Venho já há algum tempo ensaiando um artigo com este tema, mas vinha adiando, adiando… Até que, em entrevista no último domingo ao jornal O Globo, os mandatários rubro negros explicitaram um pensamento que já se vinha analisando há algum tempo: o de que torcedores de extratos de renda menor não são bem vindos neste “novo” Flamengo.

A atual administração vem se notabilizando por uma forma “neoliberal” de proceder: o importante é a maximização de lucros a curto prazo, sem importar o bem estar da população ou, no caso rubro negro, o desempenho esportivo. Além disso, a prioridade para o pagamento de dívidas e a redução do tamanho do clube com a eliminação de esportes que “não dessem lucro”. Até o time campeão brasileiro de basquete esteve ameaçado de fechamento logo após a conquista se não arrumasse patrocinadores.

Além disso o time se radicou em Brasília para a disputa deste Campeonato Brasileiro. A intenção era aumentar a geração de receitas em um acordo onde a maioria das receitas pertence ao clube e não há cobrança de ingressos de meia entrada. Além disso se aumentou o valor mínimo de ingresso, que nas partidas disputadas na capital federal tem sido na faixa de R$120.

Por outro lado, o clube vem endurecendo as negociações com o consórcio responsável pelo Maracanã a fim de aumentar a maximização de lucros. Foi fechado um acordo provisório até o final do ano para a utilização do estádio, mas de acordo com a citada entrevista a ideia é ir buscar oportunidades de maximização de lucros fora do Rio. Nas palavras de Luiz Eduardo Baptista, o BAP, Vice Presidente de Marketing e, segundo alguns, presidente de fato do clube:

– “No longo prazo, vamos duplicar a torcida. Vamos construir um Flamengo muito mais forte. O Flamengo é líder de torcida em 23 estados.

Ou seja, mais importante no momento é se exibir ao torcedor de fora do Rio a fim de aumentar o ganho financeiro, ainda que a prejuízo da parte esportiva. Neste Brasileiro o clube mandou cinco partidas fora do Rio de Janeiro (entre Juiz de Fora, Brasília e Florianópolis), obtendo cinco pontos ganhos. No Maracanã foram dois jogos, com quatro pontos – que poderiam ser seis não fosse a lamentável arbitragem da partida contra o Botafogo. Ainda assim a entrevista deixa claro que pelo Brasileiro não devem haver mais jogos no Rio de Janeiro – apenas pela Copa do Brasil e, ainda assim, se o Consórcio aceitar incondicionalmente as condições do clube e se houver necessidade de resultado.

Outro ponto importante é o projeto de Sócio Torcedor, apelidado ironicamente por alguns torcedores de “Sócio Doador” ou “Sócio Otário”. A postura dos dirigentes do clube foi clara no sentido que os torcedores não deveriam esperar benefícios do clube: o importante era ajudar o Flamengo a pagar suas dívidas e melhorar sua gestão. Em jogos de menor apelo ainda tem se feito promoções pontuais de ingressos, mas é algo que tende a ser pontual.

Ainda assim, é algo caro: paga-se R$ 40 de mensalidade no plano mais barato e com a adesão o ingresso mais barato, em número limitado, sai a R$ 60 ou R$ 80. Que se vá a um único jogo mensal, equivale a 20% aproximadamente de um salário mínimo.

Evidentemente, este fenômeno de elitização da frequência aos estádios é um fenômeno mundial. Entretanto, o Flamengo vem exacerbando este fenômeno – a ponto dos ingressos para o jogo contra o Botafogo, sob responsabilidade do clube, terem saído mais caros que partidas da Copa das Confederações realizadas recentemente no Maracanã. Por outro lado, em centros europeus como a Alemanha tal fenômeno de elitização é acompanhado da reserva de lugares a preços populares para aqueles que pertencem a camadas sociais mais baixas.

Entretanto, veja o leitor o que pensa a atual diretoria do Flamengo a respeito dos torcedores de menor faixa de renda:

– O Flamengo vai viver dos pobres, jogar um futebol pobre e ser um time pobre, porque o negócio futebol mudou (BAP)

– O Flamengo é grande em todas as camadas sociais. A TV cumpre um papel complementar, leva a todas estas pessoas o Flamengo. (BAP)

– A precificação é mais complexa do que o romantismo. A atratividade do jogo é mais relevante que o valor do ingresso para trazer público. (ainda BAP)

Lembre-se o leitor que o citado BAP, vice de marketing, é presidente da SKY, operadora de tv a cabo – que tem como um de seus principais negócios a venda de pacotes de futebol no sistema “pay per view”. Ou seja, há um claro conflito de interesses envolvido: quanto mais se afastam os torcedores do estádio, mais se vendem os pacotes do referido produto – que, aliás, é um péssimo serviço, mas este é papo para outro post.

Contudo, esta questão de se afastar o torcedor de camadas de renda mais baixa do estádio e do convívio na Gávea – basta lembrar que o valor de mensalidades de sócios e títulos do clube foi aumentada de forma significativa nesta gestão – esconde o que é uma grande contradição do Flamengo.

O clube firmou sua imagem de “mais querido” e “clube do povo”, mas tem historicamente uma elite dirigente bastante excludente, para ser suave na determinação do termo. Não é elite na acepção financeira, mas sim “de berço”: não adianta ter muito dinheiro se não souber ter os ternos corretos, o óculos de classe e saber estar e ser aceito nos locais frequentados pela alta sociedade desde tempos imemoriais. Para fazer parte da diretoria do Flamengo não adianta ter muito dinheiro: é preciso ser “bem nascido”.

O mesmo clube que tem torcedores em todas as classes sociais, que assumiu com orgulho o rótulo de “urubu” (somos todos pobres, somos todos negros) tem uma elite dirigente que reproduz os piores preconceitos sociais de nossa elite. É um clube de pobres – dirigido por quem odeia pobres. De certa forma não deixa de ser um microcosmo do Brasil pré-2002.

Note o leitor que os dois presidentes recentes que fugiam deste estereótipo de “bem nascidos” foram expelidos pelos sistema do clube: Edmundo Santos Silva e Patricia Amorim. Evidente que os dois também fizeram por onde, com administrações muito ruins, mas talvez os mesmos (graves) erros seriam relevados caso fizessem parte desta “reserva moral” do país arquétipo dos dirigentes rubro negros.

Ou seja: na prática a atual direção apenas tenta “devolver” o clube àqueles que desde os tempos da fundação pensam ser os verdadeiros donos. É algo para se pensar.

37 Replies to “A Contradição do Flamengo”

  1. Migão,

    E ainda tenho o pé atrás com a qualidade na gestão do futebol, não me refiro somente à parte administrativa do futebol, mas aos reforços/elenco, etc… apresentados em 2013 e que estamos nos acostumando a ver em campo com a camisa do Flamengo.

    Tem que ter gente que conhece de futebol!!!!!!

  2. Achei meio exagerado, Migão. Eu acho que, com o tempo, os preços dos ingressos serão ajustados. Pelo menos acredito nisso.. E se você exige um time de qualidade, com que dinheiro esperava que isso fosse feito? O momento infelizmente é esse, de contenção. Com o pouco que foi pago, alguns benefícios já começam a aparecer. Ainda acredito na atual direção. Há gente lá que ainda acredita no clube do povo.

    1. Acho a Diretoria excelente na gestão financeira, mas o objetivo do artigo é mostrar que a elitização acelerada pela qual o clube passa não tem raiz financeira e sim em um sentimento de classe.

      1. Você está vendo chifre em cabeça de cavalo. As frases destacadas não denotam o que você quer crer, apenas uma visão pragmática, NÓS TEMOS 750 MILHÕES EM DÍVIDAS E PRECISAMOS PAGAR AS NOSSAS CONTAS! Não dá pra abrir mão de receita e não dá pra fazer caridade. Esse papo de Alemanha é ridículo, você cita como UM exemplo mas é O ÚNICO de grande centro Europeu que pratica uma política um pouco mais modesta de preços (seguindo a modinha jornalística de citar a política de preços de Bayern e Borússia, aliás). Além disso consta que só há ingressos a preços módicos para aqueles torcedores que compram o carne anual para os lugares em que é preciso assistir ao jogo em pé (espécie de geral alemã).

  3. “Note o leitor que os dois presidentes recentes que fugiam deste estereótipo de “bem nascidos” foram expelidos pelos sistema do clube: Edmundo Santos Silva e Patricia Amorim.”
    Esse trecho do seu texto explica todos os absurdos que você escreveu.

    Só uma pergunta: Você é anti-flamenguista ou aliado/ da Paty?

    1. Nem uma coisa nem outra, meu caro. Mas não sou daqueles apoiadores que se o BAP entrar em uma piscina morrem afogados.

      p.s. – precisei editar uma palavra de seu comentário pois não irei correr risco aqui de sofrer um processo judicial

  4. Completamente exagerado.
    Poxa amigo, voce nao é rubro negro ne?

    O ingresso ta caro pra todo mundo, já viu quanto custa o ingresso de um jogo do corinthians?
    Esse é novo modelo de futebol, o Flamengo está até o nariz afundado em lama, precisa de alguma forma respirar.. e eh essa é a solução do momento.
    Sou socio torcedor, e estou muito satisfeito, porque sempre quis ajudar o clube e ninguém tinha feito alguma coisa parecida até hoje.

    Quanto o preço da mensalidade na sede da gavea, tu viu a lista do valores das mensalidades dos clubes vizinhos o Flamengo na zona sul?
    O Flamengo é a mensalidade mais barato! Diretoria mandou muito bem em aumentar isso!

    Somos o maior clube do BRASIL, precisamos de uma sede bonita, limpa, organizada que nos encha de orgulho!

    1. Prezado Guilherme, fique claro que não legislo em causa própria, porque hoje tenho uma situação que me permite pagar os preços de ingressos pedidos. Entretanto já juntei muita moedinha para ver o Flamengo jogar e não quero privar rubro negros disso.

      Há espaço para lugares de R$30 e de R$300, não somente de R$300

    2. O ingresso mais barato dos jogos do Corinthians(independente do campeonato) custa 30 reais(por volta de 20 pra socio torcwdor). E equivale a uma boa parte do estadio, atras dos gols e uma parte ddos setores laterais do campo

      1. Pois é. O São Paulo, que tem imagem de clube elitista, possui um setor a R$10.

        Vale lembvrar que o rubro negro carioca que quiser ver ao vivo o time tem de pegar um avião e ir a Brasília

        1. Caro Pedro,
          O São Paulo cobra R$ 10 porque o estádio é dele, os custos de manutenção são bem menores, as cativas do morumbi pagam R$ 20, o número de meia entradas é bem menor, os custos do São Paulo são bem menores, se o Flamengo tivesse o seu estádio, e não estivesse com o rombo que tem hoje acho que seria justo a critica, mas na situação atual acho errado. No próximo ano, quando o clube tiver as receitas de tv, conseguir um acordo com o consorcio de 65/35 e não 50/50 (se conseguir), e conseguissem diminuir as meias entradas e gratuidades no rio, será possível fazer estes preços de ingressos.

          1. Marco, eu já escrevi anteriormente sobre estes cálculos de arenas e valores de ingresos, pesquise no blog. O ponto central no meu texto é que a questão não é financeira, mas im de sentimento de classe – no caso, excludente

            E os atuais mandatários do Flamengo só explicitaram na entrevista o que já diziam reservadamente desde a campanha.

      2. Tamy, mas quanto eles pagam de aluguel do estádio pra jogar ? Quantas gratuidades tem no estádio quando o corinthians joga ? Qual o total de meia entrada ? E qual a dívida de imposto mensal que o corinthians tem pra pagar de gestões passadas ?
        Responda a estas perguntas e verás porque o preço do ingresso do corinthians pode ser 30 e do flamengo tem que ser 100 este ano.
        SRN.

        1. Realmente, quanto ao aluguel do estádio e o valor da dívida é algo que não dá pra comparar, infelizmente. Gratuidade também, dificilmente passa dos 2 mil não-pagantes por jogo.
          Mas ainda sim eu acho que não deveriam excluir totalmente o pobre do estádio, nem que destinassem apenas 10% da carga de ingressos destinados a esse fim.
          Por enquanto pode até ser uma boa pra esses clubes venderem a “alma” aos consorcios e praticarem esses valores, mas e depois?

          1. Tamy, é este o X da questão, o Flamengo tem uma dívida monstro pra pagar e não quer vender a alma ao consórcio, por isto este monte de jogos em Brasília, eles querem mostrar pro consórcio que o consórcio precisa mais do Flamengo que o Flamengo do consórcio, que o Flamengo onde for dá lucro, e com isto conseguir uma negociação melhor. O melhor mundo seria o maraca voltar a ser administrado pelo estado e o mesmo cobrar taxas mais justas do clube, acabar com estas gratuidades, meias entradas, e doações pra escoteiros, cronistas e mais um monte de coisas que tiram o dinheiro que iria pro clube.
            Agora vamos lá, com relação a liberar uma carga de 10% dos ingressos a um valor “popular”, como garantir que estes ingressos seriam vendidos passados para as pessoas de classe mais pobre ? Como garantir que estes ingressos não seriam comprados por cambistas e depois revendidos ao preço normal depois ?
            Existem muitos problemas para serem resolvidos, mas não dá pra atacar todos de uma vez e em 7 meses de gestão, ainda mais com a situação que encontraram.
            Acho que estão fazendo o possível e não dá pra cobrar muita coisa no momento, acho que quem pode pagar os R$ 100 que pague o R$ 100 para ajudar no momento, e que deixe para cobrar ingresso barato e time melhor no próximo ano, este ano é o nosso purgatório.
            SRN.

          2. As pessoas não gostam de fazer contas. Pode-se estabelecer um modelo rentável para todos e permitindo uma faixa de ingressos a R$30 ou 40.

            O problema é que como já escrevi, a razão desta elitização é sentimento de classe, não financeira. É que infelizmente não tenho como reproduzir aqui algumas das coisas que soube durante a campanha

  5. Caros, acho um grande equivoco de alguns torcedores e jornalistas criticando a atual gestão. Vejamos outro ponto da entrevista, numa resposta do Tostes:

    “O Flamengo precisava renegociar a dívida para se livrar de penhoras, da imprevisibilidade. A CND representou legitimidade no nosso trabalho, trouxe redução de juros, liberou penhoras. O patrocínio da Caixa não cobre o gasto com a CND. Mas eu seria executado numa penhora de R$ 130 milhões. O Flamengo ia quebrar. Eu posso te garantir, em seis meses o Flamengo estaria falido. Qualquer dinheiro que entrasse seria penhorado. Só para sentar e conversar com a Procuradoria da Fazenda Nacional, tínhamos que pagar R$ 40 milhões. E isto nos dava o benefício da CND.”

    Quando esta gestão assumiu, e foi bem dito, que este ano seria um ano de reestruturação, há uma enorme divida mensal a ser quitada, há poucas fontes de receita “ESTE ANO”, então todos os torcedores deveriam saber que este ano é apenas para se manter na primeira divisão, e no próximo ano sim cobrar alguma coisa, então todos os torcedores que tiverem condição, mesmo o ingresso sendo caro e o time ruim deveriam ir para ajudar o clube neste ano, e no próximo ano cobraria ingressos baratos para a população mais pobre como eu. A respeito das contratações vamos lá, Mano, Moreno, Elias, Chicão, Gabriel, André Santos, ótimas contratações até o momento, o Cadu é fácil criticar agora q não deu certo, mas era fácil apostar q daria certo, pois não há dúvida que o jogador tem talento, muitos clubes e torcedores queriam. Com relação as apostas do interior paulista, já vimos vários clubes fazerem isto e dar certo, é uma aposta barata e que daria pra ter um retorno rápido pro clube, um destes q for bem o clube poderia vender no inicio do próximo ano, de todos o único que não contrataria é o val pela idade, mas ele fez um ótimo campeonato paulista, acharam q pela experiência poderia ajudar de imediato, mas nesta não deu certo.
    Então eu acho que a diretoria tem feito uma ótima gestão até agora, neste ano não poderia ser feito nada mais, os torcedores do rio deveriam apoiar mais, muitos querem a sede limpa, moderna, garagem melhor, mas não querem pagar mensalidade, ou querem que a mensalidade seja barata pro resto da vida.
    Vamos apoiar este ano, e deixar pra cobrar ingresso barato no próximo, estes jogos em brasília é uma excelente carta na manga para a negociação do flamengo com o consórcio, e isto é um dos requisitos para que o clube consiga fazer um ingresso mais barato, ter uma negociação melhor com o consorcio.
    SRN.

    1. Marco, BAP é claro na entrevista quando diz que ingresso barato acabou independente da questão das finanças do clube e que “a tv presta uma função social mostrando os jogos para os pobres”. O piso de valor será R$100, para ingressos atrás dos gols.

      1. Caro Pedro, em outros trechos da entrevista o Wallim disse que pode ter setores mais baratos em alguns jogos, e o tostes explicou que o preço é este hoje porque a cada 4 pessoas, 1 entra de graça, duas tem meia entrada e apenas uma paga inteira, e complementando, hj ainda tem que dividir isto com o consorcio tem que pagar 8 milhões de impostos mês. É complicado, todo mundo quer um time melhor, o futebol hoje envolve muito dinheiro, e no momento o clube não tem muitas fontes de renda, precisa daqueles que podem pagar este valor, nos próximos anos este valor deve cair. Quem acompanha o BB da ESPN o PVC disse que em contato com o tostes que é o vice de finanças, Tostes disse que o preço ideal é o que permitir o estádio ficar lotado, e que eles vão testar vários preços, e a tendência é baixar o preço.
        Apesar das falas do BAP, que estão erradas, as atitudes da gestão até o momento tem sido corretas.
        Com relação a brasília, os torcedores do rio estão sentindo o que os torcedores de outros estados sempre sentiram, a impossibilidade de assistir o Flamengo jogando no quintal de casa, vale lembrar que os torcedores off-rio do Flamengo são maioria, e entendo que o Flamengo é um clube do rio, mas neste momento estes jogos são um trunfo importante para o Flamengo conseguir uma condição melhor para jogar no Rio. O Flamengo está mostrando para o Maracanã que existe sem ele, e que o Maracanã não vive sem o Flamengo, pois nenhum outro clube vai dar o retorno que o Fla da no maraca, então que os torcedores do Rio tem paciência, pois é importante o que está acontecendo para que o Fla tenha condições melhores nos jogos do Rio num futuro próximo.
        SRN.

        1. Sim, vão colocar ingresso a R$80 em um Flamengo e São Longuinho do Oeste em uma quarta feira às 22:30 pela primeira fase da Copa do Brasil. Em Volta Redonda ou Macaé (risos)

          1. Pedro, eu pagaria este valor pelo menos uma vez por mês pra ver até a seleção de masters do Fla. O que volto a frisar é, este ano não dá pra exigir nada dos caras, apenas apoiar o “Flamengo”, e nosso próximo ano sim. Eu pagaria até pra ver as camisas do flamengo em campo em cima de cabos de vassoura.

          2. eu não estou discutindo isso no post, o objetivo era mostrar o porquê da elitização, mas este elenco não merece que eu pague R$ 200, 300 em um jogo – embora tenha dinheiro para tal

            Pretendo ir a um jogo para as minhas filhas conhecerem o novo Maracanã e só. E pensar que paguei mais barato na Copa das Confederações que o preço exigido pelos bem nascidos rubro negros por um ingresso

  6. Meio exagerado como todo que cerca o Migão, acho que não devia ter citado a Paty e o Edmundo, esses nunca podem ser comparados a ninguém, mas concordo que existe uma elitização e até já escrevi sobre isso.

    Elitização que é aturada caso façam um time do nível da exigência financeira que fazem a torcida. A pessoa que não tem 100 reais pra pagar um ingresso ficará satisfeita se ver um time forte em campo mesmo que pela TV.

    Até porque amor por um clube é diferente, é aquele amor que se pede nada em troca, apenas raça e futebol bem jogado.

    1. Citei os dois – e já fui chamado de ladrão hoje aqui por isso – porque não tem como se esquecer de Kleber leite ou memso do Veloso, com administrações tão desastradas quanto

    1. Eu li o artigo, do qual discordo. Na verdade vejo muita gente que torce mais para a “Chapa Azul” que para o Flamengo

      1. Como tem pessoas que malham a atual direção para dar conotação que ela esteja fazendo uma péssima gestão e dar razão a reclamação da CORJA do Parquinho que nos deixou na situação que nos encontramos. Correto PEDRO MIGÃO.

  7. Migão,

    Ao ler a entevista no Globo fiquei com a mesma impressão. E também me filio a corrente dos que queriam ver os jogos do Flamengo com mais “povo”. As imagens dos “geraldinos” comemorando os gols de Zico nas décadas de 70/80 realmente são fantásticas.
    Por outro lado, é inevitável constatar que não só o futebol mudou, mas o país mudou. Analisar futebol, sem analisar os preços de serviços e produtos em geral no Brasil torna a discussão muito subjetiva. O New York Times recente publicou artigo onde “tirava onda” de São Paulo por cobrar $30 por uma pizza. (lá por $7 vc come uma boa na Times Square). Isso sem falar em eletrônicos e automóveis, que mesmo descontando os tributos, tornam nosso país o que tem o consumidor que paga mais caro por alguns produtos e serviços.
    Acredito que a sociedade (leia-se “povo”), privada muito tempo de
    consumir, ainda vai ter que aprender a lidar com o “mercado” e suas leis de oferta e procura. O real preço das coisas vai ser atingido, e no futebol acredito que até mais rápido por que temos muita gente reclamando e antenada no custo/benefício entre o que é pago e o que é entregue.
    Só discordo quando compara os resultados esportivos do Mengão no Maracanã e em outras praças.
    Várias das partidas jogadas fora do Rio foram no começo do Campeonato e com a sofrível organização do time armado pelo Jorginho. Mesmo assim, perdemos pontos em Brasília jogando bem, e onde a torcida não ficou devendo nada (Santos, por exemplo). Já no jogo contra o Bota, mesmo fazendo uma boa partida no 2º tempo no Maracanã, não seria exagero se o jogo tivesse virado 3 a zero pra eles.
    Não vejo problema nenhum em jogar como mandante às vezes fora do Rio, desde que tenhamos palcos decentes (Mané Garrincha) e apoio da torcida.
    Afinal, vale mais jogar “longe de casa” e manter um fluxo de caixa que permita honrar os compromissos ou manter a tradição (será que esse público do RJ estava tão cativo mesmo?) de só jogar na nossa (?!) casa?

    1. Vinícius,

      Jogar uma ou duas partidas por campeonato fora do Rio, sem problema algum. O problema é fazer todos os jogos.

      Uma coisa interessante, também, é que em Brasília a maioria dos ingressos também é meia entrada – ou seja, o argumento da diretoria não se sustenta.

  8. Lendo o post e os comentários pude notar que o pessoal esquece que nós os flamenguistas não pagamos somente por ingressos caros. As camisas custam R$200,00, o sócio torcedor com o mínimo de R$40,00 e o PFC R$60,00. Vale lembrar que existem os chaveirinhos, jornais, bandeiras e etc…
    O que recebemos em troca por tudo que pagamos ao Flamengo? Alegrias? O discurso de que o clube não tem dinheiro e que não pode baixar os preços dos ingressos é absurdo quando realmente lembramos de tudo que consumimos por causa do Flamengo sem ganhar nada em troca. O lema da atual gestão é ajudar, ajudar e ajudar. Vendem o Flamengo a preços altos e o “povo” ta pagando… Acho que sim deveriam haver melhoras nos preços dos ingressos pelo menos para quem é socio torcedor e tem PFC ou somente um dos dois. Faz as contas aí e me diz quanto que um flamenguista gasta com o clube. Sem ir a um estádio o flamenguista que tem o PFC e Socio torcedor de R$40,00 por 6 meses, e compra uma camisa, gasta em um semestre R$800,00 com o Flamengo isso sem falar de ida aos jogos. Indo a dois jogos este único torcedor gasta cerca de R$1.000,00 e isso em 6 meses. Será que o valor dos ingressos é assim tão relevante quando visualizamos o todo que o flamenguista gasta com o seu clube? Será que sem o valor dos ingressos o Flamengo realmente não consegue pagar seus jogadores? É realmentre necessário pagar todas as dividas de uma só vez, ou podemos ir pagando com o tempo? Acho que o post mostra bem a realidade dessa tal mudança do negócio futebol…
    Lembrando que os times Europeus também devem e muito…
    Um abraço…
    SRN…

  9. Não adianta, Migão. O Blue Men Group formou uma religião. Atacar os dogmas dos abençoados faz de você apenas um alvo de acusações de anti-flamenguismo. São fanáticos, estão hipnotizados. Só acordarão do sonho quando se derem conta do pesadelo, aterrados pelos fatos. E se você tentar discutir, eles se revezam nos ataques. Melhor deixar para lá.

  10. Há muita perda de tempo e espaço em mídia discutindo o tema errado: Preço do ingresso. O que tem que se discutir é outra coisa: Time RUIM! Jogadores incompetentes. Mau planejamento no Futebol.
    O culpado desse PROBLEMA todo é um só: Paulo Pelaipe. A ele foi confiado todo o planejamento do Futebol Rubro-Negro (simplesmente porque os atuais Gestores não conhecem nada do assunto). Ele foi o responsável por todas as contratações e não-contratações. Então, se o time está mal (e é o que REALMENTE importa) a culpa é dele.

    1. Oscar, o problema não é somente o Pelaipe quando se sabe que a prioridade da diretoria não é o futebol, e sim a questão financeira

  11. Concordo que deve haver ingressos com valores menores, mais acessíveis às camadas de menor renda. Só que aí eu te pergunto: seriam os “menos favorecidos” a comprá-los ou os cambistas que posteriormente os revenderiam, no mínimo, pelos mesmos preços dos ingressos mais caros?
    Seu texto tem fundamento, apesar de ser simplório na análise das “gerações” que comandaram o FLA (pois os grandes “elitistas de raiz” do clube [com exceção do MB] se opuseram aos “estrangeiros” que venceram a eleição), mas vc se absteve de analisar que hoje o FLAMENGO necessita faturar muito mais do que qualquer outro clube, e que por isso tem que buscar renda em qualquer lugar que possa. Isso é um fato!
    Penso ser um erro o fato do FLAMENGO não vender pelo menos alguns setores com ingressos mais baratos, mas discordo de vc ao afirmar que isso é movido pela vontade de deixar os pobres de fora. Em seu texto vc não considerou que é uma NECESSIDADE financeira DESSE FLAMENGO. Um FLAMENGO que deve um absurdo e, além de honrar seus compromissos, precisa ter um time forte. Vc não considerou isso em sua análise. SRN

  12. Achei sua analise da situacao totalmente parcial e nao abordou aspectos importantes.
    Em um primeiro momento a prioridade em gerar receita é algo obvio para um clube afundado em dividas e sofrendo de penhoras constantes. Nossa ultima direcao simplesmente dobrou a divida que era aproximadamente a divida que o corinthias tinha no inicio do ano e deixou o clube em uma situacao caotica. Cerca de 90 milhoes forao pagos e mais 30 serao pagos ate o final do ano para que sejam evitados penhoras. Medida tomada para livrar o clube da eminente falencia. Logico que em um primeiro momento o que ocorreu foi um preco mais caro para os torcedores, fato agravado com a doacao do nosso estadio pra um grupo de particulares que estao a sobrefaturar as despezas. Ate agora nao foi explicado porque o estadio nao pode ser dos clubes.
    O custo do espetaculo e alto com salarios astronomicos e exigencia de competitividade entao nao vejo como um ingresso sair a menos 50 reais, dado as leis de meia entrada e de gratuidades nos estadios do rio de janeiro.
    O Flamengo tambem nao pode pagar para jogar como tem feito nos ultimos anos.
    e quanto ao socio torcedor frequento varios Blogs e nao vejo as pessoas se referindo a ele como socio doador ou socio otario, voce nao pode pegar algo pontual e generalizar. Eu que sou de fora do rio nao sou tao favorecido. Mas com certeza quem vai a varios jogos no mes e favorecido.
    E hora de ajudar porque o flamengo esta com a corda no pescoco.
    Tenho criticas contra a diretoria em relacao a transparencia mas ao que tudo indica eles estao a nos tirar do buraco e provavelmente em dois anos teremos um time competitivo e com o salario em dia, o que nao acontexe na gavea desde que eu me entendo por gente.
    SRN

  13. Caro Pedro Migão não quero criar polêmica, mas não posso lhe dar razão a este tipo de matéria, pois nós rubro-negros é que sabemos o quanto estamos sofrendo por arbitrariedade de gestões passadas, tenho que dar ênfase ao fato da direção rubro-negra ter seguido tudo aquilo que foi dito e divulgado pela mídia no inicio de seu mandato, então não há má fé, não há maldade com aqueles torcedores de baixa renda apregoado pelo senhor, sei que muitos não podem neste momento pagar quantias altas, mas eles sabem que é por uma boa causa, e sabemos que muitos destes dirigentes não querem que aconteça tais mudanças, pois se caso todo esse mecanismo funcione, esta gangue de abutres e vampiros não mais terão como reivindicar qualquer apoio político da massa rubro-negra.Abraços

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