Nesta terça o colunista Walter Monteiro fala um pouco da liga do nosso futebol americana, a MLS, e seu sucesso crescente.
Futebol, Alegria do Povo Ianque
Migão está fazendo uma série especial sobre suas experiências com os esportes norte-americanos, mas problemas de calendário privaram nossos leitores de um relato sobre a liga esportiva que mais cresce nos EUA: a Major League Soccer, dedicada ao bom e velho esporte bretão.
Por mais estranho que possa parecer, desde 2011 a MLS está na frente da NBA e da NHL (a liga de hóquei) em termos de público nos estádios. E, o que é mais significativo, com uma curva de crescimento bem acentuada, enquanto hóquei e basquete perdem público ano após ano. Portanto, no desafio de atrair público aos estádios, o futebol está consolidado como o terceiro esporte mais apreciado do país, atrás apenas do Baseball e do Futebol Americano.
A diferença, porém, ainda se mantém expressiva nas audiências da TV: jogos de hóquei, a menor liga das 4 grandes, alcançam um público médio de 400 mil espectadores, contra 300 mil no melhor momento da MLS em 2012 e esse ano a audiência vem caindo para a casa dos 230 mil.
Convenhamos, a qualidade do futebol praticado nos gramados do Tio Sam ainda deixa bastante a desejar, principalmente na diferença de qualidade entre os melhores e os piores times da liga. E o esporte é claramente incipiente no país. Vai demorar para cativar o telespectador médio.
Mas não há uma experiência esportiva tão rica para ser observada na atualidade do que a evolução do soccer americano. Isto porque o comportamento do público revela que o futebol tem mesmo algo de especial e singular, que vai além da explicação convencional.
O time que melhor retrata esse fenômeno é o Seattle Sounders.
Primeiro, pelo inusitado geográfico. 9 entre 10 especialistas (ou melhor, palpiteiros) diziam que o soccer só ia deslanchar na América quando dirigissem o foco para os imigrantes latinos, que trazem o futebol nas raízes. A cidade de Seattle, quase na fronteira com o Canadá, é majoritariamente branca e tem menos de 5% de latinos. Como é que o futebol foi dar certo por lá?
Segundo, pela fidelização absoluta dos torcedores. O Seattle Sounders tem a inacreditável MÉDIA de público de 44 mil a cada jogo no Century Field – estádio que também abriga os jogos da NFL do Seattle Seahawks, dono da torcida mais barulhenta da liga. Ele não entra na lista dos maiores do mundo porque ninguém se lembra de ir lá pesquisar, mas sua média é superior a do Liverpool, Roma, Chelsea, Juventus. Se esse argumento ainda não convenceu, considere que o Seattle tem o DOBRO da média do Flamengo no Brasileirão deste ano, mesmo considerando as ótimas bilheterias de Brasília.
Terceiro, pela radical transformação operada na relação do público com o espetáculo. Os americanos têm uma relação um tanto fria com o jogo, bastante ordeira, uns gritinhos bobos do tipo “Let’s go Knicks” ou “Go, Habs, Go”, uma atenção desviada pelas guloseimas dos inúmeros bares, enfim, algo que não deixa a emoção fluir por inteiro.
Tudo inteiramente diferente do que se vê nas arquibancadas do Century Field. Bandeirões, desenhos de caveiras, torcida em pé, cânticos de estádio, cachecóis, instrumentos… Olhando os vídeos, se ninguém contar de onde é o time, é fácil supor que se poderia estar no Reino Unido, berço do futebol e dos hooligans (pelo menos isso ainda não copiaram). Não tem rigorosamente nada a ver com qualquer outro esporte americano.
O que isso mostra? Que, realmente, só o verdadeiro futebol é capaz de revirar as emoções humanas mais escondidas e estabelecer uma relação visceral com o torcedor. Talvez por ser o único esporte onde a incerteza é uma variável de relevo, talvez por dar margem a um grau maior de interferência da torcida, talvez porque em mais de 100 anos ninguém ainda conseguiu entender por inteiro toda a sua magia.
O fato é que a Emerald City (torcida organizada do time) e sua imensa legião de seguidores está aí para provar a quem queira ver: futebol fascina e conquista até quem não estava acostumado com ele.
Do outro lado da costa, o lendário New York Yankees se aliou ao Manchester City para fundarem o New York City, com estreia para a temporada de 2015. David Beckham, um cara que contribuiu demais para o crescimento da MLS graças a sua personalidade absurdamente midiática, se uniu ao dono do Miami Dolphins para montarem um time na Florida. A parada cresce demais, sem que a gente preste tanta atenção.
E eu fico aqui pensando que não vai demorar muito para a turma da MLS começar a disputar a Libertadores. Quando eles estiverem à toda, sai de baixo: os loucos de Seattle fazem US$ 40 milhões de receita anuais apenas com o Match Day – é mais do que o Milan, só para a gente ter a noção do problema.
Para quem temia as LDUs da vida, vai dar saudade do tempo que a maior preocupação era só a altitude.
Viva o NY Red Bulls!
Ah, e tem o novo time de Orlando, cujo o dono é Brasileiro. Também estréia em 2015.
Se eu não me engano o proprietário deste time de Orlando é o dono do curso de inglês Wizard. Celo, conta pros leitores aquela experiência de acompanhar a organizada do NY red Bulls em uma partida fora.
Flavio Augusto da Silva (um dos donos) era dono do curso de inglês Wise Up. Um dia vou fazer um relato dessa experiência para você postar aqui.
Então fiz confusão. Fico no aguardo do texto