Nesta segunda-feira, a coluna Cerveja, Prazer!, do especialista Nicholas Bittencourt, entra num assunto que vem dando o que falar: o Isoporzinho, uma espécie de movimento contra os preços das cervejas nos bares do Rio de Janeiro e Niterói.
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Uma mania tomou conta do Rio de Janeiro essa semana, o tal do Isoporzinho. O que começou com um grupo de amigos se juntando em uma praça do bairro Botafogo para beber cerveja e conversar, logo tomou proporções e virou movimento social e político, como uma forma de protesto contra os preços abusivos praticados por bares e restaurantes.
Já são eventos marcados em várias praças do Rio de Janeiro e cidades vizinhas, como Niterói, todos em locais estratégicos por estarem cercados de bares. Em cada evento, o pedido é que os participantes levem suas próprias cervejas e assim fazem uma espécie de coletivo, com todos bebendo em harmonia e pagando barato.
No entanto, preciso fazer as vezes de advogado do diabo e defender os bares dessa injustiça (parcial) que estão sofrendo. É claro que muitos se aproveitam do movimento na cidade para inflar seus preços, mas, ao mesmo tempo, as pessoas estão pensando que ir a um bar não é apenas pegar uma cerveja da prateleira e beber ali, a temperatura de supermercado.
A primeira desvantagem dos bares em relação aos mercados, que tabulam o preço ideal desejado pelos “isoporzeiros”, é a capacidade de negociação com os fornecedores de bebida. Como compram no atacado e muitas vezes possuem diversos estabelecimentos que se beneficiam de uma única compra, os mercados conseguem acesso a preços mais competitivos, além de trabalharem com margens menores.
Depois, vem a seguinte pergunta: Quem beber no isopor, vai no banheiro onde? Ao beber no bar, há um conjunto de serviços agregados que não se consegue na praça, como um banheiro limpo. Mesas, cadeiras e a bebida gelada e armazenada na geladeira, trazida até você por um profissional que se responsabiliza (ou deveria) no caso de problemas na bebida, como estar choca ou vencida, são outros benefícios de se beber no bar.
No “isoporzaço” da Praça São Salvador, um banheiro químico foi estimado em R$3,5 mil pelos organizadores do evento. Quem paga essa conta? Para saber quanto uma latinha realmente custará na praça, mesmo comprada a R$ 3 no supermercado, precisamos levar em conta uma série de outros custos, como o gelo para o isopor, por exemplo. E você não está recolhendo imposto nenhum sobre o que consumiu!
Mas de certa forma, o boicote é válido. Como disse acima, é uma injustiça parcial que os bares estão sofrendo. O isoporzinho tem sua razão de existir porque apenas quando o consumidor se recusar a pagar um preço abusivo é que os lojistas vão começar a repensar suas margens e otimizar seus custos.
É um amadurecimento do brasileiro enquanto consumidor. Resta agora esperar se isso vai se estender à politica nas eleições que ocorrem este ano.
[Foto: Jornal O Globo]