Prosseguindo com a cobertura especial do Carnaval no Ouro de Tolo, o advogado Rafael Rafic deixa suas impressões sobre a primeira noite de desfiles da Série A na Sapucaí.

Noite de altos e baixos no Acesso

Conforme combinado com a editoria do blog, darei aqui minha rápida visão dos quatro dias de desfile na Marques de Sapucaí, do ponto de onde assisti aos desfiles. No caso, a frisa Ouro de Tolo nesta sexta-feira ficou na fila A do setor 3, quase embaixo do primeiro módulo de julgamento.

Nesta sexta-feira, desfilaram as oito primeiras escolas da Série A.

emcimadahora4Em Cima da Hora – Vivi para ver um dos maiores sambas-enredo da história passar pela avenida. Desfile alegre e emocionante. Além do samba, o ponto alto foi a bateria de Mestre Zumbi. A parte plástica não teve luxos, porém esteve bem resolvida. Comissão de frente esteve bem simples. Já a Harmonia da escola de Cavalcante teve uns 2/3 de alas cantando muito e outro 1/3 embromando. Evolução com dois pequenos problemas, mas nada comprometedor.

União de Jacarepaguá – A escola entrou impactante. Comissão de frente bem vestida e coreografada. Carros grandes, especialmente um abre-alas acoplado grande e bem feito, mas passou apagado. Segundo e terceiro carros O.K., só que o quarto carro quebrou o eixo de direção, além de ter problemas de acabamento na parte de trás. A evolução foi atravancada e aqui no setor 3 complicou de vez com o problema no último carro. No fim, a escola correu para não estourar o tempo, o que conseguiu no limite. Fantasias com planejamento robusto porém com problemas graves de desenvolvimento, como uma ala completamente sem camisa e outra sobre ogum sem chapéu (que inacreditavelmente tinha homens). Bateria veio apresentada pelo grande Nilo Sergio, mestre da Tabajara do Samba, porém saiu do recuo inicial totalmente desconjuntada e não teve grande atuação por todo desfile. Samba também rendeu muito aquém do esperado. Quero estar enganado, mas acho que Pai Rafic errou a primeira e a União de JPA irá para a Intendente.

Acadêmicos da Rocinha – Desfile desastroso. Não salva nenhum quesito. Carros alegóricos abaixo do nível da Intendente, fantasias horríveis e nada claras (não tem a menor cara do ótimo e ultra-didático Luis Carlos Bruno), enredo indecifrável, o pior samba que eu já ouvi na avenida e uma bateria errada do início ao fim. Escola muda e com problemas de evolução. Só um milagre salva a Rocinha da Intendente e, se cair, arrisco que não volta.

Renascer de Jacarepaguá – Desfile mediano. Forte nos quesitos de pista e bastante irregular nos quesitos plásticos. Como eu imaginava, o sambão diferente de Moacyr Luz e Claudio Russo deu muito certo. Passou bem demais, me esbaldei nele assim como os componentes que cantaram bem o samba. O samba ainda foi ajudado pela ótima performance da bateria de Mestre Dinho. Não deu para ver muito da Comissão, pois passou voando por mim, mas a impressão que deu é que a indumentária escondeu o “tchan” da Comissão que eram as mulatas “plus size”. Fantasias muito irregulares. Umas impecavelmente lindas, outras mal feitas. Carros alegóricos bem ruins e mal acabados, especialmente o abre-alas e o terceiro carro. A evolução e o conjunto no inicio do desfile foram bastante confusos, com vários componentes passando no lado da avenida para achar sua ala (ou simplesmente desgarrar dela) em uma evolução bem lenta no início e rápida demais no fim. Ainda sim a corrida não foi a suficiente e a escola (ligeiramente ajudada pelos joelhos ruins do editor deste blog, que vinha na última ala) foi a primeira a estourar o tempo de desfile, fechando o portão com 56 minutos, um a mais do que o permitido. Desfile para a zona da marola, mas não vejo riscos de rebaixamento pela trinca samba-bateria-harmonia.

portodapedra6Unidos do Porto da Pedra – Primeiro desfile para briga na ponta da tabela. Bom conjunto alegórico e boa plástica. Bateria muito bem, conduzindo o samba mediano, no máximo, mas que rendeu bem. Escola cantou bem também, apesar de algumas alas pecarem no ponto. Não gostei da comissão de frente, mas dou um desconto por causa da minha implicância pessoal com o coreógrafo dela (Marcio Moura). Para mim, fanático portelense, o fim deste deste desfile foi marcado pela emocão de poder ver a grande Vilma “Cisne da Passarela” Nascimento, desfilando na avenida vestida de porta-bandeira e bailando com a bandeira da Portela. Pela minha “parca” idade, nunca vi Vilma desfilando como porta-bandeira da Portela. O ponto fraco do desfile foi a evolução, que foi marcada por vários pequenos erros e uma cratera na saída da bateria do recuo inicial. Ainda sim, deve ser desfile para disputar o top 5 ou até o top 3.

Paraíso do Tuiuti – Um crime na avenida. Bateria chutou demais o samba (andamento bastante acelerado), estragando a obra-prima que é Kizomba. Pior do que isso foi ver muitos componentes sem cantarem um verso sequer deste clássico. O desfile não foi de todo ruim, com fantasias razoáveis e carros alegóricos idem (os dois primeiros até bons). O samba dispensa comentários, mas a aceleração o prejudicou muito. Evolução com dois pequenos problemas, nada demais. Bateria não foi perfeita mas passou bem, com uma paradinha muito bem executada. Desfile para meio de tabela.

Inocentes de Belford Roxo – Típico desfile de Imperatriz Leopoldinense: bonito mas chato demais. Escola veio bastante luxuosa na parte plástica, com fantasias bem acabadas no geral. Porém, todos os carros, apesar de pretensamente luxuosos via iluminação bem feita, tinham problemas graves de acabamento e duas esculturas (mal-acabadas) danificadas. Além disso o enredo foi de dificílimo entendimento (como tem virado marca da carreira do Wagner Gonçalves). Samba ruim e bateria mediana. Harmonia falha, com metade da escola cantando e outra metade calada, quando muito sorrindo. A ideia da comissão de frente foi interessante, apesar de não podê-la ver completa. Quesito por quesito, foi até um desfile competitivo. Deve disputar o top 5.

imperioserranoImpério Serrano – Um desfile que já se imaginava complicado pela parte plástica, tomou ares ainda mais dramáticos com a quebra da embreagem do abre-alas seguido de um princípio de incêndio preocupante. Esse fato acabou com a evolução, que já é problemática naturalmente, por uma falha antiga da direção de harmonia, que parou nos anos 80. Resultado: o abre-alas abriu buracos por toda a avenida e travou a escola, grande como sempre para o Acesso, que teve de correr bastante para terminar o desfile no limite dos 55 minutos. Carros alegóricos sem grandes riquezas e com acabamento incompleto, especialmente a grande placa preta na frente do abre-alas, onde deveria aparecer o “Império Serrano” característico da escola. Fantasias medianas. Gostei da comissão de frente, mas também passou rapidamente por mim. Harmonia quase perfeita. Escola cantou bastante e foi o destaque do quesito na noite. A sinfônica deu o show de sempre e o samba passou muito bem, bastante acima da minha expectativa. Não obstante, é desfile para quinto ou sexto, teremos de amargar mais um ano de Império Serrano no acesso.