Em minha recente viagem a New York, havia feito os relatos das partidas de basquete e futebol americano. Faltava o hóquei, que acabou sendo uma grata surpresa.

Até a viagem, eu sempre torci pelas equipes de basquete (NY Knicks) e futebol americano (NY Giants). Decidi acompanhar uma partida de hóquei mais pela curiosidade e pela oportunidade de retornar ao Madison Square Garden, que também é sede do time de hóquei, os Rangers. A equipe divide o ginásio e os donos com os Knicks, da liga de basquete. Eu até acompanhava os resultados mas não era daqueles fãs empedernidos.

A partida se realizou no dia 6 de novembro, dia seguinte ao jogo de basquete já relatado aqui. Adquiri um ingresso mais barato, atrás de um dos “gols” e no alto do ginásio, mas que acabou tendo uma visão bem interessante da quadra. O curioso é que nossos lugares eram em uma espécie de “balcão” semelhante aos de padarias e botequins brasileiros: você se senta em uma espécie de banquinho e de lá assiste ao jogo em uma área que lembra muito a de um bar – como falarei mais abaixo.

Ainda assim, é uma localização melhor que as duas primeiras fileiras do setor, que ficam na prática em uma espécie de “vão livre” (abaixo). A mureta ou coisa parecida na verdade é uma espécie de vidro (só que de acrílico), de forma que as pessoas com algum tipo de medo de altura devem se sentir bastante incomodadas nestas fileiras. O curioso é que na recente reforma feita no Madison Square Garden se colocou uma espécie de “ponte” (que aparece em algumas fotos) de ponta a ponta do ginásio, ao alto – e com lugares disponíveis – e que limitou a visão de alguns setores do ginásio para as partidas de hóquei. Estes lugares citados são bem mais baratos mas não tem 100% de abrangência ao assistir à partida.20131106_190034Cheguei ao ginásio um pouco mais cedo que o dia anterior, pois precisava trocar meu ingresso na bilheteria chamada “will call”. Logo ao chegar se percebe a diferença do dia anterior: muito menos gente, mas muito mais pessoas usando as cores do time e as vestimentas oficiais. Troquei rapidamente meus ingressos e fui à loja oficial, na verdade a loja dos Knicks com uma parte dedicada aos Rangers.

Não comprei uma camisa oficial pois, além de achar cara (US$110), era de mangas compridas, o que inviabilizava o uso no retorno ao Rio de Janeiro. Comprei o programa do jogo, o boné que estou nas fotos e uma camiseta que “replica” a de jogo, embora em um tom de azul mais escuro – e, o mais importante, de mangas curtas. Tive de perguntar à vendedora qual jogador ela me indicaria para levar a camisa, e ela imediatamente me entregou o exemplar dedicado ao goleiro Lundqvist, com o número 30. O decorrer do jogo posteriormente me diria que ela estava certa. Por outro lado, a oferta de itens oficiais da equipe é bem tímida.

Ao contrário do setor onde ficara no dia anterior, fiquei em uma área que é uma espécie de “bar”, sem ter de me deslocar muito a fim de comprar bebida e comida (foto abaixo). Como no setor inferior onde ficara no dia anterior, há diversas opções de bebida e comida, sendo uns dez tipos de chopes artesanais/especiais e mais outras dez em garrafa – fora os exemplares “comuns”. Cheguei a comer um cachorro quente, mas se for ao Madison Square Garden, leitor, a pedida é a pizza: com US$10 se compra uma tamanho médio (um pouco maior que a brasileira), muito mais saborosa que qualquer uma encontrada aqui no Rio de Janeiro e que pode perfeitamente ser dividida entre duas pessoas – e olha que sou bom de garfo.20131106_185843Até pela proximidade do bar acabei bebendo mais que na véspera. Teoricamente a venda de cerveja se encerra ao final do segundo período de jogo – são três tempos de 20 minutos – mas na prática se podia comprar cerveja quase até o final da partida.

O show antes do início do jogo não é muito diferente do ocorrido no basquete, embora o hino americano tenha sido executado por uma espécie de banda da Marinha norte americana. O ginásio recebeu para a partida talvez uns 60% de sua lotação, e mais uma vez o público chegou em cima da hora, como no dia anterior.

O público de uma partida de hóquei é bem específico: branco e muito mais fanático. Bastava se olhar as pessoas nas cadeiras para se perceber que é o esporte dos brancos americanos: contavam-se nos dedos de uma das mãos os negros ou representantes de outras etnias no ginásio. Eu, que aqui no Brasil sou considerado branco, lá naquele dia era uma das pessoas com pele mais escura no recinto.20131106_190106Por outro lado é um público bem mais participativo e fanático. Dos jogos a que assisti em minha temporada nova iorquina, diria que a torcida dos Rangers é a mais próxima do que vemos nos estádios de futebol pelo Brasil. Canta quase o tempo todo, vaia os adversários, vibra com as pancadarias inerentes ao jogo e comemora intensamente os gols, com direito a efusivos abraços e toques de mão no desconhecido ao lado. A musiquinha entoada após cada gol é muito legal – não gravei mas basta uma pesquisa rápida no YouTube que se encontra.

A troca de sopapos é algo cultural no esporte, e as pessoas vibram muito quando ocorre. Na partida em questão ocorreu em duas ocasiões: primeiro em uma briga (razoavelmente) generalizada entre os jogadores das duas equipes e a segunda quase ao final, com a partida decidida: um jogador dos Penguins simplesmente deu um soco na cara do atleta dos Rangers, fora do lance. O curioso é que ele nem esperou ser expulso pelo árbitro: já se encaminhou aos vestiários antes mesmo da sinalização das “zebras”.

A partida em si reuniria a equipe da casa em crise contra um Penguins líder então da Divisão Metropolitana da NHL, a liga profissional de hóquei norte americana. Entretanto, o time da cidade de Pittsburgh não ofereceu muita resistência ao time da casa, que dominou amplamente as ações até o placar final de 5 a 1.20131106_220520Não irei me estender em comentários técnico e táticos sobre o jogo porque não o domino totalmente, mas deu para perceber que o goleiro tem uma importância fundamental no esquema de jogo. Se sobressaiu no caso o bom goleiro dos Rangers – que irá disputar os Jogos Olímpicos de Inverno pela Suécia – com ótimas defesas. O time da casa se utilizou muito do contra ataque para construir a vantagem no placar, sempre com jogadas rápidas. O resumo do jogo e os melhores momentos podem ser vistos aqui. Novamente, lembra um pouco nosso futebol.

Uma curiosidade é que se vendem ingressos – a preços altíssimos, evidentemente – para lugares na beira do rinque, ao lado dos bancos de reservas. Não acho nada impossível estourar uma briga entre torcedores e os integrantes do banco de reservas em uma partida mais tensa. Não sei se por causa do gelo, se pela menor lotação ou se por estar em uma posição mais alta achei a quadra bem mais fria que no dia anterior, tanto que passei a maior parte do tempo bem mais agasalhado.

Outra coisa é que o jogo se desenrolou praticamente ao mesmo tempo que a partida entre Flamengo e Goiás, pela semifinal da Copa do Brasil. Acompanhei o jogo do Maracanã pelo Twitter e, quando terminou, saí socando o ar e pulando comemorando a classificação à final. A americanada em volta, obviamente, não entendeu nada – tanto que o senhor a meu lado me perguntou o que ocorrera e, após a minha explicação, deu um sorriso e exclamou: “you´re right” (você está certo).20131106_210733

Aliás, algo a se dizer é que o wifi tanto do Madison Square Garden como do MetLife Stadium funcionam muito bem. No caso específico do ginásio a posição da partida de hóquei era um pouco pior que a do jogo de basquete para usar o serviço (às vezes se perdia o sinal), mas consegui usar sem problemas. Já no MetLife, do futebol americano, ainda que com 80 mil pessoas também utilizei o tempo inteiro, subindo fotos e vídeos em redes sociais em tempo real e de forma rápida. Funciona.

Outra curiosidade é que nos intervalos ficam funcionários com pequenas pás acertando o gelo do ginásio e deixando-o mais liso possível. Também se fez uma espécie de “joguinho” onde os jogadores estavam dentro de imensas boias e tinham de correr.

Ao final do jogo o ginásio se esvazia rapidamente e muita gente vai para o bar especializado “Stout”, como também fiz. Nos corredores de acesso existem murais nas paredes reproduzindo momentos históricos do mítico ginásio, como as lutas da foto abaixo.20131106_222037Sem dúvida gostei muito da experiência e digo que a partir de então o NY Rangers passou a ter mais um torcedor. No próximo – e último – post da série sobre a viagem irei falar um pouco sobre os musicais a que assisti, bem como a visita ao Central Park, que acabou sendo bastante rápida.

Até lá.

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