Ainda meio de ressaca – mais de cansaço que de bebida, até pela estúpida decisão de não se vender cerveja em estádios – faço um relato aqui da noite de ontem, em que o Flamengo se tornou campeão da Copa do Brasil pela terceira vez.

Antes do relato, a bronca: não pode o clube cobrar quinhentas pratas em um ingresso e oferecer serviços de quem cobra vinte. O setor onde fiquei, com lugares a este preço (Leste Inferior), estava superlotado, com gente ocupando todos os corredores e com isso forçando a ver o jogo praticamente inteiro de pé. Filas quilométricas para se comprar água e refrigerante e muitos problemas nas roletas, entre outras coisas – embora a hora em que adentrei o estádio ainda estivesse relativamente tranquilo.

Vale lembrar que minha bronca vem desde a venda de ingressos: qual a dificuldade de se comprar um ingresso pela internet e se gerar um arquivo PDF para se imprimir em casa? Outra: trabalho em frente ao Maracanã e, por não ser sócio torcedor, fui informado de que não poderia fazer a troca do voucher pelo ingresso no estádio, o que me fez ir ao posto de troca na Ilha do Governador.20131127_204333A diretoria do Flamengo quer cobrar preços de Estados Unidos e Europa? Ok, tem demanda para isso, pelo menos em um jogo como o de ontem. Mas precisa melhorar muito a contraprestação do serviço. Basta o leitor comparar com o post anterior sobre o Madison Square Garden que irá entender o que estou dizendo.

Pelo menos desta vez havia um quiosque de produtos oficiais, algo que não havia nos jogos anteriores a que estive. Por outro lado, fica claro que a Adidas não está abastecendo as lojas de forma adequada, com falta de produtos básicos como camisas oficiais de jogo.

Bom, bronca feita, vamos ao jogo. Brinquei nas redes sociais ontem pela manhã de que havia sido o primeiro torcedor a chegar ao estádio, porque trabalho a 200 metros do Maracanã. Já deixei meu carro no estacionamento da empresa e trabalhei o dia inteiro, até 18 horas. Comi algumas fatias de pizza e bebi umas cervejas em um restaurante próximo (abaixo), antes de me dirigir às roletas.

20131127_190922Esperava um esquema de orientação e acesso às roletas semelhante ao observado na final da Copa das Confederações (post aqui), mas a impressão que tenho é a de que o consórcio administrador do Maracanã subestimou a afluência de pessoas. O número de orientadores era semelhante ao de partidas normais sem a mesma importância, bem como o dos responsáveis pelas roletas.

A hora em que adentrei o estádio, por volta das 20 horas, ainda estava suportável, mas há relatos de grandes tumultos nos acessos mais tarde. Claramente a estrutura montada se revelou insuficiente. Além disso, a estúpida proibição da venda de cerveja no estádio também contribui para que as pessoas entrem mais tarde, e isso gera confusão.

Ainda consegui beber um refrigerante na área de convivência e depois adentrei o túnel. Nessa hora fez falta o fato do lugar não ser marcado: como estava sozinho tive de depender da solidariedade alheia para manter meu lugar depois – e assisti à partida em lugar diferente de onde tirei a foto abaixo.

Entendo os defensores dos lugares “livres” mas acho que ao menos nos setores mais caros deveria haver a marcação de lugar obrigatória.

20131127_201753Por volta de 21:30, 20 minutos antes do início, o Maracanã já estava lotado. Destaque para a torcida do Atlético Paranaense, que ocupou todo o espaço a ela reservado, de cerca de sete mil lugares – embora em um olhar visual me parecesse haver mais gente. Isso é mais que  o Botafogo leva de público total na esmagadora maioria de seus jogos, para o leitor ter uma ideia.

Por outro lado, fizemos uma linda festa, com direito a mosaico (foto que abre o post) e cantoria durante todo o tempo do pré jogo. Confirmou-se a impressão que tivera por ocasião da Copa das Confederações:  o Maraca virou um caldeirão, com uma pressão do público muito maior e mais efetiva que o antigo. O time do Atlético visivelmente sentiu a nossa pressão durante a partida.

20131127_213415A torcida do Flamengo estava bem mais participativa que em outras recentes decisões também. Fez bem as principais organizadas estarem sentadas próximas e puxando sempre as mesmas músicas, que ressoavam ao restante do público. Os ataques dos paranaenses eram saudados com vaias e apitos que deixavam insuportável a vida dos adversários.

Sobre o jogo em si, o clima de tensão estava no ar. As duas equipes vieram com propostas mais ou menos semelhantes: segurar o máximo possível na defesa e tentar matar o jogo em um contra ataque. Isso deu uma carga de tensão quase insuportável ao jogo, pois havia aquele medo de levar um gol e a vaca ir para o brejo.

20131127_215736No segundo tempo, à medida que o tempo passava, ia tudo ficando mais nervoso. O time paranaense não ameaçava muito, mas insistia com bolas aéreas sobre a área e em pelo menos duas oportunidades a indecisão do nosso arqueiro causou calafrios. Nos minutos finais quase nem se respirava onde eu estava, até que veio o primeiro gol – que eu, de tão tenso, mal comemorei. Além disso fiquei preocupado com o retorno à nova saída, mas a providencial briga do lateral André Santos com o atacante reserva adversário acabou por dar uma esfriada nos ânimos.

Logo depois pedíamos o final do jogo, e ele veio com o gol de Hernane – aí sim, foi festa e o grito de “é campeão” pôde sair com segurança da garganta. O time é tecnicamente limitado, vai precisar de muitos reforços para uma disputa competitiva da Taça Libertadores ano que vem, mas tem uma característica admirável: jamais se entrega. A disposição de todos é comovente e, ainda que se discorde aqui e ali de algumas coisas, para o que se esperava do trabalho neste 2013 de reconstrução o saldo é amplamente positivo.

20131128_000157A se lamentar apenas a altura do banner da entrega da taça, que impossibilitou quem estava do outro lado – como eu – ver a cerimônia. Depois, na volta olímpica os jogadores passaram onde eu estava, fazendo a festa – e quase ninguém se retirou de seus lugares até que a volta olímpica se completasse.

Por meu turno, posso dizer que sou pé quente: estive nas duas decisões ocorridas no Maracanã neste 2013 e saí vencedor nas duas. Um título com a cara do Flamengo, um título com a alma do Flamengo, embalado nas (alegadas, tinha muito mais gente) 60 mil vozes que tonitruavam no Maracanã. Se raciocinar friamente diria que não valeu a pena pagar o que paguei no ingresso, mas não há dinheiro que pague ver o Flamengo campeão “in loco”.

Isso é o que importa.

20131127_234656Certos sorrisos não tem preço, certos momentos não tem preço. Este foi um deles, acompanhando a camisa que joga sozinha rumo a mais uma taça. Para a Libertadores, a contragosto terei de fazer o plano de sócio torcedor, por causa da disponibilidade de ingressos, mas este é assunto para outro dia.

Hoje é celebração e alegria.

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5 Replies to “Uma festa rubro negra – é Campeão!”

  1. Isso aí, Migão!

    Agora é focar no BRASILEIRÃO…

    Ainda restam 2 pra cair e um pra VAZAR da Libertadores… kkkkkkkkk!

    Abração!!!

  2. Lembro de ter lido aqui uns posts bastante críticos em relação à nova diretoria do flamengo. Me parece que vocẽ tinha dúvidas quanto as reais intenções deles. Com o fim de ano vai ter uma espécie de retrospectiva ? Ou quem sabe um balanço e perspectivas para 2014 ?

    1. Bernardo, farei um balanço sim, mas somente quando começar a temporada 2014 – quero observar a montagem do elenco

  3. Posso viver mais uns 100 anos, que jamais vou esquecer … Não tem preço a emoção que senti neste dia !!!! E olha que tenho uma considerável “quilometragem” de Maraca …

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