Neste domingo, a terceira e última parte da série do compositor Aloisio Villar sobre o amor.

O amor em todas as suas formas – Parte III

Não iria voltar a esse tema. Na verdade nem teria a segunda parte que só ocorreu por eu achar que tinha ainda algo a dizer. Mas algumas coisas ocorreram e senti que devia voltar mais uma vez a esse tema. Sempre temos o que falar de amor. É um assunto que não se esgota.

Assim como ele não se esgota em falarmos também não se esgota em ouvirmos ou lermos. Os dois “amor em todas as suas formas” fizeram sucesso, repercutiram. E por que isso ocorre? Porque gostamos de falar de amor, amar e principalmente ser amado. Mesmo que nesse mundo de hoje de relações instantâneas isso seja tão difícil.

No primeiro texto falei da Bia. Não minha filha, mas uma pessoa muito especial e que nunca deixo de dizer que foi a mulher da minha vida. O amor em todas as suas formas por ela foi mostrar como podemos amar de diversas maneiras a mesma pessoa. O afeto pode sim se transformar, o importante é que ele exista. Podemos amar alguém por diversas maneiras e motivos. Essa é uma das graças de amar.

O segundo texto foi mais amplo. Em vez de amar uma pessoa de várias formas eu quis dizer das várias formas de amor que podemos ter por várias pessoas. Amor a filhos, pais, parentes, amigos, homens, mulheres, bichos, lugares, momentos e por pessoas companheiras, fiéis e que em um determinado momento achamos que nunca mostramos a ela como são importantes de verdade e sentimos necessidade disso.

Até que depois dessa homenagem a pessoa te decepciona. Assim como o amor a decepção é um dos sentimentos mais humanos e vivos que existem. Mas isso não é assunto para agora. O negócio é falar de amor, amar, se feliz. Isso é o que todo mundo quer. Mas pensando nisso faço uma pergunta. Qual a primeira palavra que vem a sua cabeça quando falamos em amor?

O nome da pessoa amada? Felicidade? Alegria? Pode ser. E pra quem não está feliz com o amor? Melancolia? Tristeza? Saudade? Lembrança? São as mais pensadas, né? Alguém pensou em esperança? Futuro?

Aí está o X da questão. Pensamos em amor apenas no presente e principalmente no passado. Passamos em um lugar e lembramos de alguém, ouvimos uma música e vem aquela saudade. Agora mesmo pode estar lendo esse texto mal feito e lembrando de alguém. Bate aquela dorzinha, mas ninguém pensa que ele ainda pode vir?

Dizem que só amamos uma vez na vida. Será? Caso seja realmente isso já amamos? Quem te garante que você já viveu o amor de sua vida?

Pelo que sentiu? Você acha que aquilo que sentiu foi o máximo que pode sentir por alguém? Quem te garante que não vai acabar de ler esse texto, sair de casa pra ir à padaria e nela encontrar pedindo uma dúzia de pães francês e trezentos gramas de queijo prato aquela pessoa que vai mudar sua vida, mundo e futuro?

O amor é uma pessoa debochada e sacana. Eu falei no começo do texto que a Bia foi o amor da minha vida, mas antes eu achava que tinha sido a Thais, antes da Thais eu achei que fosse a Michele, na adolescência tinha certeza que a Ericka, minha  colega de classe era o amor da minha vida e nunca seria superado. Mas aí esse ser debochado e sacana, esse cupido que gosta de jogar flechas a esmo sempre nos surpreende.

E isso é legal, é bacana. Já pensou se você aos vinte ou trinta anos já tivesse certeza que viveu o amor e nunca mais viverá isso? A sensação do coração acelerar, as pernas tremerem, a boca seca. Não saber o que dizer, gaguejar por causa de amor, ficar zonzo. Todas essas sensações e não são porque bebeu uma tequila batizada da Lapa e sim porque começou a amar novamente. Isso é maravilhoso.

Eu acho que o amor sempre é possível de chegar, sempre é possível de nos surpreender, mas depende muito da gente. Porque o amor não se instala no peito do covarde.

O amor exige entrega, exige que você o queira mesmo. Ter medo de amar, ter medo do amor é o primeiro passo para o fracasso. Tem gente que culpa a vida, diz que não teve sorte no amor, mas se permitiu a ele? Amar é se jogar de um avião com um para quedas remendado na esperança que ele funcione. É mergulhar de cabeça de um penhasco sem saber se têm pedras no fundo do mar.

Quantas vezes o amor já não pode ter rondado nossas vidas e falamos “Não vou porque vou sofrer”, “não vou porque a pessoa não presta”, “não vou porque ele mora longe”, “não vou porque não temos grana pra manter um namoro”, “não vou porque já tenho um compromisso, mesmo fracassado”. Isso tudo quando na verdade quer dizer “Não vou porque sou um cagalhão ou uma cagalhona”.

Já errei muito em relação a amor, mas nunca por omissão. Já terminei namoro estável porque me apaixonei por outra. Já viajei seis horas de ônibus pra ir e seis pra voltar ficando umas três horas na cidade só pra dizer que amava e contar meus erros.

Já fui a puteiro tirando mulher de lá, dessa vida, pegando pela mão e andando pela rua porque amava. Outra vez chamei uma para morar aqui porque ela tinha problemas em casa com avó e anos atrás uma colega de faculdade, desesperada porque viu que não conseguiria abortar e o pai da criança não queria assumir, eu disse que assumiria e iria a seus pais falar que era meu.

Errei muito e ainda vou errar demais, mas na ação. Como eu já disse troquei uma Ferrari por um penico naquela brincadeira do programa Silvio Santos de estar com os ouvidos tampados e ter que responder quando uma luz acende. Mas vivi tudo que tinha que viver. Amei as mulheres que eu quis amar e quando tive brecha vivi minhas histórias com ela.

Posso em algum momento não ter tratado bem o amor, mas não deixei passar. Não desperdicei e mesmo contrariado com muitas coisas que ele me mostrou, tendo motivos para dar todas aquelas desculpas acima eu quero mais. Quero amar mais, errar mais e não quero ver quando ficar velho fotografias antigas ao lado de quem poderia ter sido meu amor e não foi porque fui fraco.

O amor me faz idiota e me faz de idiota, mas nem por isso lhe quero longe de mim. Quero sim novos amores, novas histórias, novos ciclos. Conhecer pessoas que me acrescentem, que me provoquem risadas, turbulências, calmarias, que façam bem a minha vida simplesmente por estarem nela.

Quero que a pessoa chegue e eu mostre todas as minhas qualidades e defeitos para ela e quero conhecer os seus também porque o que prende o amor não são as qualidades, isso é mole, é saber respeitar os defeitos e que ninguém é perfeito.

Se a próxima pessoa que eu conhecer não for assim não tem problema. Tem a próxima, a próxima, a próxima. Pretendo viver bastante. Ver a Bia e o Gabriel me darem netos e nem que seja com uma vovó charmosa com um lindo sorriso saído de sua dentadura eu sei que uma hora vai acontecer.

Porque eu não tenho medo. Medo de amar é medo de viver. E tenho esperança, fé na vida, no futuro. Fé é uma forma de amor. O amor em todas as suas formas também compreende a fé.

E com fé sigo a minha caminhada esperando por mais amores.

Em todas as suas formas.