar de não atravessar um momento tão exuberante, a Espanha é, sem dúvida, o obstáculo mais forte. Os jogadores são fortíssimos e o conjunto adquirido ao longo dos anos é inquestionável. Não à toa é a atual bicampeã europeia e campeã mundial.

A Itália está bem nas Eliminatórias da Copa, mas é um time instável por natureza, a ponto de ter empatado com o “possante” time do Haiti em São Januário durante a semana. Tal instabilidade é vista com eloquência no principal astro do time, o atacante Balotelli, capaz de lances brilhantes e destemperos ridículos. Fora a máscara… Mas, como diria aquele filósofo pós-moderno, Itália é Itália.

Em relação aos outros adversários do Brasil na fase de grupos, México e Japão mostraram clara evolução nos últimos anos e estão “perdendo o medo”. O time mexicano é jovem e já aprontou para cima do Brasil na Olimpíada, ou seja, acabou com aquele papo clássico dos jornais de lá que “jogou como nunca e perdeu como sempre”. O Japão, por sua vez, já conseguiu a vaga para a Copa de 2014 e os jogadores vêm ganhando cada vez mais rodagem internacional. Ainda é uma incógnita, mas pode também surpreender.

Pelo lado do grupo da Espanha, a situação é mais definida.

Falemos primeiro do Taiti. Com todo respeito, os simpáticos jogadores da Oceania já estão de missão cumprida só de estarem no Brasil. Já o Uruguai atravessa momento delicadíssimo nas Eliminatórias da Copa e claramente perdeu o fôlego depois da fantástica campanha na África do Sul. Só mesmo a camisa celeste pode pesar, mas parece muito difícil. Por fim, a Nigéria: os jogadores atrasaram a viagem em protesto contra o bicho nas Eliminatórias. Isso me lembra a seleção de Camarões em 1994, quando os jogadores até porre tomaram antes de entrar em campo…

Em resumo: dá perfeitamente para o Brasil ganhar essa Copa das Confederações. Mas isso quer dizer algo em relação a 2014? Não.

Primeiro porque o histórico mostra que os campeões jamais repetiram o feito na Copa do Mundo seguinte. E, segundo, porque mesmo que o time de Felipão evolua bastante, será preciso manter o pique e continuar crescendo, até porque deveremos ver outras seleções como Alemanha, Argentina, Holanda…

Na Copa do Mundo, como dizem por aí, vamos ver quem terá mais garrafa vazia para vender.