Nesta quinta feira a coluna do jornalista esportivo Fred Sabino retoma o tema da final da Copa das Confederações.

Sacode Brasileiro

E a Seleção Brasileira conquistou o título da Copa das Confederações. Com uma atuação que agradou em cheio até ao torcedor mais exigente. Com um espírito que há muito tempo não via no futebol brasileiro. E, claro, com a vocação de artilheiro de Fred e a categoria inquestionável do cada vez mais confiante e amadurecido Neymar.

Mais do que a vitória convincente sobre a baladeira Espanha (o que o Brasil tem a ver com a arrogância da Fúria e as noitadas de alguns jogadores?), o grande legado dessa Copa das Confederações para o futebol brasileiro é o resgate da simbiose entre a Seleção e a torcida. No Maracanã, o apoio da galera foi o ponto final de uma jornada marcada pela força emanada da arquibancada.

Por isso mesmo, seria não só algo de bom grado, mas de inteligência, a CBF marcar amistosos com maior frequência no território nacional. Sabemos que isso é complicado, pelos interesses mercadológicos da entidade e de sua fornecedora de material esportivo e pelas dificuldades logísticas de se trazer toda hora os jogadores que atuam na Europa.

De qualquer forma, o que se viu em campo foi um time mais agressivo. Ainda há o que evoluir, evidentemente. Mas, justamente como eu havia imaginado na coluna anterior, uma postura ofensiva do Brasil, retendo a posse de bola (sobretudo no primeiro tempo), foi fundamental para acuar uma Espanha não acostumada a ficar nas cordas, mas sim, no centro do ringue.

Os gols logo nos primeiros minutos de cada tempo, o pênalti perdido por Sergio Ramos e a expulsão ajudaram o time de Scolari. Mas não há como tirar o mérito dos jogadores e do treinador, que contribuíram para a construção desse cenário favorável durante o jogo e, claro, aproveitaram essas circunstâncias.

Então quer dizer que a vitória sobre a campeã mundial Espanha credencia o Brasil a favorito ao título? De jeito nenhum.

Primeiro porque ainda é preciso evoluir em relação ao conjunto e alguns jogadores, como Oscar e Daniel Alves, precisam voltar aos melhores dias, mesmo sem terem comprometido. E, segundo, porque outras seleções de peso virão em 2014.

Sobre a estrutura para a Copa, restrições – vale a pena ler os relatos do Migão, que acompanhou in loco algumas partidas. Se os estádios, num aspecto geral, passaram no teste, ainda há ajustes a serem feitos, especialmente em relação aos transportes, seja aeroportos como transportes coletivos e trânsito. E nem estou falando sobre os serviços, que são um problema crônico do nosso país.

Mas, acima de tudo, fica a expectativa de que o título merecido da Copa das Confederações não arrefeça a onda de manifestações populares contra o que de podre existe neste país. Que os governantes, independentemente do partido, trabalhem de fato pela democracia e sirvam ao país e não a eles próprios.

O patriotismo visto nas ruas brasileiras e nas partidas da Seleção precisa continue vivo. Nossas bandeiras têm de ir para as janelas sempre e não apenas no futebol.

Foi apenas uma vitória esportiva.

[N.do.E.: abaixo o leitor pode ouvir duas versões do Hino Nacional Brasileiro na partida contra a Espanha, uma da transmissão televisiva e outra gravada no estádio, respectivamente]

Hino Nacional Brasileiro – Jogo Brasil x Espanha no Maracaña 30_06_2013

Hino Nacional Brasileiro – Brasil x Espanha – Final Copa das Confederações – Maracanã 30_06_2013