Nesta terça feira a coluna do especialista Nicholas Bittencourt fala sobre dois assuntos relacionados: cervejas que se guardam para ocasiões especiais e exemplares aos quais se deseja deixar “envelhecendo”, à boda de alguns vinhos.

Também tenho este hábito. Chimays (muitas, inclusive dois exemplares de 1,5 litro e um de 3 litros), Cuvée Van der Kaizen, potentes stouts da BrewDog, uma lambic gueuze e outra Cantillon, entre outras, estão guardadinhas aguardando a melhor ocasião.

Passemos ao texto do colunista.

As cervejas que encontro pela casa

Tenho um péssimo hábito de comprar cervejas que não planejo beber. Não por serem cervejas ruins, que não me agradam e quero tirar do mercado para que outros não sofram com elas.

Pelo contrário! Compro cervejas que quero muito beber, mas por serem muito boas, fico aguardando o momento certo.

Também existe outro problema: as cervejas que faço e não coloco rótulo. Vou bebendo a produção enquanto está recente, mas sempre guardando uma para ver como ela envelhece, se vale a pena repetir a receita, ou se apareceu algum defeito.

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Passados alguns meses, esqueço que essas cervejas um dia chegaram a existir. Deixo-as guardadas em um quarto a parte, longe do meu armário de cervejas, então não costumo “cruzar” com elas no dia a dia. Mesmo assim, quando surge o momento, que pode ser promoção, formatura, casamento, filho (alguns desses bem longe de serem comemorados), tenho uma ideia de qual cerveja abrir.

Mas não são todas cervejas que podem ser guardadas no esquecimento. Alguns tipos, como as Pilseners ou India Pale Ales, são melhores quando consumidas frescas. Os aromas desses estilos, que vêm principalmente do lúpulo, são bastante voláteis e acabam escapando pela tampinha, perdendo muito da graça.

Já outros estilos, como Stouts, Dubbels ou Strong Ales, que são cervejas mais encorpadas ou com alto teor alcoólico, vão mudando de acordo com o passar do tempo. Não é possível dizer se melhoram, mas ficam diferentes com certeza. E essa experiência que vale a pena.

Para guardar a cerveja, o melhor é procurar um local seco, protegido do sol, onde a temperatura não varie muito. Se tiver disposição, você pode até comprar uma adega para isso, mas eu uso o quarto de empregada, já que a senzala acabou há alguns séculos.

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Quer saber se vale a pena guardar?

A dica é comprar algumas unidades e experimentar a primeira uns seis meses depois. Beba a segunda em um ano e compare o resultado. Se a cerveja melhorou, vale a pena guardar um pouco mais as outras. Se não, você pode fazer uma churrascada ou jogar no ralo. A escolha é sua!

E qual cerveja você leitor escolheria para guardar e comemorar num momento especial? Deixe a sua sugestão nos comentários!

O editor, em foto de 2011 com a mítica Westvleteren 12
O editor, em foto de 2011 com a mítica Westvleteren 12