Nesta sexta feira a coluna do jornalista esportivo Fred Sabino faz uma análise do Campeonato Brasileiro de 2013 até o momento.
Emoção Bagunçada
O Campeonato Brasileiro de futebol chegou a um terço de seu calendário e o equilíbrio é muito grande. A distância entre os clubes que estão agora no chamado G4 (o dos times que se classificam para a Copa Libertadores do ano seguinte) e no Z4 (a temida zona de rebaixamento) é muito pequena.
Mas isso não quer dizer que o equilíbrio esteja sendo proporcionado por uma grande qualidade dos times. Ao contrário. Infelizmente a tal expressão “nivelado por baixo” pode se aplicar perfeitamente ao que vem acontecendo neste campeonato.
O futebol é apaixonante justamente por causa da imprevisibilidade. Porém, a palavra que mais se aplica aos times deste campeonato é irregularidade. Os times estão oscilando de uma forma tão acentuada que esse tal equilíbrio na verdade é um tanto falso.
Alguns resultados chamam a atenção. O mesmo Flamengo que ganhou do Fluminense jogando melhor foi o que levou de 3 a 0 de um Bahia que foi derrotado na mesma Fonte Nova por um Grêmio que patinava no começo do campeonato e já está no G4.
Há até duas semanas, o antes badalado Corinthians vinha contestado por atuações nada convincentes e estava numa posição um tanto desconfortável na tabela. Em seguida emplacou uma sequência de bons resultados que o fizeram se aproximar do grupo de cima.
Na verdade na verdade, toda essa oscilação é fruto da falta de planejamento que assola os clubes brasileiros. As contratações são feitas em cima da hora, as estreias acontecem a conta-gotas e a maioria dos times não conta com boas peças de reposição.
Por isso mesmo, só mesmo a tal janela do meio do campeonato poderá consolidar os favoritos ao campeonato e delinear adequadamente a divisão de forças deste campeonato. Evidentemente, o clube que perder menos bons jogadores e contratar certo no mercado tende a crescer.
Nos últimos três anos, Corinthians e Fluminense foram os clubes mais regulares no Brasileirão, com a manutenção do elenco e contratações pontuais e inteligentes. Não à toa conquistaram os títulos (dois para o Tricolor e um para o Timão).
Neste ano, porém, não vi até agora nenhum clube mantendo 100% a espinha dorsal. O Atlético-MG, campeão da Libertadores, perdeu o ótimo atacante Bernard e teve a esfriada pós-título. Aliás, até hoje só mesmo o Cruzeiro de 2003 conseguiu se manter intacto durante todo o ano.
Por outro lado, há clubes que só agora conseguem ter uma cara, como o Flamengo. Por pura falta de planejamento, o Rubro-Negro patinou (na verdade ainda patina, embora tenha melhorado) e demorou a conseguir reforços como André Santos e Chicão.
Como o nosso calendário funciona na contramão do que acontece em todo o mundo, esse planejamento é mais complicado. Inicia-se um ano com um elenco X e raros são os casos em que o dinheiro de fora não leva os melhores jogadores e elencos e transformam em Y.
No fim das contas, pela bagunça que impera nos clubes não dá para imaginar o destino de cada time neste Brasileirão. O fim vai ser emocionante, mas não pelo futebol bem jogado e sim pela irregularidade dos times.
Como diz aquele ditado: tudo pode acontecer, inclusive nada…
P.S.: Espero que o ótimo jogo entre Botafogo e Internacional, com belos gols e jogadas de parte a parte, seja uma doce rotina no restante do campeonato. Vamos ver se o Alvinegro terá um elenco forte para se manter no topo mesmo com lesões e suspensões e se o Colorado finalmente vai engrenar.